Foto da carteirinha em redes sociais pode dar problema, alerta advogada

Exposição de informações pessoais, local de imunização e nome da enfermeira responsável pode ser um prato cheio para golpistas

Não é novidade que o momento da vacinação foi o mais esperado desde o início da pandemia de Covid-19, que se arrasta desde março de 2020. A luz ao final do túnel chega com a oportunidade de imunização, que começou com os profissionais da saúde, que estão na linha de frente contra essa terrível doença que já vitimou 242 mil pessoas no Brasil e mais de dez milhões de casos registrados. Basta procurar nas redes sociais, que se encontra fotos aos montes do registro da pós-vacinação. No entanto, vale o alerta da advogada Margareth Kang, do escritório PDK, especializado em proteção de dados pessoais, sobre a imagem do cartão de vacinação, que expõe dados pessoais do titular e de terceiros.
Segundo ela, os dados pessoais do titular podem ser, a depender da carteirinha, nome, CPF, número da carteirinha do SUS, tipo e data das duas doses da vacina, nome do hospital/ laboratório/ instituto onde foi realizada a aplicação. Já dados de terceiro são, por exemplo, a assinatura, rubrica ou nome do aplicador da vacina, assim como o local onde ele trabalha (hospital, laboratório ou instituto) e a data da aplicação das doses, que acaba por comprovar que esse colaborador foi ao trabalho em determinado dia.
“A exposição de tais fotos nas redes sociais implicam na publicização das informações pessoais do próprio titular, assim como de terceiros que, em mãos de pessoas mal intencionadas, podem gerar diversos riscos, fraudes e crimes, como extorsão, roubo de identidade e falsificação do cartão de vacinação. Além disso, as informações desses cartões podem, inclusive, servir de confirmação de bases de dados vazados ou comercializados na internet”, afirmou a especialista.
Margareth explicou ainda que o ponto de partida ao divulgar tais fotos não deve ser a preocupação com um golpe em si, mas o fato de que, uma vez que a foto seja publicada na internet, a potencialidade dessa imagem ganhar vida eterna é considerável. Imagine que essa foto foi publicada no seu feed do Instagram. Um de seus seguidores pode tirar uma ‘print’ da imagem, passar para um grupo de WhatsApp e, daí em diante, não tem mais controle, ou seja, uma vez que algo é publicado na internet, é necessário considerar que nem sempre se terá o controle.
“Nesse sentido, a reflexão deve considerar também que a carteira de vacinação da Covid-19, possui dados de terceiros; dos aplicadores da vacina, que em nenhum momento assinaram a carteirinha com o fim da publicização da foto podendo, inclusive, ser contra a divulgação de seus dados pessoais.

DADOS CLONADOS
Margareth disse ainda que será muito difícil verificar se e quando os dados foram clonados. Mas, em caso de clonagem/ roubo de carteirinha de vacinação, junte comprovantes desse ato e dirija-se à delegacia mais próxima para fazer um boletim de ocorrência informando o caso. “Ressaltamos que se trata de um caso de saúde pública e, portanto, a falsificação de carteiras de vacinação pode trazer riscos à sociedade”. Segundo ela, pode postar a foto, mas omitindo (borrando) os dados pessoais da carteirinha.

REGISTRO
A técnica em enfermagem da UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Dall’Orto em Sumaré, Vânia Miliati, de 37 anos, que também trabalha no Centro Médico de Campinas, já recebeu suas duas doses da vacina Coronavac e também registrou o momento. Para Vânia, a vacinação teve uma importância mais do que especial. Ela foi uma sobrevivente da doença. No dia 9 de maio de 2020, após trabalhar a noite inteira, começou a ter uma tosse seca. Achou que era um mal-estar, por causa de uma eventual friagem. No dia seguinte, continuou com sintomas de gripe e depois perdeu o olfato e paladar.
“Tive certeza que estava mesmo com a Covid, porque uma colega que trabalha comigo também foi positivada. Como moro sozinha, permaneci o tempo todo em casa. Durante esse período, apesar de muitas dificuldades, descobri que tinha muitos amigos. Alguns faziam minhas despesas no supermercado. O apoio deles foi muito importante”, comentou Vânia.
Quase um ano depois do início da pandemia no Brasil, a técnica em enfermagem acompanha de perto que os casos não estão diminuindo. “Entendo que é uma questão de consciência, mas muitas pessoas ainda não estão respeitando. Depois não adianta falar que foi falha do sistema, pois nossas equipes estão trabalhando sem parar”, enfatizou Vânia.
A técnica de enfermagem do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Sumaré, Leila Daiane Gimenez, de 36 anos, foi mais uma “positivada” com a doença. No dia 7 de maio de 2020, ela foi trabalhar e começou com uma tosse seca depois do almoço sentiu dor de cabeça, canseira e fraqueza. Às 14h do mesmo dia, pediu para ser liberada. Após ter o agravamento do quadro da doença, deixou as filhas de 8 e 19 anos na casa de sua mãe, enquanto se recuperava sozinha em casa. Foram dias difíceis, pois não pôde contar com a ajuda direta de ninguém próximo.
Diante desse cenário ainda cruel de novos casos a cada dia, Leila continua seu trabalho na linha de frente e também já recebeu a primeira dose do ‘líquido de esperança’. “A sensação que eu tenho é não estar somente me protegendo, mas sim todos que estão próximos como meus pacientes, familiares e amigos. Mas entendo que ainda tem chão, a pandemia ainda vai longe, infelizmente”, afirmou. Leila não fez registros, por meio de foto, e preferiu guardar esse momento na lembrança.

Domingo, 21 de Fevereiro de 2021

Veja Também

Retorno de aulas presenciais em Nova Odessa também é adiado para abril

Município acompanhou a decisão de outras cidades da RMC e estabeleceu nova data para ‘abertura’ ...