Política
Juiz adiou votação que poderia aceitar ou arquivar pedido de CP contra parlamentar

Vereador consegue liminar e suspende votação de denúncia em Monte Mor

Justiça impediu que análise da denúncia de suposto abuso de autoridade contra Josuel Dias da Conceição Alves (PSD) acontecesse nesta terça-feira (25) e mandou que a Câmara forneça ao parlamentar a íntegra do pedido de investigação

Paulo Medina | Tribuna Liberal

Uma decisão judicial suspendeu a votação da denúncia contra o vereador Josuel Dias da Conceição Alves (PSD), que estava prevista para ocorrer na sessão da Câmara Municipal de Monte Mor, nesta terça-feira (25). A liminar foi concedida pela Justiça após o parlamentar impetrar um mandado de segurança para impedir que o presidente da Câmara, Beto Carvalho (PP), colocasse o pedido de abertura de Comissão Processante (CP) em votação.

O vereador alegou ter sido denunciado à Casa Legislativa por uma diretora de escola após realizar uma fiscalização nos bebedouros de unidades municipais e estaduais no bairro Jardim San Remo. Segundo ele, a denúncia gerou uma série de ataques pessoais, incluindo difamações e ameaças. No entanto, o parlamentar afirmou que não teve acesso integral à denúncia, pois apenas parte do documento estava disponível no site da Câmara e que o Legislativo não forneceu o documento integral. Josuel ingressou na Justiça solicitando a suspensão da votação até que tivesse pleno acesso às acusações.

O juiz responsável pelo caso, Luís Carlos Martins, deferiu a liminar, entendendo que o não fornecimento dos documentos violava o direito à ampla defesa e ao contraditório. Segundo a decisão, no bojo da denúncia constavam elementos como relatos escolares, vídeos, lives do vereador, comentários e publicações, além de uma ata escolar da ocorrência. Dessa forma, a Justiça determinou que a Câmara de Monte Mor suspendesse a votação da denúncia e que forneça imediatamente a íntegra dos documentos para que o vereador possa se defender.

A liminar também exigiu que o presidente da Câmara preste informações sobre o caso no prazo de 10 dias. Beto Carvalho informou que a Casa seguirá à risca todos os ritos do decreto que rege as denúncias no Legislativo.

A Câmara votaria nesta terça-feira a abertura ou o arquivamento de um pedido de CP para investigar o vereador Josuel, denunciado por abuso de autoridade, discriminação de gênero, exposição difamatória, perturbação pública, intolerância, incitação ao ódio pela internet e desrespeito a uma funcionária pública no exercício de sua função. O caso teve origem em uma live feita pelo vereador dentro da Escola Estadual Cel. Laurindo Gomes Carneiro, que compartilha o prédio com a Escola Municipal San Remo, no dia 7 de março.

A denúncia foi apresentada pela diretora da unidade, Mônica Aparecida Barbosa, que alega ter sido exposta e humilhada durante a transmissão ao vivo realizada pelo parlamentar. Segundo a gestora, a atuação do vereador no local foi indevida, e ele alega que teria sido expulso da escola após questionar as condições da unidade escolar, que, conforme esclareceu, passa por uma reforma do Estado.

Além disso, a diretora acusa Josuel de expor sua filha de 17 anos nas redes sociais. Josuel da Conceição afirma estar sendo perseguido politicamente. O parlamentar declarou estar apenas cumprindo seu papel de fiscalizador ao denunciar supostas irregularidades na escola. Ele afirma ter recebido reclamações de mães sobre a qualidade da água servida às crianças.

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