15,8 mil crianças da região ainda não foram vacinadas contra a paralisia

Prefeituras “convocam” pais a levarem crianças e adolescentes às Unidades de Saúde, que seguem protocolos sanitários

A três dias do fim das campanhas nacionais de vacinação contra a poliomielite e de multivacinação, apenas 9.378 das 25.221 crianças com idades de até 5 anos da região já receberam a dose do imunizante contra a paralisia infantil, o equivalente a uma cobertura de apenas 37,2%, considerada baixíssima para os momentos finais da iniciativa nacional.
Ou seja, cerca de 15,8 mil crianças desta faixa etária ainda não foram levadas por seus pais ou responsáveis a uma UBS (Unidade Básica de Saúde) do SUS (Sistema Único de Saúde) das cidades de Sumaré, Hortolândia, Monte Mor, Nova Odessa e Paulínia para receber a vacina, o que ligou o sinal de alerta de autoridades sanitárias e de Saúde da região.
Na região, a maior cobertura até agora foi alcançada por Monte Mor, onde 49,6% das crianças pequenas estimadas para a cidade já receberam as doses da gotinha. Já Nova Odessa tem a menor cobertura até aqui, de apenas 30,5%.
“Balanço divulgado pela Secretaria de Saúde de Nova Odessa aponta que 808 crianças de 1 a 4 anos receberam a vacina oral da pólio (gotinha) no município entre os dias 5 e quinta-feira passada (22). O município tem 2.645 crianças nessa faixa etária. Nesse período, também foram aplicadas 455 doses de vacinas diversas na campanha de multivacinação. Desse total, 232 vacinados têm menos de 1 ano e 223, de 5 a 14 anos. De acordo com a Secretaria, nesse período, 762 pessoas compareceram às Unidades Básicas para verificar se tinham alguma pendência na carteira de vacinação”, detalhou a gestão novaodessense.
A campanha termina nesta sexta-feira (30/10) – ou até antes, já nesta quinta-feira (29/10), naquelas cidades que transferiram o ponto facultativo do Dia do Servidor Público, como Sumaré e Hortolândia.
Junto com a vacinação contra a Poliomielite, as prefeituras realizam a campanha de multivacinação, para atualizar a carteira de vacinas de crianças e adolescentes com idade inferior a 15 anos. Em ambos os casos, mesmo após este prazo, os pais ainda poderão levar seus filhos de quaisquer idades à UBS mais próxima, para atualizar a carteirinha.
“As campanhas têm como objetivo aumentar a cobertura vacinal de crianças e adolescentes do município, que neste ano está baixa em razão da pandemia do coronavírus. Para quem tem receio de levar crianças e adolescentes para tomar a vacina, a Prefeitura esclarece que as UBSs seguem os protocolos sanitários, a fim de evitar a disseminação do coronavírus. Dentre as medidas adotadas, está manter o distanciamento de dois metros na fila entre as pessoas”, explicou a Prefeitura de Hortolândia.
A gestão ressaltou ainda que é feita uma triagem nas crianças e adolescentes, e que aqueles com sintomas respiratórios que não recebem a vacina são imediatamente encaminhados para avaliação médica. “Os funcionários das UBSs estão vestidos com EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). Eles também intensificam as medidas de higienização, tais como lavagem de mãos e utilização de álcool em gel”, completou.

ESTADO E PAÍS
O Estado de São Paulo como um todo vacinou, até o momento, cerca de 664 mil crianças contra a poliomielite, o que corresponde a 30% do público-alvo, que é de 2,2 milhões de crianças de 1 a menores de 5 anos de idade em todo o Estado. No Brasil, cerca de 7 milhões de crianças ainda não foram vacinadas contra a paralisia infantil. Até o momento, da população-alvo estimada de 11,2 milhões, somente 4 milhões (35,7%) foram vacinadas contra a pólio.
O Brasil está livre da poliomielite desde 1990. Entretanto, ainda existem países endêmicos detectando casos da doença, Paquistão e Afeganistão, que registraram até 20/10 um total de 132 casos de poliomielite. Por isso, a vacinação é fundamental para que casos de paralisia infantil não voltem a ser registrados no Brasil.
A poliomielite é uma doença infectocontagiosa grave. Na maioria dos casos, a criança não vai a óbito quando infectada, mas adquire sérias lesões que afetam o sistema nervoso, provocando paralisia irreversível, principalmente nos membros inferiores. A doença é causada pelo poliovírus e a infecção se dá, principalmente, por via oral.

Quarta-feira, 28 de Outubro de 2020

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