Abertura de empresas despenca no ano, mas volta a crescer em agosto

É como se, neste “ano da pandemia”, 390 novos negócios tivessem deixado de ser registrados na Junta Comercial do Estado

A abertura de novas empresas na área de cobertura do Jornal Tribuna Liberal despencou 22,3% de janeiro a agosto de 2020, na comparação com o mesmo período do ano passado. No total, as cidades de Sumaré, Hortolândia, Monte Mor, Nova Odessa e Paulínia registraram a abertura de 1.357 novas empresas nos oito primeiros meses deste “ano da pandemia” de Covid-19, perante 1.747 em 2019.
As maiores reduções no ímpeto dos empreendedores foram em Sumaré (redução de 29,8%) e Hortolândia (redução de 29,7%), mas todas as cinco cidades viram reduções na abertura de novos negócios formais. É como se, neste ano, 390 novos negócios tivessem deixado de ser registrados na Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo), de onde vêm os dados utilizados para esta reportagem.
Há uma boa notícia contida nos números da Junta Comercial, no entanto: especificamente em agosto deste ano, a abertura de novas empresas na microrregião cresceu 5,4%. Foram registrados 272 novos negócios, contra 258 no mesmo mês de 2019. Destaque para Monte Mor, que viu dobrar o total de novas empresas no mês passado, com relação a agosto de 2019: de 15 para 30, segundo a Jucesp. Mesmo assim, Hortolândia e Nova Odessa “abriram” menos negócios mês passado, na mesma comparação (veja quadro abaixo).

AJUDINHA
Recentemente, a Jucesp dispensou o pagamento da tarifa para abertura de novas empresas no Estado. A iniciativa passou a valer no dia 25 de agosto e está disponível para todos os tipos jurídicos por 60 dias, até o dia 23 de outubro. A medida faz parte do plano de retomada econômica para impulsionar ainda mais o empreendedorismo e estimular a Economia paulista, atenuando os impactos na geração de emprego e renda decorrentes da pandemia do novo coronavírus.
“Os números são macrose positivos, pois refletem a força do estado de São Paulo em se reinventar para contornar as mazelas causadas pela pandemia. Isso denota a resiliência e força do empreendedorismo paulista para se reerguer mesmo diante do cenário qual estamos vivendo”, ressaltou o presidente da Junta, Walter Ihoshi.
A suspensão da cobrança vale para empresas classificadas como Limitada (Ltda), Empresário Individual por Responsabilidade Limitada (Eireli), Sociedade Anônima (S/A), Empresa pública, Empresário Individual (EI) e Sociedade Cooperativa.
“A iniciativa do Estado é contribuir, principalmente, com as pessoas que mais sofreram o desemprego provocado pela pandemia, mas encontraram alternativas e se reinventaram no mercado abrindo seus próprios negócios. As micro e pequenas empresas contribuem de forma decisiva para a geração de emprego e renda em São Paulo e vão gerar novas oportunidades para empreendimentos futuros”, apontou o Governo em nota.

ATENDIMENTO
Os serviços da Junta Comercial estão disponíveis pela internet, como acesso ao integrador estadual, consulta de processos, solicitações gerais e certidões no site www.institucional.jucesp.sp.gov.br. Há também novos serviços para atendimento: o delivery, em que os documentos são enviados via Correios, e o drive-thru, com entrega diretamente na sede da Junta e em horário agendado via internet. Em ambos os casos, os usuários podem enviar os processos para abertura, alterações e baixas de empresas.

Renegociação de dívidas ajuda as empresas a não fecharem
O especialista em recuperação empresarial e advogado Felipe Granito, sócio do escritório GCBA Advogados Associados, acredita que número de empresas fechadas no Estado, no entanto, deve crescer nos próximos meses com as dificuldades financeiras que as empresas estão passando.
Para ele, a renegociação de dívidas feita de forma estratégica e assessorada pode evitar situações mais drásticas. “Uma empresa que tem uma dívida de até 15 vezes o faturamento mensal dela tem condições de negociar com o banco e se recuperar”, explica.
Foi o que aconteceu com uma empresa de revestimentos de Jundiaí, que viu a sua dívida de R$ 1 milhão ser quitada por R$ 35 mil – uma redução de 97%. Em outro caso, foi possível um acordo de uma dívida de R$ 66 milhões entre um cliente e várias instituições financeiras.
Responsável pelas ações, o advogado Felipe Granito explica que o êxito nos acordos está relacionado a uma série de fatores: “Um deles é a atuação abusiva dos bancos, que utilizam indevidamente o crédito rotativo da empresa para quitar parcelas que estão em débito automático. Com isso, a dívida do cliente com a instituição só aumenta. Esse tipo de cobrança tem sido reconhecida como ilícita pelo Judiciário”, comenta.
E, mesmo sendo o credor, o banco também tem interesses em abreviar a solução da dívida. Um deles é liberar o valor provisionado no Banco Central. Ao emprestar dinheiro, o banco é obrigado a provisionar no BC um percentual que pode chegar a 100% da quantia, conforme a classificação do crédito.
Granito explica, contudo, que nem sempre o acordo é possível. Uma aliança de fatores deve ser constatada, dentre elas o endividamento global da empresa em relação ao seu faturamento e o montante global da dívida, fazendo com que a empresa não precise se sujeitar a processos de recuperação judicial ou extrajudicial e recupere a sua saúde financeira sem se submeter a esses procedimentos muito mais agressivos e pouco eficazes.

Estado bate recorde histórico de abertura de empresas em agosto
Segundo a Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo), que é vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Governo do Estado, entre os meses de janeiro e agosto de 2020, o Estado de São Paulo bateu seu recorde histórico de abertura de empresas no mês de agosto, com o maior número em 22 anos. No total, foram 22.825 novos registros na Junta Comercial paulista no último mês. É a maior marca alcançada desde 1998, de acordo com dados levantados pela Jucesp, responsável pelos registros mercantis.
Foi também a quarta alta seguida no número de abertura de empresa em São Paulo desde abril, “quando foi perceptível a desaceleração devido à pandemia” de Covid-19 e à quarentena. O número também é o maior no ano e supera o mês de julho, quando foram registradas 21.788 constituições.
“Este é o resultado do empenho de todos os setores na retomada econômica. Estamos focados em gerar empregos e facilitar a criação de novos negócios. São essas iniciativas que visam estimular novos empreendedores e a economia”, destaca a secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Patricia Ellen.
O mês de agosto também quebrou o recorde do ano em relação ao saldo líquido (empresas abertas menos empresas fechadas), com 11.614 empresas. No ano passado, a Junta Comercial do Estado de São Paulo tinha registrado a abertura de 222.699, que já era o maior recorde de abertura de empresas da história do Estado nos últimos vinte anos.

Domingo, 13 de Setembro de 2020

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