Paulínia é a 5ª cidade do Sudeste em emissão de gases de efeito estufa

Cidade que abriga a Replan, maior refinaria da Petrobras, Paulínia ocupa o quinto lugar no ranking dos municípios da região Sudeste que mais emitem gases de efeito estufa. A informação consta na primeira edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa) Municípios, uma iniciativa do Observatório do Clima.
Com mais de 3,7 milhões de toneladas de CO2e (dióxido de carbono equivalente) liberadas em 2018, o município ficou atrás apenas de São Paulo, com 17,9 milhões; Rio de Janeiro, 11,8 milhões; Serra (ES), 11,5 milhões; e Duque de Caxias (RJ), com 5,4 milhões de toneladas emitidas. Em Paulínia, mais de 90% das emissões são provenientes do setor de energia.
Além de Paulínia, outro município da RMC (Região Metropolitana de Campinas) que aparece na lista dos 15 maiores emissores da região Sudeste é Campinas. A cidade está na 13ª posição, com 2,4 milhões de toneladas de gases liberadas no ano-base do estudo.
Segundo o SEEG, um dos principais fatores na conta das emissões no Sudeste – formado pelos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo – é o refino e o processamento de petróleo para a produção de diesel e gasolina, além de outros derivados, concentrada em municípios como Paulínia e São José dos Campos, no interior de São Paulo.
Em novembro de 2020, a Replan (Refinaria de Paulínia), a maior da Petrobras, registrou novo recorde no volume de petróleo do Pré-Sal processado na unidade. Segundo a companhia, foram refinados 1.356.851 metros cúbicos, o equivalente a 74% de todo o óleo utilizado no mês. O número superou a marca anterior, de outubro (1,316 milhão de metros cúbicos).
De acordo com o estudo, puxado pela queima de combustíveis fósseis, a região Sudeste liberou 396,2 milhões de toneladas brutas de gás carbônico equivalente (CO2e) na atmosfera em 2018, o correspondente a 20% do total nacional. O uso e a produção de energia respondem pela maior parte (44%) desse total.
No quadro geral, as emissões do Sudeste aumentaram se comparadas com o total registrado no ano de 2000, quando a região emitiu 367,8 milhões de toneladas de CO2e. Além do setor de energia, a agropecuária também contribuiu para elevar as quantidades de gases de efeito estufa liberados na região. Nessa categoria, as emissões subiram de 95,7 milhões de toneladas de CO2e em 2000, para 99,6 milhões de toneladas em 2018.

MINAS DOMINA O RANKING
A maioria dos municípios que mais emitem nesse setor está em Minas Gerais, informa Renata Potenza, coordenadora de projetos do Imaflora, uma das entidades que participaram do levantamento. “O estado corresponde a 55% das emissões provenientes da agropecuária na região Sudeste, devido principalmente à produção de gado de corte e de leite.” É o caso, por exemplo, das cidades mineiras de Uberaba, Unaí, Prata e Uberlândia.
Chama a atenção, segundo o Observatório do Clima, o fato de que o setor de energia é o principal emissor em apenas 22% dos 1.668 municípios do Sudeste. Na maioria das cidades (67%), é a atividade agropecuária a maior responsável pela liberação de gases de efeito estufa na região. Apesar disso, em termos absolutos, a agricultura e a pecuária emitiram menos em comparação ao setor de energia.
“Isso ocorre porque municípios mais populosos, como capitais e grandes áreas metropolitanas, têm no setor de energia sua principal fonte de emissões, sobretudo devido ao consumo de combustíveis fósseis nos transportes”, explica Felipe Barcellos e Silva, pesquisador do Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente), organização responsável por compilar as informações sobre esse setor.
Com o crescimento urbano de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, as emissões de gases de efeito estufa decorrentes do consumo de energia também aumentaram, avalia Barcellos. “Em 2000, o Sudeste emitiu 120 milhões de toneladas de CO2e no âmbito do setor de energia. Em 2018, foram mais de 173 milhões de toneladas de CO2e.”
O levantamento aponta que, além da circulação de veículos movidos por motor a combustão, a queima de combustíveis fósseis também se destina a aquecer fornos industriais ou gerar energia mecânica e elétrica. Nos municípios fluminenses de Duque de Caxias e Macaé, por exemplo, as usinas termelétricas fósseis são as principais fontes de emissão de GEE (gases de efeito estufa).

Domingo, 2 de Maio de 2021

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