Subsede do Apeoesp lança campanha contra o retorno de aulas presenciais

Iniciativa conta com painéis publicitários instalados em Sumaré e Hortolândia, postagens e redes e mensagens de WhatsApp

Desde o final da última semana, quem passa pelas avenidas da Amizade, na região de Nova Veneza, em Sumaré, e na Emancipação, região central de Hortolândia, se depara com dois outdoors com a seguinte frase: “Volta às aulas não. Comitê em Defesa da Vida – Sumaré/Hortolândia”. Trata-se de uma campanha do Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) contra a possibilidade de retorno gradual dos alunos às escolas da Rede Estadual já a partir do próximo dia 08 de setembro, diante do risco de contaminação pelo novo coronavírus, causador da Covid-19.
A iniciativa inclui ainda a distribuição de panfletos e postagens em redes sociais e distribuídos via WhatsApp.
No último dia 19, o Estado confirmou que a previsão é que as escolas públicas e privadas paulistas possam reabrir parcialmente para aulas de recuperação a partir de 08 de setembro, e para aulas normais a partir de 07 de outubro – ainda que com ocupação reduzida e diversas regras de distanciamento e higiene.
Na área do Jornal Tribuna Liberal, são cerca de 60 mil alunos matriculados na Rede Estadual, distribuídos em 84 EEs (Escolas Estaduais). Apenas na área da Direção de Ensino de Sumaré, são 67 escolas em três municípios (Sumaré, Monte Mor e Hortolândia), nas quais estudam 49,5 mil alunos – que estão sem aulas presenciais desde março.
Segundo Roberto Polle, coordenador da Subsede de Sumaré e Hortolândia do sindicato, a maioria dos professores do Estado entende que ainda não é o momento para a volta dos estudantes às EEs. Ainda assim, na última sexta-feira (21/08), a Secretaria Estadual de Educação promoveu um “dia D” online de trabalho pedagógico detalhando um plano de ação “já pensando nessa recuperação (a partir de 08/09)”.
“Professores de todo o Estado discutiram essa data de retorno, quem pode voltar, quem não pode. Temos professores acima dos 60 anos, outros com doenças pré-existentes, que não vão poder retornar. Toda a comunidade escolar, inclusive os alunos e suas famílias, está discutindo essa questão do retorno, que o Governo aponta para setembro”, explicou o dirigente.
“Mas é uma questão de segurança. Não temos segurança para o retorno, porque não existe uma vacina, não existe redução de número de casos, a contaminação ainda está bem alta, tem muita gente assintomática. O retorno à escola, nesse momento, não é ruim só para o professor, é ruim para o aluno também, que vai ter contato com outras crianças, que vai levar o problema para casa, onde tem avôs, tias, mães, pessoas mais velhas – todas de grupos de risco”, justificou Polle.
Para ele, “o Governo está promovendo a reabertura da Economia, mudando as regiões de fase mesmo com mais de mil mortes por dia no país, mas ainda não temos redução expressiva de casos”. “Temos um número alto de novas contaminações diárias, e isso (a volta das aulas) é um problema que pode fazer com que aumente a pandemia. Já tivemos experiências de outros lugares do mundo onde o pessoal voltou e está revendo essa decisão, como na França, na Alemanha. É um problema bastante sério, não podemos colocar a vida das pessoas em risco”, afirmou.

PEQUENOS
Segundo Polle, a situação é ainda mais preocupante na pré-escola e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. “O aluno é uma criança, não fica quieto. Mesmo a sala com 30% da capacidade, eles não têm essa noção (de manter o distanciamento). Já tivemos experiências de entrega de materiais nas escolas onde foi feito todo um protocolo, marcação no chão, distanciamento, mas a molecada vai acompanhando os pais e temos que ficar chamando a atenção, eles aglomeram, vão no mesmo espaço. Dentro da sala, não acreditamos que será diferente”, disse.
Ele acrescenta à lista de situações de risco o intervalo, a distribuição e consumo da merenda e a ventilação das salas de aulas. “Muitas escolas estaduais têm construção muito antiga, com ventilação precária, é complicado. Por isso o Sindicato está fazendo essa campanha contra o retorno presencial das aulas enquanto não se tem uma vacina para a Covid-19 e enquanto os índices de contaminação continuam elevados”, justifica.
Por fim, segundo Roberto Polle, a preocupação dos professores do Estado se estende também ao início do ano letivo de 2021. “Não vai ser diferente, não acredito que vai ter vacina até lá, será impossível voltarmos com 40 alunos na sala”, finalizou.

Quarta-feira, 26 de Agosto de 2020

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