Dica de Leitura: Para Sempre Vou te Amar (Catherine Ryan Heyes)

PARA SEMPRE VOU TE AMAR É UMA HISTÓRIA DE AMOR, MAS SE VOCÊ ESTÁ ESPERANDO AMOR ROMÂNTICO ENTRE CASAL, VAI SE SURPREENDER COM O AMOR SOB MUITAS FORMAS!

Mais uma vez a narrativa de Catherine Ryan Hyde me conquistou já nas primeiras páginas. Personagens muito bem construídos, o cenário arrebatador das montanhas e um enredo muito bem elaborado.
“Quando você cuida de alguém, tem que amar essa criatura como ela é. Não tem que tentar mudá-la”.
O livro é escrito em primeira pessoa, pela Angie, uma adolescente de apenas 14 anos contando como é a sua vida cuidando de uma irmã mais nova com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e uma mãe que não sabe como resolver as coisas, já que foi abandona pelo pai da menina quando descobriu que ela seria um problema. Sophie, a irmã mais nova, grita por horas sem “motivo aparente” até perder a voz e ficar rouca, isso faz com que elas acabem sendo expulsas de todos os lugares que tentam morar.
“A história da minha vida em duas frases:
Preciso de tempo para digerir tudo isso.
Não terei esse tempo”.

Nesse cenário terrível, Angie é a voz da razão e a responsável da família, porém este não é o seu lugar e ela sofre bastante com isso ao longo da narrativa, tentando deixar para a mãe a responsabilidade que lhe é de dever e direito. A narrativa começa com elas acabando de se mudar para a casa da Tia de Angie que está sofrendo luto pela morte do marido e não consegue demonstrar muita compaixão pela situação da pequena Sophie, irritando-se quando percebe que não há muito que ser feito em relação aos gritos.
“Sinto muito por tudo isso”, falei.
Ela sorriu daquele jeito triste.
“Eu sinto muito mais por você. Nunca vai poder se afastar de tudo isso como eu posso. Não pode só dizer pra mim chega”.
A vida de todos muda, quando num passeio pelo quintal, Sophie se depara com o cachorro do vizinho, um senhor bastante carrancudo que está prestes a se aposentar e que não quer complicações pra sua vida. O Dog Alemão parece acalmar os gritos da menina que fica em silêncio absoluto enquanto ele está por perto. A conexão dos dois é instantânea. O problema é que Paul se aposenta e decide se mudar para as montanhas, fazendo os gritos retornarem e a família ser expulsa da casa da tia.
“Abri a boca para dizer que eu não podia fazer nada. Que ela não tinha que me pedir para resolver as coisas. Estava arrasada, sem ideias. Quase chorando. Com frio, molhada, sem casa. Tinha 14 anos. Não era mãe de ninguém”.
Eu não consigo nem enumerar o tanto de assuntos sérios e importantes que esse livro aborda de forma bem trabalhada pela narrativa da autora. Temos abandono parental, negligência, homossexualidade e representatividade LGBTQI+, TEA, relações humanas abaladas e muito mais. Todos esses assuntos chegam até nós pelo olhar atento de Angie que demonstra ter amadurecido muito cedo por conta de todas as dificuldades em sua vida, e talvez por isso, alguns deles não tenham sido tão aprofundados pela autora como gostaríamos, já que nos envolvemos demais com essa história maravilhosa.
“Algumas partes de mim que mais gosto são exatamente aquelas que você não entende. Não quero te magoar. Não estou brava. Também queria que a gente se entendesse melhor. Mas não vou mudar o que tenho de melhor só porque você não me entende”.
As descrições de algumas cenas me arrancaram lágrimas dos olhos, a ligação de Sophie e Angie com Rugby é muito bem trabalhada, embora ficamos no escuro em relação ao que Sophie sente ao lado do animal e como essa relação realmente acontece. Os diálogos entre os personagens e a construção das relações entre eles é fantástica e é impossível não se apaixonar.
“Algumas pessoas nunca fazem nada porque sentem medo do fim daquilo que fariam. Ficam paralisadas por saber que nada é eterno. E existem as pessoas corajosas que fazem todo tipo de coisa, do jeito que der. Mesmo que nenhuma delas dure para sempre. Quero ser uma dessas pessoas”.
Mais uma vez me sinto arrebatada pela narrativa de Catherine Ryan Hyde e por uma história que demonstra a força do amor sob todas as suas formas e os laços que podem ser criados e fortalecidos e que nem sempre são sanguíneos. É aquele tipo de livro e leitura que nos acompanham na lembrança e no coração por muito tempo.
Super recomendo a leitura!
Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo e-mail!! Boa semana e ótimas leituras!!

SOBRE A AUTORA
Catherine Ryan Hyde é autora de mais de 30 livros. Em suas inúmeras viagens, fez trilhas por Yosemite e pelo Grand Canyon, escalou o Monte Katahdin, viajou pelo Himalaia e percorreu a Trilha Inca de Machu Picchu. Para documentar as experiências, Catherine tira fotos e grava vídeos que compartilha com seus leitores e amigos na internet. Um dos seus livros de maior sucesso é Pay It Forward, que inspirou o filme A Corrente do Bem (2000) e a levou a fundar e presidir (entre 2000 e 2009) a Pay It Forward Foundation. Como oradora pública profissional, já palestrou na National Conference of Education, falou duas vezes na Cornell University, se reuniu com membros da AmeriCorps na Casa Branca e dividiu um palco com Bill Clinton. Mora na Califórnia, escreve com regularidade em seu blog e divide seus dias com Jordan, Ella e Soul, seus animais de estimação. Saiba mais em catherineryanhyde.com.

EVELYN RUANI
Bibliotecária da Rede Sesi-SP e leitora compulsiva.
Apaixonada por livros e palavras.

SERVIÇO
Blog: http://blogentreaspas.com
Instagram: @blog_entreaspas
E-mail: entreaspasb@gmail.com

Domingo, 15 de Agosto de 2021

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