Insegurança e esperança marcam a reabertura do comércio em Sumaré

Estabelecimentos não essenciais funcionaram das 11h às 19h, no primeiro dia da fase de transição implementada em todo Estado

Estabelecimentos comerciais da região, incluindo lojas de shoppings centers, reabriram as portas aos clientes nesta segunda-feira (19), após 43 dias fechados por conta do agravamento da pandemia de Covid-19. A retomada do atendimento presencial, das 11h às 19h e com limite de ocupação de 25%, foi autorizada na sexta-feira (16) pelo Governo do Estado, dentro da fase de transição da flexibilização da quarentena, entre as etapas vermelha e laranja. Entre os comerciantes, o clima foi de vitória, esperança e, ao mesmo tempo, de desconforto e insegurança.
Proprietária de uma loja de móveis e decorações no Centro de Sumaré, Deborah Rodrigues Rovai disse que a sensação foi um misto de insegurança e esperança. “Temos tentado manter o contato com os nossos clientes não só nesses 40 dias, mais durante mais de um ano de pandemia, no virtual. Temos mantido o atendimento online, via WhatsApp, Instagram e Facebook, e criamos um catálogo com todos os produtos que temos à pronta-entrega. Além disso, temos também vídeos desses produtos gravados, para o cliente ter uma ideia de como ele é; tipo abertura de gavetas, portas e etc.”, explicou a lojista.
Apesar do forte trabalho virtual, Deborah ressalta que há muitos clientes que preferem ir até a loja para ver os produtos pessoalmente.
Além dos frequentes fechamentos e do consequente distanciamento dos clientes, a comerciante destaca outra barreira imposta pela pandemia. “Nossa maior insegurança não é somente em relação às restrições e às mudanças de fases durante todo esse último ano, mas também pela falta de matéria-prima no mercado moveleiro, que acaba deixando o nosso mercado muito instável, principalmente para reposição de produtos”, afirmou Deborah.
A comerciante Alessandra Menuzzo Zanelli, também estabelecida em Sumaré, enxerga na reabertura a chance de recuperar o tempo perdido. “A sensação é de vitória, porque tivemos que usar a criatividade nesse período todo. Espero que as vendas melhorem, pois não tive resultados muito bons nesses 40 dias fechados”, comentou ela.
Alessandra revela que, mesmo feliz com a flexibilização, se sente incomodada. “Não estou muito confortável com essa abertura, porque temos que lembrar que a doença está ativa e o pessoal, na rua. Assim, também corremos o risco de pegar [a Covid-19]. Mas, por outro lado, temos a chance de vender e poder ter um fundo de reserva, caso tenhamos de fechar novamente”, avaliou.

VAIVÉM DO PLANO SP
A fase de transição do Plano SP reabriu o comércio em todas as regiões de São Paulo no domingo (18) após 43 dias. Depois de idas e vindas entre as etapas verde, laranja e amarela, o Estado voltou à fase vermelha no dia 6 de março, decretando o fechamento do comércio não essencial. Porém, como a taxa de isolamento não estava crescendo a níveis considerados satisfatórios, o governo endureceu ainda mais essa medida. Desta forma, em 15 de março, entrou em funcionamento a fase emergencial, com medidas ainda mais restritivas, incluindo um toque de recolher das 20h às 5h.
Após passar 28 dias sob as regras da etapa emergencial, o Estado regrediu à fase vermelha no último dia 12. O período vigorou até o último sábado (17), dando lugar à fase de transição, que vale até o próximo dia 30. O toque de recolher, no entanto, continua.

Expectativa é maior que a incerteza, avalia Acias
O presidente da Acias (Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Sumaré), Juarez Pereira da Silva, acredita que, apesar das incertezas, a nova flexibilização chega com uma expectativa muito grande. “Os cidadãos, os empresários e os consumidores estão mais conscientes com relação às recomendações sanitárias. E esta consciência gera uma expectativa de que a retomada das atividades vai evoluir de forma gradativa e sem novos retrocessos no Plano São Paulo”, afirmou o presidente da Acias.
Segundo a entidade, a fase de transição também deve impactar nas vendas do Dia das Mães. “Apesar do aumento das vendas via internet e por delivery, estimuladas pelos comerciantes que precisaram encontrar novos caminhos para chegar ao cliente na pandemia, muita gente prefere o atendimento presencial. Por isto, acreditamos que muitos consumidores devem aproveitar para antecipar a compra do presente”, finalizou.

Terça-feira, 20 de Abril de 2021

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