Adoções caem até 95% na região em 2020 por conta da pandemia

Maior queda foi registrada em Hortolândia; Monte Mor (75%), Nova Odessa (60% ) e Sumaré (43,5%) também tiveram redução

Após vencer o câncer de mama, Taise Rey Monte, de 35 anos, e o marido Renato decidiram adotar uma criança. O cadastro online, primeiro passo de um processo que pode durar até oito anos, foi feito em 20 de março do ano passado. Aí, veio a pandemia e o formulário eletrônico ficou parado. Taise só conseguiu retomar o processo na última quinta (27). Situações como essa provocaram a queda de até 95,2% no número de adoções na região, em 2020. Na média, a redução foi de 66%. Os dados são do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), divulgados na última terça (25), Dia Nacional da Adoção, a pedido do jornal Tribuna Liberal.
Foram apenas 18 adoções efetivadas em 2020, nas cidades da área de cobertura do Tribuna Liberal, ante 53 registradas no ano anterior. A maior queda foi verificada em Hortolândia. O município, que havia registrado 21 processos concluídos em 2019, finalizou apenas um no primeiro ano de ataque do novo coronavírus, redução de 95,2%. A diminuição foi de 75% em Monte Mor, de quatro a uma adoção; de 60% em Nova Odessa, de cinco para duas; 43,5% em Sumaré, de 23 para 13. A única alta ocorreu em Paulínia, que teve uma adoção no ano passado, contra nenhuma em 2019.
Embora ainda esteja em uma fase preliminar à fila de adoção, Taise teve o processo retardado pela Covid-19. “Nosso processo ficou mais de um ano parado. Fizemos o cadastro online, aí começou a pandemia, fechou tudo e não conseguimos mais dar andamento e ter informações sobre como proceder diante da situação”, desabafa a assessora de eventos que mora em Nova Odessa.
Na última quinta, no entanto, mais de 14 meses depois do cadastro, ela foi ao Fórum de Nova Odessa e conseguiu retomar o sonho de ser mãe. “Agora, terei de reunir todos os passos, que é a apresentação de toda documentação, entrevista com assistente social, curso de preparação para adoção, obter autorização da Justiça para só depois entrar na fila”, explica a assessora, que espera uma criança de zero a 6 anos e aceita um irmão.
Valdinete e Ademir Nocheli, também de Nova Odessa, estão casados há 17 anos e decidiram aumentar a família em 2013. “Quando decidimos ter filhos, descobri que tinha endometriose, uma doença que causa infertilidade. Daí, entramos com o processo de adoção achando que seria fácil, mas passamos por muitas fases no processo e a burocracia é muito grande. Estamos há sete anos esperando pelo nosso filho ou filha e até hoje não tivemos nem um chamado”, relata a auxiliar de expedição de 40 anos, que espera uma criança de até 5 anos. “Eles alegam que não tem crianças com essa idade”.
Para o casal Cícero e Renata Edno, as coisas estão acontecendo com relativa rapidez. “No nosso caso, a autorização da Justiça foi rápida. Nós entramos no curso no final de 2019; logo depois, recebemos a visita da assistente social, falamos com a psicóloga em seguida e já foi aprovado”, revela o ator, cantor e escritor novaodessense de 41 anos.
Atentos a tudo que acontece no universo da adoção, Cícero e Renata não acreditam que a pandemia tenha atrasado o processo deles. “O que tem dificultado para algumas famílias é quando já tinha encontrado a criança e não dá para fazer o encontro presencial, adaptativo (etapa final da adoção). No nosso caso, é difícil saber se já havia uma criança no nosso perfil. Além disso, nós aceitaríamos se tivesse que fazer adaptação virtual”, afirma. Eles também aceitam irmãos, sendo um menor de até 2 anos e o outro de 6.
O casal está consciente de que o processo pode se estender por anos. “A espera é como uma gravidez, que demora um pouco. O teste positivo nós já tivemos, que foi a autorização da Justiça. Estamos com os corações calmos”, conclui o artista.

BRASIL
No país, a redução do número de adoções no ano passado foi de 20%. De acordo com o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o fechamento de fóruns e a suspensão de rotinas que fazem parte da adoção, como visitas de assistentes sociais, não puderam ser realizadas, prejudicando processos em andamento.

Valdinete e Ademir: “Estamos há sete anos esperando pelo nosso filho ou filha e até hoje não tivemos nem um chamado”

Renata e Cícero: “A espera é como uma gravidez, que demora um pouco. O teste positivo nós já tivemos, que foi a autorização da Justiça”

Domingo, 30 de Maio de 2021

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