Estudo mostra impactos da variação cambial na economia dos municípios

De acordo com levantamento, 12 das 20 cidades da RMC sentem mais os efeitos da desvalorização do real frente ao dólar

A crescente desvalorização do real diante do dólar tem gerado impactos negativos na economia brasileira. Uma das variáveis dessa instabilidade é a balança comercial, que é o saldo entre importações e exportações de bens e serviços nos municípios, estados e no país. Isso porque, ao comprar produtos de fora, as empresas acabam gastando mais e, consequentemente, repassam esse custo aos consumidores.
Um estudo elaborado pelo economista Ricardo Buso revela que a economia de 12 das 20 cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas sentiram mais os efeitos da variação cambial no Brasil: Americana, Artur Nogueira, Campinas, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba, Itatiba, Jaguariúna, Monte Mor, Paulínia, Sumaré, Valinhos e Vinhedo. A análise foi feita com base no volume de exportações e importações em 2018, disponível na base de dados do Seade, órgão de análises e estatísticas ligado ao Governo do Estado.
Para nortear o estudo, o economista separou os municípios em dois grupos: um com os 12 citados acima, que importaram mais do que exportaram e, desta forma, acabam tendo as economias mais prejudicadas pelo desequilíbrio da balança comercial; e outro com as demais cidades, com saldo positivo de exportações ou em situação de equilíbrio, portanto, menos vulneráveis à escalada da moeda norte-americana. “A abordagem de impacto econômico requer que tratemos do conceito de ‘exposição cambial’, que, resumidamente, pode ser explicado pela parcela das transações econômicas com o exterior desprotegida de compensações. Ou seja, como exportações e importações se compensam mutuamente das variações cambiais, a exposição está na parcela descoberta”, explica Ricardo Buso.
De acordo com números do Seade, os municípios da Região Metropolitana de Campinas exportaram, juntos, um total de US$ 4,461 bilhões em 2018, enquanto as importações chegaram a US$ 13,486 bilhões – diferença de US$ 9,025 bilhões ou 16,98% do PIB (Produto Interno Bruto) da região. Fazendo a conversão desse montante pela taxa de câmbio oficial do dólar em 31 de dezembro de 2018, ano-base do estudo, é possível concluir que as exportações representaram apenas 8,39% do PIB total da RMC e as importações, 25,37%.
“Olhando para esses números, podemos afirmar que, para o conjunto da Região Metropolitana de Campinas, a desvalorização do real (alta do dólar) é um obstáculo ao desempenho econômico, pois está mais exposta na importação de bens e serviços em suas atividades econômicas”, analisa Buso.
Segundo a RMC tem exposição cambial importadora, da ordem de 17% de seu PIB. Ou seja, a desvalorização do real prejudica a balança comercial de sua economia ao impor que importadores paguem mais pelas compras. “A imensa maioria dos municípios da região, por conta do perfil predominantemente importador, absorvem, em magnitudes diferentes, desvantagens econômicas pela desvalorização cambial”, pontua o economista.
Os municípios mais expostos do grupo metropolitano, com perfis altamente importadores, são Jaguariúna, que abriga grandes importadores de insumos como a Motorola, com exposição de 46% de seu PIB em 2018; Paulínia, um dos maiores polos petroquímicos do Brasil, com exposição de 36%; e Hortolândia, que também concentra empresas da cadeia automobilística e de tecnologia, com 26% de sua economia exposta pela variação cambial. Sob relativo equilíbrio, praticamente compensando importações e exportações, estão Engenheiro Coelho e Morungaba.

ECONOMIAS
Ao lado de Cosmópolis, Pedreira e Santo Antônio de Posse, Nova Odessa é um dos destaques da parte azul do gráfico, com exposição na ponta exportadora, embora discreta, da ordem de 1% do PIB local. Já Cosmópolis, com interferência de exportações da indústria sucroenergética, expõe cambialmente a economia em 20% de seu PIB; Pedreira tem exposição de 5% do PIB na ponta exportadora; e Posse na magnitude de 22%.
O estudo ressalta que, como agentes econômicos, as empresas ligadas à exportação e importação em cada município têm seus recursos para mitigar incertezas de variação cambial. No entanto, as estratégias individuais não interferem na exposição do perfil local.
“Convém também notar outro mito que o estudo sugere quebrar, de que a riqueza econômica de uma região estaria representada pela exportação ou capacidade de exportar. Os dois municípios de maior exposição cambial na importação [Paulínia e Jaguariúna] são os que apresentam os dois melhores resultados regionais em PIB per capita [PIB total dividido por habitante], com R$ 352,2 mil e R$ 212,8 mil, respectivamente; enquanto o município de segunda maior exposição cambial na exportação [Cosmópolis] é o que apresenta o pior resultado regional de PIB per capita, com R$ 22,4 mil por habitante”, destaca o economista Ricardo Buso.

MICRORREGIÃO
Ao analisar separadamente a área de cobertura do Tribuna Liberal, composta por Hortolândia, Monte Mor, Nova Odessa, Paulínia e Sumaré, o economista aponta 26% de exposição também na importação, resultado da diferença entre US$ 1,582 bi (9,11% do PIB) em exportações e US$ 6,065 bi (34,93% do PIB) em importações em 2018, equivalentes a 45% do total da RMC. “Isso indica que a economia do agrupamento recebe obstáculos pela desvalorização cambial”, frisa Ricardo Buso.
Entre os cinco municípios, Nova Odessa se caracteriza como exceção no grupo, já que é o único município que apresenta exposição na ponta exportadora. Já Paulínia e Hortolândia estão na parte negativa do gráfico, com alta exposição importadora, assim como Sumaré, que apresenta resultado alinhado ao da RMC, de exposição importadora de 15% do Produto Interno Bruto.

Domingo, 21 de Fevereiro de 2021

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