Educação
João Vitor Medeiros Meira, morador de Hortolândia, vai aumentar as estatísticas de formados

Moradores com ensino superior disparam 166% em Sumaré e Hortolândia

‘Cidades irmãs’ totalizam 54,4 mil moradores com graduação concluída e são reflexo do acesso maior ao ensino superior e do desenvolvimento econômico que demanda preparo profissional para conquista de empregos qualificados

Paulo Medina | Tribuna Liberal

O número de moradores com ensino superior completo nas cidades de Sumaré e Hortolândia (que já estão entre as três maiores da região de Campinas), apresentou crescimento de 166% nos últimos 12 anos, conforme os dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento é resultado da ampliação do acesso ao ensino superior e do desenvolvimento econômico da região.

Segundo dados fornecidos pelo IBGE ao Tribuna Liberal, em Hortolândia, a quantidade de pessoas com curso superior concluído saltou de 7.471 em 2010 para 26.231 em 2022, um crescimento de 251%. Em Sumaré, o aumento é de 117%, com o total passando de 12.977 formados até 2010 para 28.211 até 2022. No total, somando os dois municípios, o número de pessoas graduadas passou de 20.448 em 2010 para 54.442 em 2022.

Segundo especialistas, vários fatores contribuem para esse expressivo aumento na qualificação acadêmica da população de Sumaré e Hortolândia, como a expansão ao ensino superior, que permitiu a ampliação de universidades públicas e privadas na região e o crescimento do ensino a distância (EAD), facilitando o acesso à formação superior. Além disso, incentivos governamentais, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade para Todos (Prouni), ajudaram a democratizar o acesso às faculdades e universidades.

O desenvolvimento econômico, com o crescimento industrial e a ampliação de polos tecnológicos e empresariais em ambas as cidades, também exigiu maior qualificação da mão de obra local, incentivando mais pessoas a buscarem o ensino superior. Outro fator é a maior conscientização sobre educação, que vem sendo cada vez mais valorizada como ferramenta de ascensão social.

Morador da Vila Real, em Hortolândia, João Vitor Medeiros Meira, 24 anos, vai aumentar as estatísticas de pessoas formadas. Estudante do curso de Marketing Digital, João Vitor quer fazer marcas crescerem com seu trabalho especializado.

“Escolhi esse curso, pois estamos na maior era digital, e crescendo cada vez mais, então esse curso direcionado a parte digital é um ótimo investimento, com redes sociais como TikTok, Instagram e compartilhamento de mensagens e vídeos no WhatsApp. Meu foco no momento atual é alcançar as marcas para divulgação, inovação e também um diferencial para que as marcas, lugares possam crescer cada vez mais e num futuro conseguir alcançar as grandes marcas e trabalhar com elas”, disse.

Sobre o ensino superior, ele destacou a necessidade de aumentar o conhecimento pessoal. “O mercado de trabalho está cada vez mais concorrido e quanto mais conhecimento você tiver é melhor, e quanto mais preenchido o currículo, também acaba tendo um diferencial dos demais que não possuem uma graduação ou um técnico. E também ter um ensino superior é essencial hoje em dia, chega até ser uma necessidade aumentando as chances de emprego”, comentou o jovem.

PROPORÇÃO DA POPULAÇÃO COM NÍVEL SUPERIOR COMPLETO CHEGA A 18,4%

De 2000 a 2022, na população do país com 25 anos ou mais de idade, a proporção de pessoas que tinham nível superior completo cresceu 2,7 vezes: de 6,8% para 18,4%. Nesse período, o percentual de pessoas sem instrução ou sem concluir o ensino fundamental caiu de 63,2% para 35,2%. Além disso, a população nessa faixa etária com nível “Médio completo e superior incompleto” cresceu de 16,3% para 32,2%, enquanto as pessoas com “fundamental completo e médio incompleto” passaram de 12,8% para 14,0%.

“Comparando os resultados de 2022 com operações censitárias anteriores, nota-se que o aumento da proporção de pessoas com nível superior ocorreu para todos os grupos de cor ou raça”, explicou Bruno Perez, um dos analistas do Censo 2022, do IBGE. Em 2000, a proporção da população branca com 25 anos ou mais que tinha nível superior (9,9%) era mais de quatro vezes superior ao verificado na população de cor ou raça parda (2,4%) e preta (2,1%).

De 2000 para 2022, essas proporções se elevaram 2,6 vezes para a população branca (25,8%), 5,2 vezes para as pessoas de cor ou raça parda (12,3%) e 5,8 vezes para a população preta (11,7%). A proporção de pessoas com nível superior é mais alta entre a população amarela: 44,1% tinham nível superior completo, enquanto apenas 17,6% possuíam o nível “sem instrução e fundamental incompleto”.

São Paulo tem 23,3% da população de 25 anos ou mais com nível superior completo

O maior percentual de pessoas com 25 anos ou mais sem instrução e com ensino fundamental incompleto estava entre a população de cor ou raça preta (40,5%) e parda (40,1%). Para a população de cor ou raça branca da mesma faixa etária, a proporção de pessoas sem instrução com ensino fundamental incompleto era de 29,2%.

A população de cor ou raça indígena apresentou o menor nível de instrução. Entre as pessoas de cor ou raça indígena de 25 anos ou mais, apenas 8,6% tinham nível superior completo, enquanto mais da metade (51,8%) não tinham instrução ou possuíam apenas ensino fundamental incompleto.

Desagregando as informações sobre nível de instrução por sexo, nota-se que as mulheres tinham, em 2022, em média, melhor nível de instrução do que os homens. Entre as mulheres com 25 anos ou mais, 20,7% tinham nível superior completo, proporção que entre os homens da mesma faixa etária era de apenas 15,8%. Já a proporção da população com 25 anos ou mais sem instrução e com fundamental incompleto era de 37,3% entre os homens e 33,4% entre as mulheres.

SP EM SEGUNDO

Em 2022, na população de 25 anos ou mais, a Unidade da Federação com a maior proporção de pessoas com nível superior completo foi o Distrito Federal (37,0%), bem adiante da segunda colocada, São Paulo (23,3%). Já a menor proporção estava no Maranhão (11,1%). Os dois estados estavam nas mesmas posições no Censo 2000, quando o Distrito Federal tinha 15,3% da sua população com 25 anos ou mais com nível superior completo, e o Maranhão tinha 1,9%

Em 3.008 municípios, isto é, na maioria dos municípios brasileiros, mais da metade da população tinha o nível de instrução “sem instrução e fundamental incompleto”.      

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