‘Troca’ deOSSs deixa prontos-socorros de Hortolândia sem médicos na quinta

Motivo da “greve branca” dos médicos seria a falta dos pagamentos pela APGP (Associação Paulista de Gestão Pública), que deixou a gestão das unidades

Na primeira madrugada sob a gestão da nova OSS (Organização Social de Saúde) contratada pela Prefeitura de Hortolândia para administrá-las, as unidades de pronto atendimento da Rede Municipal de Saúde ficaram sem médicos. Pacientes que procuraram o pronto-socorro do Hospital Municipal Governador Mario Covas e as três UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) 24h da cidade a partir do final da noite da última quarta-feira (31 de outubro) encontraram os serviços “vazios”.
“Um conhecido foi agora de noite (0h30) no Hospital Mário Covas e não foi atendido, pois disseram que estavam de greve”, postou em um grupo de WhatsApp um cidadão de Hortolândia, no início da madrugada de quinta-feira (1º). “Mais cedo chegou já mensagem que os médicos na UPA do Amanda também não estavam atendendo”, acrescentou outro cidadão.
“Não estavam atendendo, não tinha médico”, comentou uma terceira pessoa. “Teve mudança de empresa gestora da Saúde em Hortolândia, mas não sei dizer se é esse o motivo”, ponderou outro usuário, ao que uma quinta pessoa comentou: “Como sempre, é a população mais pobre que sofre com essa falta de organização da Secretaria da Saúde”.
O motivo, segundo o Sindimed (Sindicato dos Médicos de Campinas e Região), foi uma greve dos próprios profissionais terceirizados que vinham trabalhando para a APGP (Associação Paulista de Gestão Pública), cujo contrato foi encerrado pela Prefeitura e que deu lugar ao Instituto Bom Jesus, com sede na cidade de Cianorte/PR. Eles teriam ficado com salários a receber da OSS que deixou a cidade.
O antigo contrato com a APGP, firmado em caráter emergencial no final de abril de 2017, previa a gestão da Rede de Urgência e Emergência da cidade e do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Os cerca de 100 profissionais terceirizados teriam entrado em greve.
“Os médicos da Rede Pública de Hortolândia anunciaram a paralisação dos atendimentos na noite desta quarta-feira (31/10) devido à falta de pagamento já durar dois meses. E, para piorar, não há qualquer garantia de que eles irão receber, pois a Organização Social APGP, que deve aos profissionais, foi descredenciada e não administra mais a Rede de Saúde (de Emergência) do Município”, apontou o Sindicato dos Médicos na quinta- -feira (1º).
Porém, segundo o Sindimed, a APGP teria recebido “todos” os repasses devidos pela Prefeitura, “só que deixou sem pagamento os médicos, que na sua totalidade são contratados na modalidade Pessoa Jurídica”. “Hoje (quinta, 1º/11), o Sindicato dos Médicos de Campinas e Região iria protocolar junto ao MPT (Ministério Público do Trabalho) um pedido de mediação emergencial para o caso. São mais de cem médicos que aderiram à paralisação. Até que haja alguma sinalização de pagamento, os atendimentos serão feitos somente em caráter de urgência e emergência”, completou a entidade de classe.
Em nota, a APGP confirmou que “não participa mais da administração das unidades de emergência de Hortolândia” e que “existem alguns problemas pontuais (com salários atrasados de médicos), cuja solução está bem próxima de acontecer, por conta de negociações em curso com a Prefeitura”. “Tão logo tenhamos uma posição mais concreta, informaremos esse veículo de imprensa sobre a mesma”.

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