Os trabalhadores da montadora Fiat Chrysler Automobiles constroem um modelo Argo 2020, em meio à disseminação da doença por coronavírus (COVID-19), na fábrica de montagem em Betim

Covid é responsável por 4 de cada 10 empresas com atividades encerradas

1,3 milhão de empresas estavam com atividades encerradas temporária ou definitivamente na 1ª quinzena de junho no país

Entre 1,3 milhão de empresas que na primeira quinzena de junho estavam com atividades encerradas temporária ou definitivamente, 39,4% apontaram como causa as restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus. Esse impacto no encerramento de companhias foi disseminado em todos os setores da Economia, chegando a 40,9% entre as empresas do Comércio, 39,4% dos Serviços, 37,0% da Construção e 35,1% da Indústria.
As informações são da nova Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas, divulgada no último dia 16 de julho, que integra as estatísticas experimentais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A pesquisa ouviu 2 mil empresas por telefone, a partir de 15/06.
Entre 2,7 milhões de empresas em atividade, 70% reportaram que a pandemia teve um impacto geral negativo sobre o negócio e 16,2% declararam que o efeito foi pequeno ou inexistente. Por outro lado, 13,6% afirmaram que a pandemia trouxe oportunidades e que teve um efeito positivo sobre a empresa.
Por segmento, o maior percentual de empresas em que a pandemia tem tido efeito negativo está no setor de Serviços (74,4%), seguido por Indústria (72,9%), Construção (72,6%) e Comércio 65,3%.
“Os dados sinalizam que a Covid-19 impactou mais fortemente segmentos que, para a realização de suas atividades, não podem prescindir do contato pessoal, tem baixa produtividade e são intensivos em trabalho, como os serviços prestados às famílias, onde se incluem atividades como as de bares e restaurantes, e hospedagem; além do setor de construção”, explica Alessandro Pinheiro, coordenador de Pesquisas Estruturais e Especiais em Empresas do IBGE.

PEQUENAS
Para sete em cada dez empresas em atividade, a pandemia implicou diminuição sobre as vendas ou serviços comercializados na primeira quinzena de junho, em relação ao período anterior ao início da pandemia. O impacto foi maior entre as companhias de pequeno porte, com até 49 funcionários, em que 70,9% reportaram redução nas vendas.
Mas também foi percebido por 62,9% das empresas do porte intermediário (entre 50 e 499 pessoas ocupadas) e 58,7% das empresas de maior porte (acima de 499 funcionários). Entre os setores, a redução nas vendas foi maior na construção (73,1%) e nos serviços (71,9%), especialmente os serviços prestados a famílias (84,5%) e no comércio (70,8%) com destaque para a comercialização de veículos, peças e motocicletas (75,5%). Na indústria 65,3% das empresas reportaram redução nas vendas.
Cerca de 60% das empresas relataram maior dificuldade na capacidade de fabricar produtos e de atendimento aos clientes durante a primeira quinzena de junho, em relação ao período anterior ao início da pandemia – reportado por 67,2% das empresas do Comércio, 65,5% da Construção Civil e 59,5% dos Serviços.
Outras 60,8% revelaram ter tido dificuldade no acesso aos fornecedores, com impacto maior no Comércio (74,0%) especialmente na comercialização de veículos, peças e motocicletas (87,4%). Na Indústria, esse impacto foi reportado por 62,7% das empresas em funcionamento.
Para 63,7% das empresas em atividade houve dificuldades em realizar pagamentos de rotina em relação ao período anterior a pandemia, sendo que essa dificuldade atingiu 64% das empresas menores e 35,6% das de maior porte.
“Essas dificuldades foram bastante disseminadas pelos setores, chegando a sete em cada dez empresas do Comércio, e seis em cada dez da Indústria e dos Serviços. Mas vale ressaltar que 33% do total de empresas em operação não reportaram alteração significativa, ou porque já conseguiram retomar suas atividades e receitas ou tinham uma boa reserva e continuam com fluxo financeiro para realizar os pagamentos”, destaca o coordenador de Pesquisas Estruturais e Especiais em Empresas, Flávio Magheli.

Domingo, 2 de Agosto de 2020

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