Covid-19: doença pode deixar sequelas mesmo após a ‘cura’

Reclamações mais frequentes de curados incluem cansaço, fadiga, falta de ar e, em alguns casos, também a depressão

A Covid-19 ainda é uma doença misteriosa. A cada dia surge um novo estudo ou pesquisa sobre o novo coronavírus e seus efeitos no corpo humano. No entanto, mesmo após a cura clínica e a alta hospitalar, muitas pessoas ainda reclamam de sequelas como cansaço, fadiga, falta de ar, e em alguns casos também a depressão. Para os pacientes mais críticos, a recuperação é muito mais lenta.
É o caso de um morador de Sumaré que está internado no HC (Hospital das Clínicas) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) há mais de 70 dias – dos quais 30 dias ele permaneceu entubado. Ele foi transferido para o quarto na última quinta-feira (24/09). Agora começa sua “nova” luta: ele está conseguindo voltar com o movimento das mãos, mas ainda não consegue falar. Está passando por acompanhamento com vários profissionais para recuperar seus movimentos. A prima do paciente sumareense, a comerciante de Hortolândia Maria Aparecida Fabri, disse que todos os dias, às 20h30, a família faz uma corrente de oração para ele e para todos os doentes que estão em recuperação.
Maria e seu marido também fizeram parte da dura estatística da Covid-19. Em julho deste ano, eles também tiveram a doença e permaneceram isolados. Tanto cuidado deu certo, porque os três filhos – de 34, 19 e 18 anos –, que moram na mesma residência, não contraíram a doença. O casal não precisou ficar hospitalizado e se recuperou em casa, mas os dias não foram fáceis.
“Meu marido teve apenas a ausência de paladar, olfato, cansaço, tosse e coriza, mas ele conseguiu se alimentar melhor e hoje já não sente mais nada. Eu já precisei retornar ao médico, depois de uns 20 dias depois da minha alta, porque ainda sentia falta de ar. Fiz tomografia e descobri que 5% do meu pulmão ainda estavam comprometidos. Precisei tomar uma nova dose de antibióticos. Percebo que ainda tenho cansaço”, disse Maria Aparecida.

INTERNADO
Rafael Silvério, coordenador do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Sumaré ficou internado sete dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Ouro Verde, em Campinas, em abril deste ano. Apesar de chegar a fazer os procedimentos necessários, como uso de alguns medicamentos, Silvério não precisou de respirador ou entubação. Mas, seis meses depois de passar pela doença, ele ainda reclama que tem dificuldades para fazer exercícios físicos.
“Percebo que fiquei com sequela, pois ainda sinto falta de ar e fadiga mesmo após pequenos esforços, mais ainda não sei se será permanente ou não. Tudo nessa doença é muito incerto. Inclusive se até quando a pessoa é pós-imune. Tenho um amigo que tinha um bom humor, mas depois da doença desenvolveu um quadro de depressão, com descontentamento e irritabilidade. O nosso motorista aqui do Samu, que tem na faixa dos 50 anos, infartou depois que teve a Covid-19. No entanto, apesar dessa suspeita, ainda não temos a certeza se foi realmente por causa da doença, devido à baixa oxigenação no sangue, por medicamentos ou outros fatores. Ele ainda continua afastado do trabalho”, acrescentou Silvério.
Para Maria Aparecida, além dos problemas físicos, controlar os sentimentos é outra tarefa árdua. “Diante de tudo que estamos vendo, ser diagnosticada com essa doença abala muito nosso emocional. A gente fica com medo de uma série de coisas. Somente Deus para acalentar nosso coração e viver um dia de cada vez”, enfatizou a comerciante.
Ela disse ainda que não descuida dos cuidados básicos, e elegeu o álcool em gel como seu aliado. “Esborrifo álcool no dinheiro que recebo, coloco até na roupa antes de entrar em casa. Além do uso da máscara. Cada um precisa fazer a sua parte para se proteger e proteger o outro”, orientou. Segundo o Ministério da Saúde, a Covid-19, a transmissão acontece de uma pessoa doente para outra ou por contato próximo por meio de toque do aperto de mão contaminadas; gotículas de saliva; espirro; tosse; catarro; objetos ou superfícies contaminadas, como celulares, mesas, talheres, maçanetas, brinquedos, teclados de computador etc.

Domingo, 27 de Setembro de 2020

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