Sumaré tem uma agência dos Correios para cada 143,1 mil habitantes

Município tem as piores condições de acesso ao serviço, entre as 20 cidades da Região Metropolitana de Campinas

Quem passa pela agência dos Correios no Centro de Sumaré, na esquina das ruas José Maria Miranda e Ipiranga, se acostumou a ver uma longa fila na calçada. As pessoas chegam a esperar até duas horas para despachar uma encomenda e, na maioria das vezes, não respeitam o distanciamento mínimo recomendado para evitar a transmissão de Covid-19. A situação é reflexo do fechamento de agências na cidade nos últimos três anos. Um levantamento feito pelo jornal Tribuna Liberal aponta que o município tem a pior cobertura do serviço entre as cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas), com uma unidade de atendimento para cada 143,1 mil habitantes.
Sumaré possui outras duas agências: uma na região do Matão e outra em Nova Veneza. A Agência Orquídea, localizada na Avenida Minasa, foi reaberta há três meses, após meses fechada por conta da pandemia. A unidade de Nova Veneza segue com atendimento temporariamente suspenso, conforme protocolos preventivos adotados pelos Correios.
Em 2018, a unidade que operava na Avenida Rebouças foi uma das 41 agências fechadas pela estatal em 15 estados brasileiros, dentro de um processo de remodelagem da rede de atendimento que prometia a substituição gradativa de unidades convencionais “por soluções diferenciadas e mais adequadas às necessidades dos clientes”. Porém, a medida até hoje não saiu do papel. Em 2019, outros 161 postos encerraram as atividades no Brasil e, em março deste ano, os Correios anunciaram o fechamento de mais 250 unidades em todo país, para tentar estancar um prejuízo que gira em torno de R$ 2 bilhões. Enquanto a privatização – aposta do governo – não sai, a população sofre, enfrentando filas e colocando a saúde em risco, em um dos piores momentos desde o início da pandemia.
A empresária Tamiris Romantini, proprietária de uma imobiliária em Sumaré, já se habituou a enfrentar filas de uma ou duas horas para despachar contratos para clientes, na agência do Centro. Ela lamenta o fechamento da unidade da Rebouças, que absorvia parte da demanda da região central da cidade, e a precariedade do serviço prestado atualmente no município. “Uma cidade do porte de Sumaré ter apenas duas agências em funcionamento, sendo uma só no Centro, é muito complicado”, avaliou a empresária.
Tamiris destacou o papel estratégico dos Correios na economia, ampliado exponencialmente pela pandemia. “É notório que, desde o ano passado, cresceu muito o número de pessoas que têm recorrido ao serviço de postagem para ampliar ou manter seus negócios. Nesse momento, o atendimento não poderia estar ocorrendo desta forma”, comentou a empresária, após uma hora na fila. Tamiris enfrenta o problema a cada duas semanas.
O enfermeiro Adalberto Barros lamentou o tempo perdido e o desrespeito ao distanciamento na fila de quase 50 metros formada na calçada da Rua José Maria Miranda. “Existe uma lei federal que diz que o cidadão não pode ficar mais de 15 minutos na fila do banco, mas ninguém se refere aos Correios. O governo federal precisa olhar para esse serviço com mais carinho, pois o atendimento deixa muito a desejar”, opinou o servidor estadual, enquanto esperava para enviar uma encomenda, em um dos últimos lugares da fila.

PRIVATIZAÇÃO
Barros não soube dizer se a privatização é o caminho para a melhoria do serviço. “É difícil afirmar se vai funcionar com os Correios. Quando a gente analisa as rodovias de São Paulo, por exemplo, é evidente que deu certo, mas não dá para cravar que nesse tipo de atividade vai dar”, avaliou o enfermeiro.
Já o aposentado Antônio Martins pensa diferente. “Tem que privatizar tudo. Você vai ver como melhora. O governo não tem condições de cuidar dessas coisas. É preciso deixar todos os serviços nas mãos da iniciativa privada”, disse ele.

HORÁRIO AMPLIADO
Questionados sobre a precariedade no atendimento em Sumaré, os Correios informaram que, para otimizar o atendimento, o horário de funcionamento da agência do Centro foi ampliado – hoje é das 9h às 16h. Além das duas unidades disponíveis no município, a estatal sugeriu o uso dos postos da vizinha Hortolândia.
“Os Correios esclarecem que, para a proteção de empregados e clientes, a empresa realiza o controle do fluxo de atendimento nas unidades, com a demarcação de espaço para respeitar o distanciamento recomendado. Além disso, os clientes são orientados a aguardar do lado de fora da unidade, mantendo distanciamento, para não ocorrer aglomerações dentro da agência”, explicou a estatal.

Domingo, 23 de Maio de 2021

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