Reflexo da pandemia faz a inflação nos supermercados fechar 2020 em 15,92%

Mesmo com a alta inflacionária de 2020, carnes bovinas sofreram aumento de imposto em janeiro

O IPS (Índice de Preços dos Supermercados), calculado pela APAS/FIPE, apresentou alta em dezembro de 2,2% e, assim, o ano de 2020 fechou com uma alta acumulada de 15,02%. A Apas (Associação Paulista de Supermercados) destaca que os principais fatores que contribuíram para este aumento são reflexos da pandemia, como a desvalorização do Real, a exportação de grãos utilizados majoritariamente para ração, como a soja e o milho, o encarecimento dos custos de produção puxado pela alta no preço da energia elétrica, o aumento no custo dos combustíveis impactando o transporte e o aumento expressivo da demanda para o consumo caseiro.
As carnes bovina e suína registraram altas de 16,3% e 31,5%, respectivamente. Como fatores de aumento dos preços, o crescimento dos custos de produção, entre eles o aumento do preço da soja e milho, de mais de 60%, que são os insumos da ração animal, afetaram de maneira expressiva os preços das carnes. Aliado a isso, a demanda internacional também contribuiu porque as exportações têm sido impulsionadas pelo câmbio mais desvalorizado do Real frente ao Dólar. Os preços dos produtos industrializados fecharam 2020 com alta de 14,50%, impactados principalmente pela elevação dos preços dos Derivados do Leite (15,60%), Leite em Pó (20,14%) e o Queijo Mussarela (35,55%).
No que tange os preços das Carnes Bovina (16,36%) e Suína (31,56%) e do Queijo Mussarela (35,55%), a APAS destaca que, independentemente da inflação deste corrente mês de janeiro, estes produtos já ficaram mais caros em 2021 porque sofreram reajuste de alíquota de imposto no último dia 15 de janeiro. A alíquota da carne foi reajusta em + 0,2% e do queijo em + 1,30%. E o aumento de imposto promovido pelo Governo do Estado sobre estas categorias não para por aí, pois no dia 1 de abril a Carne terá um novo aumento em 0,8% e o Queijo terá um acréscimo de +4,7% em impostos. Estes aumentos de impostos são provenientes dos Decretos Estaduais 65.450 e 65.452, de 30 de dezembro de 2020, realizados pelo governo do Estado de São Paulo para aumentar a arrecadação com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Realizando uma comparação com 2019, quando a inflação nos alimentos foi de 5,73%, o presidente da APAS, Ronaldo dos Santos, revela uma preocupação com o poder de compra dos consumidores, sobretudo em categorias que ficaram mais caras em 2021 devido ao aumento de imposto: “tivemos uma aceleração incomum nos preços de algumas categorias, o que deixou o ano de 2020 com o percentual de 15,02%, o maior da década, superando os 11,33% do ano de 2015. Por isso, reitero a posição externada por nossa entidade no ‘Manifesto APAS – Em defesa do consumidor e do emprego’, solicitando ao Governo do Estado que volte atrás nos aumentos de impostos sobre alimentos que promoveu na última sexta-feira e revogue na integralidade os aumentos de impostos que passarão a vigorar no dia 1 de abril”.
Apesar de 2021 ter começado com o aumento da carga tributária sobre alguns alimentos, o presidente da APAS acredita que este ano terá uma “elevação mais moderada nos preços para diversas categorias, quando comparado com o comportamento dos preços de 2020. Diante disso, a inflação em 12 meses, mesmo com impacto do real mais desvalorizado favorecendo as exportações, deve manter o Índice de Preços nos Supermercados, o IPS, em torno de 4% a 5%, contribuindo para uma evolução mais moderada quando comparada com 2020, em que a inflação em 12 meses foi de 15,02%”, avalia Ronaldo dos Santos.

Domingo, 24 de Janeiro de 2021

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