RMC perde 4,5 mil bares, lanchonetes e restaurantes, além de 22 mil empregos

Associação Brasileira de Bares aponta como causas não apenas a quarentena, mas também a falta de linhas de crédito ao setor

Até o início da semana, as 20 cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas) viram o fechamento de 4,5 mil bares, lanchonetes e restaurantes, com a perda de 22 mil postos de trabalho. É o que mostra o mais recente levantamento da Abrasel RMC (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes da Região Metropolitana de Campinas) junto a empresários do setor de Alimentação Fora do Lar, realizado entre 07 a 13 de julho. Desse total, estima-se que 50% tenha “quebrado” em Campinas, e o restante nas demais cidades.
Os principais motivos para a hecatombe, segundo a entidade de classe, é não apenas a impossibilidade de funcionamento pleno destes estabelecimentos desde 23 de março, quando teve início a quarentena no Estado de São Paulo (que vetou o atendimento presencial aos clientes), mas também a dificuldade de obtenção de financiamento bancário.
“Com atendimento presencial suspenso desde março por conta da pandemia de coronavírus, o setor de Alimentação Fora do Lar na RMC, ainda na fase vermelha (do Plano São Paulo), continua sendo fortemente impactado. Sem vendas, caixa e financiamento bancário, os bares e restaurantes, responsáveis por 35% do PIB (Produto Interno Bruto) regional da área de Turismo, ampliaram o número de demissões de 15 mil para 22 mil no período de um mês. O número de estabelecimentos com operações encerradas também saltou de 2,4 mil para 4,5 mil, de acordo com os dados apurados”, aponta a Abrasel.
De acordo com a pesquisa, o número de pessoas demitidas representa 36,8% dos postos de trabalho existentes neste setor na Região Metropolitana. “Para os empresários, este percentual poderá aumentar ainda mais nas próximas semanas, passando para 50,4% (cerca de 30 mil, dos quais 15 mil só na cidade de Campinas), caso tenham de manter as portas fechadas”, alerta a entidade.
O levantamento também revela outro dado preocupante, segundo a Abrasel RMC: com dificuldades financeiras para manter a casa aberta e dívidas, o número de bares e restaurantes fechados passou de 2,4 mil na última pesquisa, realizada há um mês, para cerca de 4,5 mil agora.
Além das dificuldades atuais e sem horizonte para reabertura, o setor também deve demorar para se recuperar. Uma pesquisa recente divulgada pela IPC Maps indicou uma queda de 39,91% na expectativa de consumo com alimentação fora do lar neste ano.
Os novos números de demissões e negócios fechados foram apresentados na manhã de terça-feira (14/07) ao prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB, também presidente da FNP – Frente Nacional de Prefeitos), durante encontro com o conselho da Abrasel RMC, com cerca de 20 empresários e representantes do Sinhotel (Sindicato dos Trabalhadores da categoria).
“Levamos estes números ao prefeito para mostrar a real dificuldade que o setor vem passando na região, um momento dramático não apenas para os empresários, mas também para os funcionários e seus familiares”, explica Matheus Mason, presidente da Abrasel RMC.

REABERTURA
JÁ Na reunião online, o setor reivindicou ao prefeito a “urgência da reabertura dos estabelecimentos, como já vem ocorrendo em grande parte do Brasil e no próprio Estado, de forma criteriosa e com maior período de atendimento ao público, para evitar aglomerações”.
“Abrir apenas de quatro a seis horas só vai provocar aglomerações e inviabilizará a abertura da grande maioria dos estabelecimentos, pois com estas restrições não haverá equilíbrio econômico para reabertura. A conta já não fechava e desta maneira vai piorar, quebrando mais empresas”, explica Mason.
O dirigente diz ainda que já existem outros municípios no Estado de São Paulo “que estão indo contra os critérios do Plano São Paulo e reabrindo com regramentos e condições mais consistentes, viabilizando a volta da atividade com segurança para a população e funcionários e salvando empresas e empregos”.

Domingo, 19 de Julho de 2020

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