Violência contra idosos aumenta na pandemia e casos chocam a região

Dados apontam também para aumento de casos de violência envolvendo mulheres e crianças durante a quarentena

Na última segunda-feira, dia 23/11, dois casos de violência contra idosos registrados nas cidades de Sumaré e Hortolândia foram manchete do Jornal Tribuna Liberal e chocaram e preocuparam a opinião pública da região. E não foram casos isolados: muitos especialistas têm apontado dados e estatísticas comprovando que a quarentena e o isolamento social impostos pela pandemia de Covid-19 fez crescer as ocorrências deste tipo na região, no país e no mundo.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), um em cada seis idosos sofre violência no mundo. Com a pandemia e a quarentena, além da preocupação com a saúde do idoso, grupo de risco da Covid-19, há também registros de aumento de casos de violência contra pessoas dessa faixa etária, devido ao confinamento.
De acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, as denúncias de casos de violência contra a pessoa idosa mais do que quintuplicaram de março até maio, saltando de três mil, em março, para 17 mil no final de maio.
E não são apenas os idosos que estão ainda mais sujeitos a violência neste ano. Dados do Disque 100 e do Ligue 180 revelam o crescimento do número de denúncias de violações de direitos humanos contra mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiências. Até setembro de 2020, foram contabilizados 237.992 registros. O aumento é de 32,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando os canais de atendimento registraram 179.051 casos.
Pelas informações preliminares consolidadas após mais de 2,9 milhões de ligações recebidas, a quantidade de casos de violações envolvendo pessoas idosas, por exemplo, subiu mais de 70% apenas nos primeiros nove meses deste ano. Os registros passaram de 36.181 para 62.109.
Em relação à violência contra a mulher e violência doméstica contra a mulher, houve um aumento de mais de 34%. O serviço, que registrou 67.880 denúncias até setembro de 2019, recebeu 91.043 no mesmo período deste ano.
Já as denúncias de violações de direitos de pessoas com deficiência saltaram quase 18%: passaram de 9.778 em 2019 para 11.530 em 2020. Os registros relacionados a crianças e adolescentes também dispararam. Foram contabilizados 73.310 até setembro deste ano, o que representa um crescimento de 12,4% em relação ao período anterior (65.212).
“Parte desse aumento é justificada pela nova metodologia adotada. Antes, havia uma subnotificação. Cada ligação era registrada sob um número de protocolo, que comportava apenas uma denúncia. A partir da unificação da Central de Atendimento do Disque 100 e do Ligue 180, no final de 2019, cada protocolo passou a comportar mais de uma denúncia, que é definida pela relação entre suspeito e vítima”, explicou o ouvidor nacional de direitos humanos, Fernando Ferreira.

CANAIS
As mulheres vítimas de agressões podem recorrer à Central de Atendimento à Mulher, por meio do número de telefone 180. Já crianças e adolescentes são orientadas a acionar a Polícia Militar por meio do telefone 190. Denúncias de violência contra idosos podem ser feitas diretamente à Polícia Militar, pelo telefone 190, ou através do canal Disque 100.
Em todas as plataformas, as denúncias são gratuitas, anônimas e recebem um número de protocolo para que o denunciante possa acompanhar o andamento. Qualquer pessoa pode acionar o serviço, que funciona diariamente, 24h, incluindo sábados, domingos e feriados.
O serviço cadastra e encaminha os casos aos órgãos competentes. Entre os grupos atendidos pelo Disque 100, estão crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas em restrição de liberdade, população LGBTI+ e população em situação de rua.

Domingo, 29 de Novembro de 2020

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