Secretários apontam ‘fragilidades’ em eventual volta às aulas já em setembro

Câmara Temática de Educação da RMC avalia protocolos necessários e aponta dificuldades para eventual retomada

Os secretários de Educação da RMC (Região Metropolitana de Campinas) preveem uma “série de fragilidades” nas respectivas Redes Municipais caso as aulas presenciais sejam realmente retomadas no próximo dia 08 de setembro, conforme foi anunciado pelo Governo do Estado no último dia 17/07. A principal delas é a dificuldade para criar ambientes seguros nas escolas em meio à queda na arrecadação que atinge as prefeituras, também em decorrência da pandemia de Covid-19.
A previsão do Governo aponta para o retorno das aulas presenciais no dia 08/09, mas isso deve ocorrer somente se as regiões do Estado permanecerem na “fase amarela” do Plano São Paulo – a terceira menos restritiva, segundo critérios de capacidade hospitalar e progressão da pandemia de Covid-19 – por 28 dias consecutivos. Ou seja, a RMC precisaria “subir de fase” (atualmente está na laranja) até o próximo dia 10 de agosto.
O assunto foi discutido na manhã de terça-feira (28/07) durante reunião virtual da Câmara Temática de Educação do Conselho de Desenvolvimento da RMC, convocada pela coordenadora do colegiado (e secretária de Educação de Nova Odessa), Claudicir Brazilino Picolo.
Os apontamentos feitos pelos secretários serão reunidos em um relatório que será apresentado em breve aos prefeitos do Conselho de Desenvolvimento. “A ideia é dar subsídios para que os prefeitos possam, junto com os secretários e com base nos protocolos e orientações da Secretaria Estadual de Educação, tomar decisões mais seguras e favoráveis às crianças”, adiantou Claudicir.
No encontro online, que teve caráter extraordinário e contou com a participação de 16 dos 20 municípios do grupo metropolitano, os gestores avaliaram os protocolos necessários e apontaram as dificuldades para a implantação de uma eventual retomada.
“Um dos pontos que discutimos foi a preparação das escolas para garantir a oferta de ambientes seguros aos alunos, sem risco de contágio. Para isso, é necessário adquirir equipamentos com pouca disponibilidade no mercado, portanto com preços altos, e os Municípios (Prefeituras) estão com as arrecadações comprometidas”, afirmou a coordenadora da Câmara Temática.
Outra preocupação compartilhada pelos representantes é a dificuldade de adaptação dos alunos a uma nova realidade, “cheia de restrições”. “Os secretários apontaram a dificuldade de atendimento de protocolos de higiene com crianças da Educação Infantil, principalmente da creche e pré-escola, que encontram dificuldade para desenvolver hábitos de prevenção à Covid-19, como distanciamento e lavagem frequente das mãos”, disse Claudicir.
Os gestores também manifestaram preocupação com professores e demais servidores da Educação que, numa eventual retomada em setembro, precisarão estar protegidos. “Docentes e membros de equipes de apoio estarão em contato com crianças de todas as regiões de suas respectivas cidades o tempo todo e precisarão usar EPIs (equipamentos de proteção individual). Essa despesa precisa entrar no planejamento das prefeituras, pois essa proteção é fundamental para ambas as partes”, argumentou a coordenadora.
A situação dos quadros de funcionários das Redes Municipais de Ensino também é motivo de preocupação. “Muitos municípios apontam que aproximadamente 30% do total de servidores da Educação não retornariam ao trabalho por fazerem parte de grupos de risco. Diante disso, seriam necessárias eventuais substituições para que as crianças tenham o cuidado exigido nesse momento de pandemia”, explicou a coordenadora.

Sindicatos dos professores estaduais também é contra retomada das aulas
O Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) também já se posicionou contra a retomada das aulas presenciais na Rede Estadual paulista neste momento. Nesta quarta-feira (29/07), inclusive, a entidade de classe promove manifestações na forma de carreata nas diversas regionais do Estado contra a possibilidade, que deve terminar no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado.
Na área de cobertura do Jornal Tribuna Liberal, são cerca de 60 mil alunos matriculados na Rede Estadual, distribuídos em 84 EEs (Escolas Estaduais). Apenas na área da Direção de Ensino de Sumaré, são 67 escolas em três municípios (Sumaré, Monte Mor e Hortolândia), nas quais estudam 49,5 mil alunos.
O Sindicato aponta que o objetivo “é dizer claramente ao governador do Estado que não aceitamos a volta às aulas presenciais de forma irresponsável e precipitada em 2020”. “A greve está em debate na nossa categoria. Vamos cobrar um isolamento social horizontal total, com segurança sanitária e alimentar para toda a população”, aponta o Apeoesp.
“Não existe ano perdido se salvamos vidas. E devemos informar a todos que pesquisa do Instituto Datafolha realizada no final de junho mostrou que 76% da população brasileira é contra a volta às aulas presenciais. Além disso, as escolas não possuem as mínimas condições de garantir a vida de todos, pois não têm funcionários e sequer material básico como papel higiênico”, reclamou a entidade de classe – que levou a reclamação sobre o caso à OMS (Organização Mundial de Saúde).

Quarta-feira, 29 de Julho de 2020

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