Exportações caem e região acumula saldo negativo de US$ 1,86 bi em 2021

Foram mais de US$ 2,36 bi em importações entre janeiro e maio, contra US$ 499,68 mi em 2020; compras aumentaram 10,24%

As exportações registraram queda de 0,78% e as importações cresceram 10,24% na região, nos primeiros cinco meses de 2021. Os números são do Comex Stat, banco de dados do comércio exterior brasileiro, vinculado ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. O desequilíbrio da balança comercial, na ordem de US$ 1,86 bilhão (R$ 9,5 bilhões), foi provocado pela redução da demanda mundial em função da pandemia e a necessidade de compra externa de insumos para produção.
De acordo com informações disponibilizadas no balanço, atualizado no início deste mês pelo governo federal, as empresas de Hortolândia, Monte Mor, Nova Odessa, Paulínia e Sumaré exportaram US$ 499.68 milhões (R$ 2,54 bilhões) entre janeiro e maio deste ano, contra US$ 503,6 mi (R$ 2,56 bi) no mesmo período de 2020. Já o total em importações subiu de US$ 2,14 bilhões (R$ 10,9 bi) para 2,36 bi (R$ 12 bilhões).
Para o economista Rogério Araújo, o mercado regional ainda sente os efeitos da desaceleração mundial. “Um dos fatores responsáveis pela queda da exportação na região é que a indústria local também está sentindo os reflexos e o impacto da falta de demanda mundial pelos produtos industriais. Não há procura e, sem procura, não há crescimento. A região sofre com a falta de procura pelos produtos acabados. E essa queda não foi apenas na região, o Brasil sofreu uma queda de 26% nas exportações, segundo dados do Ipea [Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas]”, explica Araújo, que é gestor, consultor financeiro, especialista em investimentos e fundador da Roar Educacional Consultoria.
Entre as cidades da região, Nova Odessa é a que apresenta o maior crescimento nos montantes de exportação e importação, com aumentos de 44,45% e 45,6% nas exportações e importações, respectivamente. “Nova Odessa tem uma indústria mais equilibrada, que se adapta muito bem ao mercado interno. A atividade industrial é mais ampla. Embora sejam indústrias menores, elas são mais diversificadas em suas atividades, o que explica este equilíbrio entre as importações e exportações”, analisa o economista.
Em Hortolândia, Sumaré e Paulínia, a diferença entre exportações e importações foi grande. As empresas hortolandenses exportaram US$ 26,27 milhões (R$ 133,97 milhões) e importaram US$ 386,47 mi (R$ 1,97 bilhão), diferença de US$ 360,2 milhões (R$ 1,83 bi); as de Sumaré venderam US$ 140,32 mi (R$ 715,63 mi) e compraram US$ 469,54 mi (R$ 2,39 bilhões), saldo negativo de US$ 329,22 milhões (R$ 1,68 bi); enquanto as indústrias de Paulínia exportaram US$ 270,66 milhões (R$ 1,38 bi) e importaram US$ 1,41 bilhão (R$ 7,2 bilhões) nos primeiros cinco meses deste ano, com saldo de US$ 1,14 bi (R$ 5,8 bi) em importações.
“De maneira geral, o aumento das importações nestas cidades mostra que as indústrias têm importado insumos para a produção de produtos que não têm a exportação como destino principal. A indústria têxtil precisa de insumos químicos para a sua produção e estes produtos estão mais caros. Mas, na hora de exportar, as indústrias não conseguem repassar estes custos”, avalia Rogério Araújo.
O economista destaca um cenário peculiar em Paulínia, onde as exportações caíram 12,8% este ano. “Paulínia tem uma situação bem diferente de Nova Odessa. Paulínia exportou menos porque houve menos demanda por óleo diesel, nafta e derivados de petróleo”, diz ele, referindo-se ao peso da Replan (Refinaria de Paulínia), maior unidade de refino da Petrobras, na economia local.
No entanto, com o avanço da vacinação pelo mundo, o economista prevê o aquecimento do mercado externo no segundo semestre. O aumento da importação no primeiro trimestre pode refletir em uma aceleração maior da exportação no segundo trimestre. No primeiro trimestre houve uma desaceleração das exportações e uma importação maior dos insumos para compor o produto final. Com isso, poderemos ter uma aceleração agora no segundo e no terceiro trimestre, principalmente com a retomada da Europa e dos Estados Unidos”, conclui Rogério Araújo.

Domingo, 13 de Junho de 2021

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