Número de mortes em casa dispara

O receio das pessoas frequentarem hospitais ou mesmo realizarem tratamentos de rotina durante a pandemia, assim como a falta de leitos em momentos críticos da Covid-19 no Brasil, fez com que o número de mortes em domicílio disparasse no estado de São Paulo quando se comparam os anos de 2019 e de 2020, registrando um aumento de 15,3%. Os dados são da Arpen-Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais).
As mortes por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) fora de hospitais cresceram 1.600%. Também aumentaram os óbitos por Septicemia (11,6%) e Causas Indeterminadas (47,9%). Os registros de óbitos, feitos com base nos atestados assinados pelos médicos, apontam que 1.492 paulistas morreram de Covid-19 em suas casas.
Os óbitos por causas cardíacas fora de hospitais também dispararam em 2020, com registro de aumento de 22,4% na comparação com o ano anterior. Neste tipo de doença, o maior aumento se deu nas chamadas Causas Cardiovasculares Inespecíficas (118%), muito em razão de o falecimento ocorrer sem assistência médica, dificultando a qualificação da doença. Também cresceram os óbitos em casa por Acidente Vascular Cerebral (AVC), aumento de 18,6%.
“As informações fornecidas diariamente pelo Portal da Transparência do Registro Civil se mostraram essenciais para o correto mapeamento da situação e se mostrou um instrumento fundamental para que o poder público pudesse combater a pandemia de Covid-19 no país. Com os números de óbitos por doenças respiratórias, cardíacas e das demais causas que são disponibilizados na ferramenta, pesquisadores, médicos e a sociedade, em geral, podem acompanhar o avanço da doença no Brasil e os impactos por ela causados.”, explica a presidente da Arpen/SP (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen/SP), Daniela Silva Mroz.

Mudanças de hábito que merecem atenção
O cirurgião de urgência, emergência e trauma Bruno Pereira explica que mudança no hábito intestinal, por exemplo, pode ser sinal de câncer colorretal e, nesse caso, quanto antes fizer o diagnóstico e o tratamento, maiores são as chances de cura do paciente. “Pacientes com sangramento do trato gastrointestinal, ou seja, nas fezes ou no vômito, também precisam ser avaliados porque pode ser hemorragia digestiva. Pode ser algo simples, mas 2% a 10% dos pacientes com Hemorragia Digestiva acabam morrendo, então, é um sintoma que realmente precisa ser investigado”, orienta.

APENDICITE
Outro problema muito comum é a apendicite. Os sintomas mais frequentes são dor abdominal e falta de apetite, que atingem 100% dos pacientes, seguido por náuseas (90%), vômitos (75%) e dor migratória (50%). Quanto mais cedo houver o diagnóstico, melhor, já que complicações da doença podem causar perfuração do órgão e até infecção na corrente sanguínea (sepse ou septicemia). O quadro do paciente costuma mudar a cada 12 ou 24 horas e a demora também pode resultar em dificuldades cirúrgicas, complicações pós-operatórias, longos períodos de internação e até a morte.

VESÍCULA
Já as crises de dor intensa podem ser sinal de colecistite, que é a inflamação da vesícula biliar. “Nos casos agudos, a cólica biliar costuma ser mais forte e duradoura, podendo durar até mais de 12 horas, com pico entre 15 e 60 minutos após o início. Os pacientes relatam que, muitas vezes, a dor é insuportável e vem acompanhada de enjoos e vômitos”, complementa o cirurgião. De acordo com ele, cerca de 30% dos pacientes com colecistite aguda também apresentam febre e, em alguns casos, calafrios.
O paciente com colecistite aguda precisa ser operado logo após o aparecimento dos primeiros sintomas porque o quadro pode se agravar e causar outros problemas, que podem até levar à morte.
“Sabemos que este é um momento que exige cuidados. Não é hora de ir a um hospital por qualquer coisa, mas a pessoa não pode ficar ‘esperando passar’ se tiver alguns desses sintomas. Na maioria das vezes, é uma corrida contra o tempo e, certamente, quanto mais precoces forem o diagnóstico e o tratamento, maiores as chances de cura e menores os riscos”, reforça o cirurgião.

Domingo, 24 de Janeiro de 2021

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