Morte de menina de Hortolândia faz dois anos; MP ainda aguarda sentença
‘É o dia de lembrarmos do dia mais difícil do resto das nossas vidas. A dor de não tê-la mais fisicamente é indescritível’, disse pai; Isabela Tiburcio Fermino, de 7 anos, morreu depois da queda de eucalipto no Taquaral, em janeiro de 2023
Paulo Medina | Tribuna Liberal
A morte da menina Isabela Tiburcio Fermino, de apenas 7 anos, moradora de Hortolândia, completou dois anos nesta sexta-feira (24). Ela faleceu após a queda de um eucalipto na Lagoa do Taquaral, em Campinas, um episódio que chocou a região e abriu debates e investigações sobre segurança em espaços públicos.
Mas o caso ainda não chegou a uma conclusão definitiva. Isso porque o Ministério Público (MP) explicou que o processo criminal segue em andamento, e a sentença na ação civil pública ajuizada pela Promotoria contra a Prefeitura de Campinas está sendo aguardada.
“A Promotoria que cuida do caso informa que o processo criminal está em andamento. Estão aguardando a sentença na Ação Civil Pública. De acordo com a Promotoria, a última manifestação na Ação Civil Pública foi que em breve será realizada uma perícia”, informou o MP ao Tribuna Liberal, nesta sexta.
O MP ingressou na Justiça com uma ação civil pública contra
a Prefeitura campineira e pede R$ 2 milhões em indenização. O Executivo
campineiro anexou na ação laudos que mostram que a árvore caiu devido ao
encharcamento do solo ocasionado por temporais e nega irregularidades. Enquanto
o caso segue sem desfecho, a família de Isabela vive o luto e a busca por
justiça.
Desde a morte, a família faz homenagens para a menina na
lagoa. Nesta sexta, fez ações com fitas rosas e oração. “É o dia de lembrarmos
do dia mais difícil do resto das nossas vidas. Mais uma vez, a partir das 9h,
irei percorrer toda a extensão da Lagoa do Taquaral e amarrar uma fitinha rosa
na grade. Rosa era a cor preferida da nossa Isabela. Rosa representa um lindo
legado que ela deixou num espaço de tempo tão curto. Nossa pequena notável,
amou, ajudou, dançou, cantou, escreveu e acima de tudo nos encantou. A dor de
não tê-la mais fisicamente por perto é indescritível. Mas a gratidão de ter
passado os melhores sete anos da minha vida, ao lado da melhor pessoa que eu já
conheci, é tão grande quanto. O vazio que sinto só é suprido pela graça de Deus
que a recolheu, está cuidando dela e um dia me receberá também para estarmos
novamente juntos”, disse Sergio Luís Fermino, pai da menina.
Em julho de 2023, policiais do 4º DP (Distrito Policial) de
Campinas, responsáveis pela investigação da morte da menina, ocorrida em
janeiro daquele ano, constataram que laudos de perícia apontaram “fortes
chuvas” como causa da vulnerabilidade do solo e posterior ruptura da árvore no
dia da tragédia.
A morte de Isabela foi tratada pela Polícia Civil como
“morte acidental” e por não se apontar até então a ocorrência de negligência ou
omissão do poder público no caso, não indiciou pessoas. O inquérito foi
encaminhado para a Justiça para apreciação, segundo a SSP-SP (Secretaria de
Segurança Pública de São Paulo), e voltou para a Polícia Civil. A Polícia Civil
chegou a pedir ao Judiciário ampliação do prazo para finalizar a investigação.
A criança morreu enquanto comemorava o aniversário de uma
prima nas dependências da lagoa. Após a tragédia, a Polícia Civil realizou
oitivas com secretários e agentes públicos de Campinas, com a moradora de
Sumaré, Gabriela de Araújo Rodrigues, que ficou ferida e sobreviveu à tragédia,
e com os pais de Isabela Tiburcio.
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