Empreendedorismo familiar cresce no 1º semestre de 2020, mostra pesquisa

Estudo promovido pela PwC Brasil indica que esse tipo de empreendedorismo cresceu e que 53% dos que empreendem são da segunda geração familiar

Retornar as suas origens, tomar café, almoçar e jantar em família. Desacelerar. Foram algumas imposições que a pandemia da Covid-19 fez a algumas famílias brasileiras. Manter o foco, quando muitas pessoas estão perdendo o emprego dentro de casa, não é uma tarefa fácil. O mundo já atravessou algumas crises financeiras e políticas. Nelas nasceram empresas como a Uber, Airbnb, e Stripe (2007-2008).
“É fato que estamos passando por uma crise de saúde mundial. Algo novo para todos nós, porém não deixa de ser uma crise. Quando se tem uma base familiar, em que os nossos pais já passaram por crises que nós não atravessamos, os ensinamentos deles podem nos dar força para sermos mais resilientes. O importante neste momento é unir o nosso conhecimento como nextgens e a sabedoria deles”, explica Leandro Rampazzo, de 37 anos, empreendedor da Godiva Propaganda.
O termos nextgens, utilizado por Leandro Rampazzo, foi desmistificado na pesquisa promovida pela PwC com 69 países, incluindo o Brasil. NextGens são os líderes da próxima geração das empresas familiares. A pesquisa foi divulgada neste ano e mostra que 72% dos brasileiros acreditam que podem transformar as empresas familiares por meio de ferramentas digitais. Duas tecnologias são apontadas como essenciais na pesquisa mundial: Inteligência Artificial e a IoT (Internet das Coisas).
De acordo com a pesquisa, 53% dos que investem no empreendedorismo familiar são da segunda geração familiar. “Esse número tende a aumentar neste período de quarentena. Isso porque os filhos estão mais propensos a se influenciar pelos pais, e vice-versa. A convivência pode ser difícil para algumas famílias. O desemprego também. Mas, neste momento a união tende a ser maior para conseguir levantar capital e se reerguer”, explica Augusto Jimenez, psicólogo educacional da rede Minds Idiomas.
Assim, aconteceu com Leandro Rampazzo, empreendedor e fundador da agência de propaganda Godiva. Ele faz parte dos 53% da segunda geração de líderes. Aprendeu com os pais o valor do trabalho e do dinheiro para o sustento. Em 2000, o empreendedor que hoje fatura milhões, ganhava R$ 151,00 (salário mínimo na época).
“O meu pai tinha uma fábrica de móveis e a minha mãe vendia esses móveis nas lojas. Eu ajudava a carregar caminhão, montar os móveis, e etc. Trabalhava até mais que os funcionários e ganhava menos. Não entendia o porquê meu pai agia assim, mas ele sempre explicava que era para eu entender todo o fluxo do negócio e dar valor ao dinheiro. Para quando eu tivesse o meu negócio soubesse gerir. Afinal, eu saberia todas as etapas das operações”, relembra Leandro.
Rampazzo enfrentou um problema grave de saúde que afetou os negócios dos seus pais. Com sacrifício cursou a Faculdade de Propaganda e Marketing e conseguiu um emprego no ramo do franchising. Chegou à posição de Gerente de Marketing das franquias Wizard, Yazigi, Skill, Microlins e People que faziam parte da holding em que atuava.
Neste período, Leandro ajudou os pais e começou a dividir os seus ganhos com a comunidade. A responsabilidade social norteia a vida do empreendedor até os dias de hoje. Na Zona Norte de São Paulo, ele e a esposa, ajudam a comunidade com doação de roupas e alimentos todos os meses.

Domingo, 11 de Outubro de 2020

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