Alerta: câncer de mama não pode ser negligenciado mesmo nesta pandemia

Levantamento do Ministério da Saúde revela queda de 84% no número de mamografias durante a pandemia do coronavírus

A pandemia da Covid-19, que determinou um regime de quarentena sem precedentes pelo mundo, tem apresentado impactos diretos na Oncologia e Mastologia. Segundo levantamento da SBP (Sociedade Brasileira de Patologia), 70 mil diagnósticos de câncer deixaram de ser realizados entre março e junho deste ano. E os reflexos dessa realidade podem a curto e médio prazos desencadear um aumento nos índices de tumores descobertos em fase mais avançada.
No caso específico dos tumores de mama – os mais comuns em mulheres depois do câncer de pele –, números divulgados no início de outubro pelo Ministério da Saúde mostram que houve queda de 84% no número de mamografias feitas no país durante a pandemia do novo coronavírus, em comparação ao mesmo período do ano passado. A estimativa foi feita pela Fundação do Câncer, com base em dados do SUS (Sistema Único de Saúde).
Os dados relacionados à diminuição nos índices de rastreamento são preocupantes e acendem um sinal de alerta sobre os prejuízos causados por essa realidade na luta contra o câncer de mama. A ocorrência da doença por aqui vem apresentando crescimento constante: são 66.280 novos casos esperados, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres por ano para o triênio 2020- 2022 – números que ainda estão abaixo da incidência observada em países desenvolvidos, mas cuja tendência de aumento segue em ritmo acelerado, proporcional às taxas de envelhecimento da população.
Para o oncologista Bruno Ferrari, fundador e presidente do Conselho de Administração do Grupo Oncoclínicas, “este cenário exige esforços contínuos no sentido de aumentar a taxa de cobertura da mamografia de rastreamento populacional, assim como o nível de alerta das mulheres para alterações na mama, requerendo atenção dos especialistas para que o câncer de mama seja diagnosticado da forma mais precoce possível”.
“As campanhas de conscientização sobre a doença e alerta para que a população esteja munida de informações sobre os impactos positivos da descoberta de tumores logo no início de seu desenvolvimento, como o Outubro Rosa, são primordiais para a redução das taxas de letalidade do câncer de mama. A nossa batalha pelo diagnóstico precoce deve continuar, por ele significar maior número de pacientes curados. No entanto, nos últimos seis meses observamos uma queda na realização da mamografia”, diz o médico.
Ele alerta que, “se deixarmos de lado a vigilância ativa, no pós-pandemia há grandes chances de observarmos um aumento considerável de diagnósticos tardios da doença”. O exame de imagem na qual a mama é comprimida permite que sejam identificados tumores menores que 1 cm e lesões em início, sendo determinante para a descoberta do câncer de mama logo no início.
“O câncer de mama é o segundo mais comum entre mulheres no país e eram esperados quase 67 mil novos diagnósticos, de acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), até o fim deste ano. De forma geral, a mamografia deve ser realizada anualmente por todas as mulheres acima dos 40 anos e a decisão por adiar ou não esse exame só deve ser tomada mediante o aconselhamento médico”, ressalta Max Mano, oncologista clínico e especialista no tratamento do câncer de mama do Grupo Oncoclínicas.
As chances de cura chegam a 95% ou mais quando o tumor é descoberto no início, sendo o tratamento menos invasivo, o que melhora, em muito, a qualidade de vida durante e após o tratamento da doença. “Mulheres que tratam ou já tiveram câncer de mama, bem como aquelas com histórico de câncer de mama entre parentes próximas (irmãs, mães) e/ou que têm mutações genéticas hereditárias já identificadas, não devem jamais deixar de fazer os controles sem orientação do especialista”, completa Max Mano.

Domingo, 25 de Outubro de 2020

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