Poesia: Espetáculo ‘A Menina e o Tempo’

A vida é um mistério…
Parece normal não lutar pelos sonhos, sentar e esperar que um dia as coisas aconteçam.
Infelizmente o tempo corre contra a gente e não podemos pará-lo nem voltá-lo. Palavras ficam jogadas ao vento, como folhas jogadas no chão. E impiedoso, o vento sopra e manda as folhas de um lado para o outro sem sentido algum…
Assim a nossa vida:
Amanhece… anoitece… e eu aqui no mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas… enquanto a vida pulsa lá fora…
Permito-me pensar que na minha vida nada acontece, oportunidades de mudanças vem e vão, mas me falta atitude, coragem e força de vontade para mudar. Talvez, lá no fundo, eu não queira mudar. Talvez eu queira mesmo seja que as pessoas mudem tudo por mim.
Espero atitude…
Sim… atitude dos outros…
E o Tempo passa.
E as pessoas, assim como eu, também querem, mas igualmente não sabem se querem e nem o quanto querem.
Sobre o amor, quem sabe o destino me preparou para uma pessoa especial que ainda não chegou à minha vida, ou talvez esteja me moldando para aceitação de quem realmente sou e me preparando para uma velhice solitária…
Sim. O Tempo é cruel. E quando você menos espera seu tempo aqui já acabou sua vida finalizou e seus sonhos ficaram presos no tempo, sem ter como voltar, e no abismo do marasmo, esperando sua passagem de ida sem volta.
No momento da minha morte pegarei na mão de alguém, sem saber quem é, porque afinal, deixei minha vida passar, e a falta de atitude tomar conta de mim…
Então segurarei a minha própria mão e sentirei meu corpo abandonar todos os meus sonhos…
Sinto uma profunda tristeza de deixar tudo que mais queria… Tudo preso ali, naquele tempo.
E no último suspiro vejo então o filme da minha vida:
Vejo todas as oportunidades de mudança que deixei passar…
E só então realmente vejo que a todo o momento o Tempo estava me mostrando o caminho certo e me apresentando inúmeras oportunidades…
Mas tudo está perdido agora.
Perdido porque preferi ficar parada e não fazer absolutamente nada.
Acreditei que dor de ser humano fosse a pior dor que existe que sofremos quando nascemos, sofremos quando estamos em fase de crescimento, sofremos quando nos tornamos adultos, sofremos para lidar com as emoções, com as frustrações, com as angústias, com a falta do perdão, com a falta de carinho e de compreensão e com a falta de paciência e de amor…
Preferimos pensar que somos eternos sofredores e que nada nos faz parar de sofrer, até que a doença chegue e nos faça perceber que somos fracos e vulneráveis. Aí percebemos que nada adiantou o sentimento de raiva, de rancor, de vingança, de inveja.
Hoje vejo que a dor nos fez perceber quanto tempo foi perdido com sofrimento desnecessário, porque eu era saudável e já tinha tudo para ser feliz e não soube dar valor.
Não amei as pessoas como deveria, não dei meu tempo para minha família e amigos, não perdoei, guardei magoas e não compreendi o próximo. E então vejo que a chance passou e que agora só me resta aceitar o fim.
Ahh se o arrependimento de tudo fizesse valer a pena!
Desde o sorriso que não despertei, do perdão que não pedi, da magoa pelo perdão que não recebi… Pergunto agora a vocês: quem vai sentir sua falta quando você se for?
Somente quem você fez sorrir, ajudou, compreendeu e perdoou…
Ahhh se eu pudesse voltar o tempo!
Quanta coisa poderia ser diferente!…
Agora chegou o fim. Nada mais pode ser feito!
Parece que foi ontem…
O Tempo passou e a menina que eu era se foi… E hoje, só apenas um suspiro me restou!

Ana Paula Fávaro | Curitiba/PR

Sábado, 15 de Agosto de 2020

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