Quarentena é hora para as empresas ‘se reinventarem’, afirma especialista

Atendimentos presenciais podem não retornar mais devido à mudança de comportamento mesmo após o período de término da pandemia

A quarentena estabelecida por conta da pandemia da Covid-19 forçou as empresas a se reinventarem, mas não fecharem de vez, as portas. Alguns setores na área de alimentação podem não retornar mais, nos padrões antigos. A análise é do engenheiro, com MB em Gestão de Negócio da Humano Mais, Fábio Seghese.
O especialista recomenda que as empresas aprendam a desenvolver um “foco duplo”. “Todo empreendedor agora tem que pensar suas estratégias com o foco interno, ou seja, olhando para dentro do seu negócio, e outro foco externo. Imaginando que você já tenha feito toda a lição de casa inicial, ou seja, já organizou o caixa, renegociou contratos, cortou todos os custos possíveis, e cuidou do bem-estar da equipe, agora é hora de pensar na retomada”, afirmou Seghese.
Segundo ele, é fundamental repensar toda a estratégia, já que, independente do ramo, o mercado mudou, e talvez para sempre. Nessa etapa, o foco interno deve estar sobre o desenvolvimento das pessoas, buscando, por exemplo, capacitar a equipe em novas competências que serão necessárias de agora em diante. E no foco externo, avaliar os investimentos em marketing, estratégia digital, explorando novos canais de comunicação com o público, por exemplo, sempre pensando em como levar o produto, a mensagem, até a casa das pessoas, pensando num futuro cada vez menos presencial.

QUARENTENA
Outra questão importante será como estreitar relações com os clientes em tempos de quarentena, em que grande parte dos estabelecimentos comerciais estão fechados.
“É preciso apostar na humanização. Use as mídias sociais para mostrar que sua empresa está solidária com os afetados, e não pensa só em dinheiro nessa hora. E explique como pretende ajudar colaboradores, clientes e parceiros a atravessar o momento. Se for possível fazer algo prático por seus clientes, como entregar seus pratos favoritos em suas casas, dar descontos para compras futuras, enviar vouchers, qualquer ação nesse sentido gera fidelização nesse momento. Mas cuidado com exageros, as pessoas percebem a diferença entre comunicação sincera e manipulação”, afirmou Seghese.
Ele afirmou ainda que é fundamental sinalizar que a empresa tomou posse da situação, está agindo de forma proativa e fazendo o que é necessário para continuar entregando valor aos seus clientes.
“Pense que uma pizzaria nos Estados Unidos percebeu que seus fornos serviam para moldar peças plásticas, ou empresas de bebida alcoólica começaram a produzir álcool gel, e fábricas de vestuário estão fabricando máscaras, por exemplo. Pense nos seus pontos fortes, nos seus diferenciais, nos seus recursos tangíveis e intangíveis, e como usá-los de forma criativa nesse momento”, afirmou.
Outra ideia é liberar cursos gratuitamente, ensinar alguns dos segredos, melhorar os pacotes de assinatura, oferecer bônus, “combos”. “Isso cria fidelização e indicações, o famoso “boca a boca”, agora mais importante do que nunca”, enfatizou o especialista. O direcionamento dos clientes para os canais online, caso ainda não estejam lá. Fisioterapeutas e academias de ginástica, por exemplo, estão atendendo de forma remota agora. Pode não apostar mais suas fichas no presencial, em algumas situações.

Domingo, 28 de Junho de 2020

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