Secretários da RMC querem EPIs para retorno de aulas presenciais

Governo anunciou retorno para 07 de outubro, mas municípios têm autonomia para definir datas próprias

A Câmara Temática de Educação deve protocolar nesta terça-feira (11/08) no Conselho de Desenvolvimento da RMC (Região Metropolitana de Campinas) um documento com “ponderações” em relação à possibilidade de retomada das aulas presenciais nas Redes Municipais já nos próximos meses, conforme cogita o Governo do Estado. O principal ponto do documento “coloca em xeque” a capacidade das prefeituras de comprar EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para professores e equipes de apoio, além da implantação de mecanismos que garantam a segurança de alunos e funcionários.
O texto foi aprovado na segunda-feira (10/08), durante reunião online de secretários municipais convocada pela coordenadora da câmara temática (e secretária de Educação de Nova Odessa), Claudicir Brazilino Picolo.
Na última sexta-feira (07/08), o governador João Doria (PSB) anunciou que a retomada das aulas presenciais na Rede Estadual de Ensino vai acontecer apenas no dia 07 de outubro, e não mais em 08 de setembro, como planejado anteriormente.
Ainda assim, para que essa previsão se concretize, é necessário que o Estado esteja por 28 dias na “fase amarela” do Plano São Paulo. O retorno será gradual e, na primeira etapa, vai atingir até 35% dos alunos. É possível que as redes municipais sigam o calendário do Estado, mas os prefeitos têm autonomia para divergir e adotar outras datas.
No encontro virtual, os secretários de Educação da RMC (que inclui as cidades de Sumaré, Hortolândia, Monte Mor, Nova Odessa e Paulínia) analisaram os pontos discutidos na reunião do último dia 28/07 e formataram o documento que deverá ser avaliado agora pelos prefeitos.

EPIS PARA TODOS
“Há grande preocupação entre os secretários de Educação em relação à disponibilidade financeira e se há tempo hábil para aquisição de equipamentos, pois sabemos da dificuldade de encontrar esses itens no mercado, dada a enorme procura em todo país e no mundo”, afirmou a coordenadora da Câmara Temática.
Outro ponto inserido no documento é a defasagem dos quadros de servidores em todos os municípios da Região Metropolitana. “Temos sérias dúvidas se o número de funcionários nas escolas seria suficiente para a retomada das aulas presenciais com a segurança necessária, uma vez que aproximadamente 30% deles fazem parte de grupos de risco e não voltariam ao trabalho nesse momento”, observou Claudicir Picolo.
O exponencial aumento da circulação de pessoas nas cidades, em razão do retorno das aulas presenciais, também está entre as ponderações assinadas pelos secretários. De acordo com o documento, a situação seria contraditória às recomendações de isolamento social do Ministério da Saúde e da OMS (Organização Mundial de Saúde).
No documento, segundo a coordenadora, os secretários pedem para que os prefeitos se reúnam em caráter extraordinário, avaliem os apontamentos e se manifestem. “Não é relatório com parecer pela volta ou não das aulas presenciais. É um documento que pondera e traz considerações para subsidiar e auxiliar os prefeitos na tomada da melhor decisão para os municípios”, ressalta a coordenadora.
Claudicir reforça que “a pluralidade de olhares e o embasamento em informações comprovadas são fundamentais para a formulação de uma solução que atenda às necessidades da RMC”.

Terça-feira, 11 de Agosto de 2020

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