Comerciante que não entregava carros vendidos é alvo de mandado de prisão

Advogado defende 90 clientes que teriam sido lesados pela Invest Motors de Sumaré e estima que “golpe” ultrapasse R$ 40 milhões

O proprietário da concessionária Invest Motors de Sumaré, José Adalberto de Carvalho, de 58 anos, teve mandado de prisão preventiva decretado pela Justiça no início de novembro deste ano. Até o final da tarde de terça-feira (27/11), ele continuava foragido. O comerciante responde a vários processos por estelionato e danos materiais, pois não teria entregado veículos comercializados pela loja, que ficava no Jardim Nova Terra, na região do Matão, em Sumaré. O advogado Daniel Neubauer, que defende um grupo com 90 clientes que teriam sido lesados, estima que o suposto golpe teria ultrapassado os R$ 40 milhões.
Neubauer criou nas redes sociais a página “Vítimas da Invest Motors”, que conta com 216 seguidores. O objetivo foi reunir pessoas que depositaram os valores combinados nas contas da empresa e que até agora não receberam os veículos prometidos.
“Através da página, fui procurado por outros clientes e advogados. Acredito que as pessoas lesadas já chegaram a 400 vítimas que compraram veículos com preços de R$ 9.000,00 a R$ 130 mil, mas que não receberam estes veículos”, comentou o advogado.
O defensor disse que, entre seus clientes, conseguiu duas sentenças com a penhora de bens do acusado. “Ele está respondendo a pelo menos 30 processos criminais e em nenhum deles compareceu nas audiências, seja (nas esferas) cível ou criminal. Meu entendimento foi o mesmo que o do Ministério Público, pois o investigado fez apenas algumas entregas de carros para que conseguisse aplicar outros golpes. No entanto, tenho clientes, que foram seus ex-funcionários, que acreditam que ele não conseguiu concluir a negociação devido aos resultados de maus investimentos”, ponderou o advogado.
Ele disse ainda que, além do empresário, outros três integrantes da família de Carvalho estão sendo investigados, mas ainda não tiveram mandados de prisões expedidos pela Justiça.
“O juiz entendeu que o investigado teria colocado as quatro empresas em nome dos seus familiares, que em tese foram usados no suposto golpe. Como ele foi o mentor de tudo, só o investigado teve o mandado de prisão decretado pela Justiça”, explicou Neubauer.

INVESTIGAÇÃO
O inquérito policial sobre o caso foi conduzido pelo delegado Marcelo Moreschi Ribeiro, que respondia pelo 4º Distrito Policial, no Matão, em Sumaré. Em março de 2017, um grupo com 15 pessoas procurou a Polícia Civil para denunciar a falta da entrega dos veículos comprados desde o ano anterior (2016). Segundo o boletim de ocorrência, as vítimas alegaram que efetuaram os pagamentos à vista, através de movimentação bancária, pelo preço abaixo de mercado, porque foram avisados que os carros tinham sido adquiridos por leilão ou apreensões de bancos.
Entre as vítimas está o guarda municipal G.B.N., de 55 anos, que comprou um Fiat Punto com aproximadamente 60% de desconto no valor de mercado através de transferência bancária.
O policial civil H.C.S., de 31 anos, pagou R$ 18 mil por um Honda City, que era estimado em média por R$ 33 mil, de acordo com a tabela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). “Recebi o anúncio dos veículos através de uma lista pelo WhatsApp. Fiz o negócio, mas depois do pagamento não consegui mais contato com os responsáveis”, relatou na época.
O vendedor V.S.J., 29 anos, disse que comprou um VW Fox ano 2013 por R$ 13 mil. “Depois que conclui o negócio, me arrependi, mas acabei sendo convencido pelos responsáveis pela loja. Fui avisado que deveria esperar o prazo de 90 a 120 dias, mas o prazo não foi cumprido. Aos poucos, fomos descobrindo que mais pessoas enfrentavam esse problema. Acabamos montando um grupo no WhatsApp que já tem quase 200 pessoas. Algumas são de outros Estados”, disse.

Advogada da família fala em ‘crise econômica’ e promete resolução
A defesa de José Adalberto de Carvalho, Nilcelia Aparecida de Carvalho, Ana Carolina de Carvalho e Eduardo Felipe de Carvalho informou na terça-feira (27/11) em nota que seus clientes “não estão foragidos e se encontram no Estado de São Paulo”.
“Devido à grave crise financeira que vem afetando a população durante os últimos anos, os acusados não conseguiram saudar parte dos compromissos relacionados com as atividades empresariais por eles exercidas. Em razão dessas dívidas, a família começou a sofrer graves ameaças, não restando outra alternativa senão a mudança discreta de domicílio com o fito (intenção) de proteger a integridade física e moral de todos os envolvidos”, informou a advogada Camila Cosco.
Tão logo seja a segurança restabelecida, (eles) se apresentarão para esclarecer todos os fatos. Por derradeiro, informa que todos os esforços para pagar as obrigações estão sendo feitos e que no decorrer da instrução processual tudo será esclarecido”, completou Camila.

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