Em meio a ‘batalha’, Estado cria mais seis centros de pesquisa da CoronaVac

Meta do Instituto Butantan é acelerar a fase final de testes clínicos que vão apontar eficácia da vacina para registro na Anvisa

Dois dias após embate de declarações públicas com o presidente Jair Bolsonaro – que mandou o Ministério da Saúde cancelar um protocolo de intenções assinado no dia anterior para eventual aquisição, em caso de aprovação sanitária, de 46 milhões de doses –, o governador paulista João Doria (PSDB) confirmou a criação de seis novos centros de pesquisa científica para testagem e desenvolvimento da CoronaVac, que está em fase final dos estudos clínicos de segurança e eficácia contra o coronavírus.
O anúncio foi feito na sexta-feira (23/10), durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes. A potencial vacina está em fase final de desenvolvimento pelo Instituto Butantan, de São Paulo, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, em acordo que prevê o fornecimento de 46 milhões de doses ainda em 2020, além da posterior transferência da tecnologia ao Brasil.
O Estado quer que o Ministério compre as doses iniciais, em caso de aprovação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para distribuição em todo o país, através do PNI (Programa Nacional de Imunizações). A expectativa era que fosse disponibilizado R$ 1,9 bilhão em recursos federais para a aquisição.
Ontem, a Agência autorizou a importação das primeiras 6 milhões de doses previstas no acordo entre o Estado e a empresa chinesa. As doses só poderão ser aplicadas caso a CoronaVac seja efetivamente aprovada e registrada. As demais 40 milhões de doses devem ser produzidas pelo Butantan, com matéria prima importada.
Segundo o Butantan, a segurança do fármaco já foi comprovada, restando descobrir apenas sua eficácia (o percentual de pessoas vacinadas que são efetivamente imunizadas contra a doença). Também ontem, partidos de oposição recorreram ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que o Governo Federal seja obrigado a avaliar quaisquer potenciais vacinas de forma científica, e não apenas pelo país de origem.

TEMA DO MOMENTO
“A vacina, que é o tema do momento, é a proteção à vida e um direito de todos os brasileiros. No caso da pandemia, a vacina é o único caminho para a retomada total da economia, do ensino presencial, de eventos de grande público, do turismo e da volta à normalidade”, afirmou o governador.
Os novos centros serão supervisionados por especialistas do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Os estudos serão executados em quatro hospitais da periferia da capital, onde a taxa de contaminação tem se mostrado maior do que nos bairros centrais. Outros dois ficarão na região do ABC, que já tem a Universidade Municipal de São Caetano do Sul como local de testagem.
O objetivo do Governo de São Paulo é ampliar é aumentar o número de profissionais de saúde que atuam como voluntários na pesquisa da CoronaVac. Até agora, 9.039 pessoas participam dos estudos clínicos em sete estados.
Com os novos centros, os estudos clínicos serão ampliados para 13 mil voluntários em 22 locais de pesquisa. Nesta fase final da pesquisa, metade dos participantes recebe a dose da CoronaVac, enquanto os demais são inoculados com placebo.
Para determinar a eficácia da CoronaVac, é preciso que ao menos 61 participantes aplicados com a substância sejam contaminados pelo coronavírus. A partir desta amostragem, haverá a comparação com o total dos que receberam a vacina e, eventualmente, também tenham diagnóstico positivo de Covid-19.
Se o imunizante atingir os índices necessários de eficácia e segurança, poderá ser submetido à avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para registro e posterior uso em campanhas de imunização contra o coronavírus.
“A CoronaVac é uma das mais promissoras candidatas a vacina contra o coronavírus e está sendo desenvolvida no Brasil desde julho, em parceria internacional do Instituto Butantan com a biofarmacêutica Sinovac Life Science. O Butantan já tem acordo para transferência de tecnologia e aquisição de 46 milhões de doses do imunizante”, completou o Estado.

Sábado, 24 de Outubro de 2020

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