Consumo de alimentação fora do lar deve cair quase 40% na RMC em 2020

Pesquisa aponta que R$ 2,38 bi deixarão de ser gastos neste ano em comércios como bares, restaurantes e padarias

A pandemia do novo coronavírus deve impactar fortemente o consumo na RMC (Região Metropolitana de Campinas) neste ano. Um estudo que acaba de ser divulgado pela empresa IPC Maps estima que as famílias da região devem gastar, em 2020, nada menos que R$ 91,8 bilhões, contra os R$ 97,1 bilhões utilizados em 2019 para compras diversas. Esta queda nos gastos terá um “forte reflexo” nas vendas de alimentos para consumo em casa e fora do lar (como em bares e restaurantes, fechados para atendimento presencial há mais de 90 dias por conta da quarentena).
Segundo o levantamento, a expectativa é de que o consumo com alimentação fora do lar neste ano atinja R$ 3,57 bilhões, inferior aos R$ 5,95 bilhões de 2019 – perfazendo uma queda de 39,91% no ano, ou R$ 2,38 bilhões a menos gastos em bares, restaurantes e lanchonetes.
O novo estudo apenas confirma previsão anterior Abrasel RMC (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes da Região Metropolitana de Campinas). No início de maio, a entidade já apontava que o setor de alimentação fora do lar, formado por bares, restaurantes, padarias e afins da Região Metropolitana já amargava um prejuízo de R$ 366,4 milhões desde o início do isolamento social para conter o avanço da pandemia da Covid-19.
O valor do prejuízo correspondia a uma queda média de 85% no movimento e faturamento dos estabelecimentos – que ainda não puderam retomar totalmente as atividades mesmo com o Plano São Paulo. Até o último dia 27 de abril, a pandemia já tinha provocado o fechamento de 20% dos 12 mil estabelecimentos existentes na RMC antes do início da crise, além de provocar o corte de 15 mil postos de trabalho.
O dado regional é sintomático também para o restante do país. Com 1.129.260 domicílios, a RMC responde por 2,05% do consumo nacional. A região ocupa a sétima posição no ranking nacional e o 2º lugar no Estado de São Paulo, com um PIB (Produto Interno Bruto) per capta “urbano” de R$ 27.698,47.
Com a pandemia do novo coronavírus, o consumo das famílias brasileiras ficará comprometido ao longo de 2020, se igualando aos patamares de 2010 e 2012, descartando a inflação e levando em conta apenas os acréscimos ano a ano.
No Brasil, a projeção é uma movimentação de cerca de R$ 4,4 trilhões na Economia — um crescimento negativo de 5,39% em relação a 2019 —, a uma taxa também negativa do PIB de 5,89%. A previsão é do estudo IPC Maps 2020, especializado há mais de 25 anos no cálculo de índices de potencial de consumo nacional, com base em dados oficiais.

‘DÉJÀ-VU’
Segundo Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, esse crescimento negativo após a pandemia cria um efeito déjà-vu, já que a Economia “retomará os índices dos últimos anos em que houve um progresso vigoroso”.
O especialista ressalta que no início de março, antes desse cenário de pandemia e isolamento social, “a previsão do PIB para 2020, conforme o Boletim Focus do Banco Central, era de +2,17%, o que resultaria numa projeção do consumo brasileiro da ordem de R$ 4,9 trilhões, superando os R$ 4,7 trilhões obtidos no ano passado”.
“Os números da pesquisa estão em linha com as projeções iniciais do nosso setor”, admite o presidente da Abrasel RMC (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes da Região Metropolitana de Campinas), Matheus Mason. “Em três meses de quarentena, que representam 25% do ano, já tivemos uma queda de 20% na região”, afirma.
Mason lembra, ainda, que no início deste ano, antes da pandemia, as projeções da entidade apontavam para uma leve recuperação, iniciada no final de 2019. “Para atenuar esta retração forte, precisaremos, mais do que nunca, de políticas de incentivos que cheguem aos pequenos negócios, linhas de crédito e reformas estruturantes”, acredita. “Estas três ações vão ser fundamentais para que o setor volte a contratar, reduza seus custos operacionais e gere vendas quando esta crise econômica e sanitária terminar”.
O foodservice no Brasil é formado por cerca de 1,3 milhão de estabelecimentos, 6 milhões de empregos diretos, 1,5 milhão de empresários, R$ 185 bilhões em compras de ingredientes (sell-in) e R$ 461 bilhões em vendas (sell-out).

Domingo, 28 de Junho de 2020

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