Hortolândia faz busca ativa para evitar evasão escolar de alunos

Medida integra Secretarias de Educação, Inclusão Social e Saúde para retorno à rotina pós-pandemia

Três secretarias de Hortolândia uniram forças para evitar a evasão escolar de anos, depois de quase um ano e meio sem atividades presenciais nas escolas em razão da pandemia do novo Coronavírus. Está sendo feita uma busca ativa para garantir a presença e a volta à rotina.
No município, 59 unidades da rede municipal de ensino paralisaram as atividades presenciais. Agora, a intenção é manter o vínculo aluno-escola.
Equipes de trabalho das secretarias de Educação, Inclusão Social e Saúde fazem busca ativa para prevenir e enfrentar a chamada evasão escolar, situação em que o aluno abandona a escola. A ação em andamento é a chamada “busca ativa”.
O trabalho de busca ativa é rotineiro na Educação e precede a pandemia. Ele se torna ainda mais relevante agora que a rede municipal se prepara para o retorno presencial às atividades, no dia 15 de setembro.
No entanto, a ação tem sido reforçada. Uma comissão, formada por profissionais das secretarias de Educação, Ciência e Tecnologia; de Inclusão e Desenvolvimento Social; e de Saúde, reúne-se periodicamente para unir esforços e integrar políticas públicas, garantindo que os alunos sejam atendidos plenamente nas escolas municipais. Atualmente, a rede atende a cerca de 26 mil estudantes, em 59 unidades próprias e 39 contratadas por meio do Programa Bolsa Escola.

REDES SOCIAIS
Tudo começa, no âmbito da Educação, com o controle de frequência dos alunos pelos professores. Diante de faltas consecutivas e sem justificativa, o professor informa ao gestor escolar, que entra em contato com a família por telefone, chamadas por WhatsApp e até redes sociais. Se as buscas iniciais são infrutíferas, então o gestor encaminha ao supervisor educacional uma convocação para que os pais ou responsáveis compareçam à escola com data e horário marcados. Neste caso, a equipe do transporte escolar leva o supervisor até a residência do aluno ausente.
Esgotadas todas as tentativas, chega a hora de a equipe das demais secretarias parceiras atuar. O relatório do caso é encaminhado à assistente social da região que, juntamente com profissionais da Saúde e do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) locais, faz buscas intersetoriais desses alunos e de suas famílias, a partir dos cadastros existentes nesses setores da Administração Municipal. Se, mesmo assim, os esforços são insuficientes, os casos são encaminhados ao Conselho Tutelar.
Outro parceiro importante é a própria comunidade. No Conjunto Habitacional Novo Estrela 2, a síndica Solange Pereira Cardozo é mãe de Rebecca, aluna da Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) Novo Estrela. A responsável pela criança já passou pela experiência de “ser buscada”. Hoje, Sol, como é conhecida, sente-se gratificada em participar do esforço, atuando em conjunto com a coordenadora da escola, Alessandra Ramirez.
“Acredito que a busca ativa é a oportunidade e a chance de mantermos mais crianças nas escolas e, com isso, entendermos a dificuldade de cada família. Aqui, além da busca ativa, houve a busca em conjunto, um lindo trabalho em equipe, escola e comunidade. Sou grata em fazer parte dessa busca! A educação abre caminho e transforma vidas! Talvez, de primeiro, alguns pais não entendam esta busca ativa, mas, com o decorrer do ano, vão entendendo que o ano e o aprendizado das crianças não foi comprometido 100% e valorizam o trabalho dos professores”, afirmou Sol, via assessoria.
Na avaliação da secretária-adjunta de Educação, Ciência e Tecnologia, Roberta Diniz, o trabalho conjunto entre várias secretarias vem para reforçar tarefas importantes já feitas por profissionais da Educação. “O objetivo da Prefeitura é cuidar de todas as crianças da nossa rede de educação. O trabalho agora é em conjunto com outros setores que também fazem o atendimento dos alunos para nos fortalecer enquanto rede de proteção. A gente sabe que as aulas presenciais estão previstas para o dia 15 de setembro, mas essa é uma ação permanente que faz parte do nosso trabalho enquanto profissionais”, afirma a gestora.
Já para a Secretaria de Inclusão e Desenvolvimento Social, a integração das políticas públicas é muito relevante e beneficia a população, pois representa uma soma de esforços para um bem maior. “Nesses encontros da comissão intersetorial, a gente está conhecendo as pessoas, quem atua na localidade. Isso permite integrar as políticas públicas, conhecer os atores e ficar atento a essa demanda que está fora da escola e se perdeu ao longo desse período de pandemia. Algumas pessoas perderam o emprego, o local de moradia, foram para outros lugares. Precisamos estar atentos a isso”, explica a diretora de Inclusão Social, Edineia Prado da Costa.

VIRTUAL
Desde março de 2020, foi criado um ambiente virtual que disponibiliza conteúdos e atividades, o Espaço Educação na Rede; também foi distribuído material impresso àqueles que não tinham equipamento ou acesso à rede mundial de computadores.
O Unicef (Fundo das Nações Unidas pela Infância) estima que, em 2020, cerca de 4,1 milhões de crianças e adolescentes de seis a 17 anos tiveram dificuldade de acesso ao ensino remoto. Os dados estão disponíveis na pesquisa “Enfrentamento da cultura do fracasso escolar”, publicado em janeiro de 2021 pela entidade. Na esfera do município, os dados ainda estão sendo mapeados pela comissão.

Domingo, 29 de Agosto de 2021

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