Produção industrial cresce 36% na região, mas crise hídrica ameaça indústrias

Sondagem feita pelo Ciesp-Campinas também aponta alta de 52% no faturamento das empresas em junho

O volume de produção e o faturamento das indústrias cresceram 36% e 52%, respectivamente em junho, na comparação com o mês passado. É o que aponta a Sondagem Industrial divulgada na última terça-feira (22) pela Regional Campinas do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). A pesquisa também mostra que a preocupação com a escassez hídrica entrou no radar das fábricas da região.
De acordo com a sondagem, feita junto a empresas associadas ao Ciesp, outros indicadores, como número de funcionários e níveis de inadimplência e endividamento das indústrias se mantiveram relativamente inalterados em relação ao levantamento anterior. O nível de utilização da capacidade instalada, na faixa entre 50,1% e 80%, aumentou em relação ao mês anterior, para 64% das indústrias consultadas.
A chegada da estiagem e o baixo volume de chuvas registrado na região de Campinas e no Estado de São Paulo são motivos de preocupação para 88% das empresas ouvidas. Na sondagem do Ciesp-Campinas, 36% das empresas se manifestaram ‘muito preocupadas com os seus reflexos na atividade industrial e possível aumento nos custos’, enquanto 52% delas se disseram ‘pouco preocupadas’ e apenas 12% responderam ‘não ter preocupação’.
O vice-diretor da Regional Campinas do Ciesp, José Henrique Toledo Corrêa, avaliou que a preocupação existe com “a falta de água e de energia, que pode repercutir na atividade industrial, embora as indústrias, a partir da última crise energética, passaram a adotar diversas medidas para redução de consumo e outras alternativas, como o reúso da água nas suas atividades produtivas”. Corrêa destacou a possibilidade de realização de campanhas para redução do uso da água, medida adotada no passado pela entidade, quando a escassez de água também ameaçou a produção industrial.
Para o vice-diretor do Ciesp-Campinas, os indicadores de junho tendem a se manter nos próximos meses, também por conta do aumento da vacinação da população contra a Covid-19. Por outro lado, os custos das matérias-primas se mantêm elevados – aumentaram para 81% das empresas, em relação ao mês anterior. Já os custos de energia, água e transporte subiram na avaliação de 57% delas.

MERCADO EXTERNO
O Ciesp-Campinas também apresentou números da balança comercial regional. No mês passado, o valor exportado foi de US$ 235,7 milhões – 31,2% maior que em maio de 2020. Já as importações no mesmo mês foram de US$ 990,3 milhões – 43,3% superiores em relação a maio do ano passado. O saldo em maio deste ano foi negativo em US$ 754,6 milhões – 47,6% maior do que o registrado em maio de 2020.
A corrente de comércio exterior regional (a soma das exportações e importações) em maio de 2021 foi de US$ 1,226 bilhão – 40,8% maior que no mesmo mês do ano passado.
No mês passado, os principais municípios exportadores da Regional Campinas do Ciesp foram, pela ordem, Campinas, Paulínia, Sumaré, Mogi Guaçu e Santo Antônio de Posse. Já os municípios que mais importaram foram: Paulínia, Campinas, Jaguariúna, Hortolândia e Sumaré.
O Ciesp-Campinas conta com 494 empresas associadas, distribuídas em 19 municípios da região. O faturamento conjunto das empresas associadas é de R$ 41,52 bilhões ao ano. Juntas, essas empresas empregam 98.894 colaboradores, segundo a entidade.

Domingo, 27 de Junho de 2021

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