Ao menos 145 pessoas contraem Covid por dia nos cinco municípios da região

Levantamento aponta que cidades já registraram 1.890 casos positivos em janeiro e cinco mortes pela doença

Entre três e 13 de janeiro de 2022, ao menos 145 pessoas contraíram Covid-19 por dia nas cinco cidades da região. E uma morte ocorreu a cada 2,5 dias. Até o último dia 13, Sumaré, Hortolândia, Nova Odessa, Paulínia e Monte Mor registraram ao menos 1.890 novos casos da doença. No período ocorreram cinco mortes. Sumaré registrou 488 casos e três mortes no período; Hortolândia, 113 casos e uma morte; Nova Odessa, 537 casos, sem mortes; Paulínia, 419 casos positivos, sem mortes e Monte Mor, 333 exames positivados e uma morte. As informações foram levantadas a partir de dados das prefeituras e pelos boletins epidemiológicos divulgados nas redes sociais.
Uma conjunção de fatores contribuiu para esse aumento dos infectados na região. Especialista aponta que as causas foram as aglomerações ocorridas nas festas no final do ano, o relaxamento das medidas preventivas, predomínio da variante Ômicron, que é mais transmissível, e uma parcela da população ainda não foi vacinada.
Médico infectologista e professor da Faculdade de Medicina da PUC Campinas, André Giglio, disse que esse aumento do número de casos decorre de fatores combinados. “Tem a questão da variante Ômicron, que entrou no Brasil, provavelmente em dezembro, e foi se espalhando, porque é uma variante muito mais transmissível do que as anteriores. Ela é mais transmissível e com escape imunológico, então ela tem essa capacidade de se dispensar muito facilmente e provocar essa explosão de casos”, disse Giglio.
Outro fator é o relaxamento das medidas de proteção pela população. “É óbvio que tem o fator também do relaxamento das medidas de prevenção, que culminaram com as festas de fim de ano. Com a melhora dos indicadores no ano passado, no segundo semestre, as medidas de prevenção foram sendo cada vez mais negligenciadas pela população em geral. E aí nas festas de fim de ano, com certeza houve muitas aglomerações e a gente está vendo o resultado disso agora”, explicou o médico.
Mesmo que as internações não tenham atingido patamares tão elevados quanto no auge da segunda onda, o médico não descarta essa possibilidade, diante do aumento dos casos. “De fato, não está tendo um aumento de internações e ocorrência de óbitos na mesma proporção que o aumento dos casos e a principal causa disso é a vacinação. Pode até ser que a variante Ômicron não tenha um comportamento tão agressivo como as outras, mas o principal, sem dúvida nenhuma, é a proteção que a maioria das pessoas tem pelas vacinas e algum grau por infecções prévias, já que muita gente no Brasil já se infectou pela Covid em algum momento nos últimos anos. A nossa população já tem anticorpos, seja por vacina seja por infecção natural em uma grande quantidade. Então isso faria com que as infecções fossem mais leves e é o que a gente está vendo”, relatou o infectologista.
O médico não tem observado aumento significativo de internações, mas isso pode acontecer, como ocorreu em outros países, como Estados Unidos, que teve recordes de internações. “Tem que manter atenção e cautela porque pode ocorrer de forma expressiva número de infecções muito grande e não tem como segurar. É pouco provável que a gente fique em uma situação tão ruim como esteve no ano passado, justamente pelo fato de boa parte da população estar vacinada. É muito difícil chegar naquele ponto lá, mas pode ser que ocorra aumento de internações”, disse o médico.

INFECTOLOGISTA DÁ SUGESTÕES PARA CONTER A VARIANTE ÔMICRON
• Proibição de eventos de massa, porque é difícil o controle do uso de máscaras, como shows e festas
• Instituir passaporte de vacina para supermercado e restaurante, para garantir uma segurança maior aos usuários
• Fazer campanhas intensas de comunicação para orientar as pessoas a utilizar máscara de boa qualidade, se possível N 95, principalmente em ambientes fechados
• Retomar investigação, isolamento e monitoramento de pessoas que têm contato com os infectados
• Política de testagem em massa, para que os positivados sejam isolados, bem como aqueles que tiveram contato com eles

Sábado, 15 de Janeiro de 2022

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