População da região chegará a 881.039 habitantes em 2050, aponta estudo

Juntos, municípios apresentarão crescimento populacional de 19,68%, índice superior aos ritmos regional e paulista

A população dos municípios que compõem a área de cobertura do Tribuna Liberal (Sumaré, Nova Odessa, Hortolândia, Monte Mor e Paulínia) atingirá 881.039 habitantes em 2050, um aumento de 19,68% em relação aos 736.170 atuais, segundo estudo divulgado, nesta semana, pela Fundação Seade.
O economista Ricardo Buso, autor do Projeto Economia Metropolitana, compilou os dados do estudo referentes às cidades que formam a ATL (Área de Cobertura do Tribuna Liberal). A Fundação Seade realizou a projeção em todo o Estado de São Paulo.
Buso constatou que os municípios da ATL apresentarão crescimento populacional consolidado significativamente superior aos ritmos regional e paulista.
De acordo com o economista, enquanto se prevê variação média de 5,74% no período (0,19% ao ano), para o Estado, e de 8,91% (0,28% ao ano), na Região Metropolitana de Campinas, a ATL deve registrar 19,68% no período, equivalente à média de 0,60% ao ano.
“Isso significa que a população somada deve saltar de 736.170 habitantes, em 2020, para 881.039 em 2050”, contabiliza o economista.
Buso aponta que a área ATL está no auge do movimento de crescimento. “Como também podemos conferir no gráfico de índices, que coloca todas as divisões administrativas na mesma base populacional (100 em 2020), no atual quinquênio 2020-25, o bloco cresce ao ritmo médio de 1,31% ao ano, contra 0,85% da RMC e 0,57% do Estado”, explica.
O economista observa que enquanto a RMC e o Estado já exibem taxas negativas na projeção do crescimento populacional do último decêndio (2040- 50), a ATL ainda cresce cerca de 0,12% ao ano.
O estudo da Fundação Seade mostra dinâmicas bastante diferenciadas de cada município, com suas particularidades. Enquanto Monte Mor registra a maior projeção de crescimento entre 2020 e 2050, de 28,78% (0,85% ao ano), a menor estimativa fica para Nova Odessa, com expectativa de variação de 7,00% no mesmo período, equivalente à média de 0,23% ao ano.
A exemplo da dinâmica do Estado e da RMC, o município de Nova Odessa apresenta taxas negativas de crescimento populacional no último decêndio da análise (2040-2050), de 1,67%, equivalente à média de 0,17% ao ano.
A desaceleração maior também chega a Sumaré, cuja evolução apresenta estabilidade (zero) no último quinquênio, de 2045 a 2050. (Veja gráfico ao lado).
Para os demais municípios, Hortolândia, Monte Mor e Paulínia, apesar das taxas declinantes, o crescimento persiste, afirma Buso.

Municípios precisam se planejar para garantir qualidade de vida
Buso alerta que o bom planejamento dos municípios é imprescindível para enfrentar mudanças demográficas acentuadas, como as previstas pelo estudo da Fundação Seade.
“Instrumentos como Plano Diretor, Plano Plurianual, dentre tantos outros, valerão cada vez mais. Uma infinidade de aspectos precisa ser estudada e debatida permanentemente para o contexto: taxa de urbanização, disponibilidade hídrica, ocupação de solo, meio ambiente, mobilidade urbana, saúde, segurança, demandas sociais, etc. Já a atualização das vocações econômicas locais será primordial para pensar em emprego e sustento”, analisa Buso.
“Caberá avaliar, por exemplo, se se investe hoje em novas vias pavimentadas para hegemonia do “rei automóvel” e consequente criação de eternas despesas com manutenção viária; ou se o investimento será em mobilidade alternativa e eficiente, que poupa recursos para aplicar em demandas sociais da crescente terceira idade, cuja tendência é a limitação de renda frente ao aumento de gastos. Questões assim são capazes de determinar o quão inclusiva será a cidade do futuro”, alerta o especialista.

Nova Odessa crescerá menos porque tem mais idosos hoje
Buso explica que tamanhas diferenças entre as dinâmicas dos municípios se relacionam também com a atual configuração de pirâmide etária (de idade) de cada cidade.
Bom exemplo disso, cita o economista, é o município de Nova Odessa. A cidade apresenta a menor taxa de crescimento justamente por contar, atualmente, com a população mais envelhecida do grupo.
O grupo de moradores com mais de 75 anos representa 3,20% da população local, realidade que acarreta na redução da natalidade.
O estudo mostra que até 2050, ao longo do tempo, a parcela maior de 75 anos de idade, que hoje representa a discreta fatia de 2,39% da população somada do bloco de cidades da ATL, saltará para o patamar de 9,01%.
O levantamento da Fundação Seade também prevê que Nova Odessa se manterá na dianteira do bloco de representação da terceira idade em 2050, com 10,80% da população acima de 75 anos.
A menor taxa deve ser registrada em Monte Mor, a cidade cuja população mais velha crescerá, com 7,70%. (veja quadro ao lado).

Domingo, 15 de Agosto de 2021

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