Dica de Leitura: Mínimo Múltiplo Comum (Raquel Matsushita)

Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre a autora Raquel Matsushita e sua obra “Mínimo Múltiplo Comum” publicada pela SESI-SP Editora. Raquel Matsushita é designer gráfico, ilustradora e escritora. Sócia do escritório Entrelinha Design, especializou-se nos cursos de “Design gráfico”, “Cor” e “Tipografia” na School of Visual Arts (NY). Premiada com dois jabutis; Image of the book 2020 e 2021 (Bologna Book Fair); Prêmio FNLIJ; Prêmio Literário da Biblioteca Nacional; Prêmio Selo Cátedra PUC/Unesco; entre outros. Escreveu os livros Mínimo Múltiplo Comum (Sesi- -SP Editora), com o qual ganhou o prêmio Image of the book; Fundamentos gráficos para um design consciente (Musa Editora) e sete livros para infância, entre outros que ilustrou.
Vem comigo conhecer um pouco mais sobre essa autora:

Como a literatura entrou em sua vida?
Quando criança, adorava ler quadrinhos. Tinha um baú cheio deles. Os amigos vinham em casa e passávamos a tarde lendo. Não tenho como não associar, com essa lembrança, a leitura ao afeto. Já a adolescência, não foi um período de muita leitura, a não ser os livros exigidos na escola. Penso que é preciso ter cuidado para não transformar a literatura em obrigação, o que mata o desejo. Ainda assim, houveram livros que muito me marcaram, por exemplo, “A bolsa amarela”, da Lygia Bojunga, “O menino no espelho”, do Fernando Sabino. A literatura entrou de maneira mais marcante em minha vida com a escolha da minha profissão. Sou designer gráfico e no primeiro ano da faculdade, por conta de uma disciplina chamada Produção gráfica, decidi que gostaria de fazer livros. Leio todos os livros que faço a capa, além dos livros que me interessam. Ao fazer tantos projetos gráficos dos livros, veio o desejo de escrever as minhas histórias e de ilustrar também.

Você tem alguma rotina para escrever ou escreve quando surge oportunidade?
Não tenho uma rotina fechada para escrever. Sou movida por um incômodo, por um sentimento que quero destrinchar em um texto. Sempre que tenho essa ânsia, corro pro caderno, pro notes ou o que estiver à mão para escrever. Por isso, os textos vão surgindo de tempos em tempos de maneira espontânea. No entanto, percebi que quanto mais escrevo, mais tenho vontade de escrever. E o contrário também acontece. É igual comer açúcar.

Quanto tempo demora para concluir um livro?
Esse tempo é muito relativo. Não penso que deva haver uma obrigatoriedade em relação à isso. É o tempo de cada semente e ele deve ser respeitado. O “Mínimo multiplo comum”, por exemplo, demorou entre escritas e reescritas dois anos. E depois mais 6 meses para encontrar o caminho e a produção das imagens, que são gravuras.

As histórias “se escrevem” sozinhas ou você pensa na trama inteira?
Penso na trama inteira. Quando sento para escrever, sei o que quero dizer. Também já tenho os personagens em minha cabeça. Mas não significa que o texto escrito de primeira seja o final. Muitas vezes escrevo uma primeira versão e depois altero parágrafos inteiros de lugar. Gosto dessa liberdade de recortar o texto e mudar a estrutura toda. O número de versões de um mesmo texto depende também. Alguns nascem mais prontos do que outros.

De onde vem a inspiração?
Geralmente a inspiração vem de sentimentos que transbordam, que não cabem em mim, que me dóem ou que me alegram. Ou mesmo que me perturbam e sinto a necessidade de mexer na ferida. Tento ampliar essa condição individual para além de mim, na direção do encontro com o leitor.

Quais são seus livros e autores/autoras favoritos?
Gosto de livros que tratam dos sentimentos, das relações humanas, das contradições, das pequenas coisas que são enormes. Difícil dizer todos, mas alguns que me saltam de imediato são Lygia Fagundes Telles, João Carrascoza, Lionel Shriver, Rosa Montero, Jorge Miguel Marinho, Shell Silverstein. Uma recente que conheci, porque fiz a capa e simplesmente adorei, foi a Renata Belmonte, “Mundos de uma noite só”. Adoro ler os contemporâneos.

Tem planos para livros futuros?
Sim, sempre penso no próximo projeto depois de um descanso do anterior. Preciso desse intervalo em branco para me desligar e recarregar. A gente vive em constante transformação, por isso acho que a vontade de criar nunca se esgota.

RESENHA
Não estava esperando a força da narrativa de Raquel quando iniciei a leitura de seu livro. Com o belíssimo conto Voo do Besouro, embora já tivesse ali alguns indícios do que viria, imaginei uma leitura gostosa que trariam descrições de pequenos momentos cotidianos que nem sempre nos atentamos ou não deitamos nosso olhar por conta da correria do dia a dia. Por fim, é exatamente isso, mas os pequenos recortes de cotidiano que Raquel nos apresenta, não é tão bonito quanto imaginei que seria, e sim, extremamente profundo, poético, arrebatador e em alguns momentos, angustiante. A vida como ela é.
Pra quem me conhece, sabe que é exatamente o tipo de leitura que me agrada e eu fiquei extasiada lendo as palavras dessa autora que se mostrou extremamente habilidosa em abordar assuntos terríveis, mas necessários. E encontramos de tudo nos contos desse livro pequeno, mas de impacto tão grande. É impossível não sair de dentro dessa leitura marcado por alguma passagem, ou refletindo conceitos. Uma experiência literária cortante, seca e essencial.
A narrativa de Raquel torna tudo poético na medida certa, com desfechos que as vezes são socos no estômago e as vezes, uma brisa balançando os cabelos. O título abarca perfeitamente o que seus textos são: pequenos recortes da vida em sua mais bela diversidade cotidiana. Destaco alguns, embora todos sejam maravilhosos, que me deixaram realmente impressionada com a qualidade narrativa e me tocaram profundamente: O Voo do Besouro, Forca, Príncipe (com uma personagem com meu nome), A Noiva, Meu Melhor Amigo e Certezas.
Super recomendo a leitura!!

SOBRE A AUTORA:
Site: www.entrelinha.art.br
Blog: www.entrelinhadesign.wordpress.com
Instagram: @raquel_matsushita

EVELYN RUANI
Bibliotecária da Rede Sesi-SP e leitora compulsiva.
Apaixonada por livros e palavras.

SERVIÇO
Blog: http://blogentreaspas.com
Instagram: @blog_entreaspas
E-mail: entreaspasb@gmail.com

Domingo, 10 de Outubro de 2021

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