Sindicato diz que estimulantes sexuais viram ‘moeda de troca’ em presídios

Apesar de ser proibida a entrada dos medicamentos, alguns visitantes tentam burlar a segurança levando-os dentro do corpo ou em alimentos

Antes de entrarem nos presídios os visitantes passam por uma rigorosa fiscalização para evitar a entrada de entorpecentes, aparelhos celulares, e mais recentemente estimulantes sexuais, que tem um dos nomes comerciais como “Viagra”. Como faz parte do “rol” de proibidos, os estimulantes passaram a ter um valor de “negociação” entre os presos e passaram a fazer parte de “moeda de troca dentro das penitenciárias. A afirmação é do Sindespe (Sindicato dos Agentes de Escolta e Vigilância Penitenciária do Estado de São Paulo).
O presidente do Sindespe, Antonio Pereira Ramos, disse que os estimulantes são usados como moeda de uso (ou troca), como acontece normalmente já que são utilizados entre os detentos. “Passa a fazer parte de uma espécie de comércio que acaba sendo realizado entre eles. Como são barrados nas visitas. Os medicamentos passam a ter um valor alto na negociação entre eles”, comentou Ramos.
Assim como acontece com os “maços de cigarro” que podem ser trocados por materiais de higiene, colchão um pouco melhor, entre outros itens, os estimulantes também passaram a ter um valor no “mercado” dentro da unidade prisional.
O presidente do sindicato disse que 90% dos visitantes são mulheres e, portanto são as mais procuradas principalmente pelas facções criminosas para entrar nas unidades não somente com os estimulantes, como também com outros produtos ilícitos. “A utilização do escâner corporal nas unidades ajuda na localização de produtos ou objetos ilícitos”, completou Ramos.

CASOS
Mesmo com o reforço da utilização do “escâner corporal” que praticamente fl agra qualquer objeto estranho, mesmo dentro do corpo, alguns visitantes tentam burlar a segurança. Uma das tentativas frustradas aconteceu no dia 12 de maio de 2018, quando a visitante M.H.S.C., de 52 anos e mãe de um preso, foi fl agrada com 15 comprimidos de estimulantes sexuais e R$ 145,00 em dinheiro escondidos em meio ao alimento que seria destinado ao seu filho. Após ser ouvida, ela teve seu ingresso impedido na Penitenciára 3, que faz parte do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia.
Nesse caso, a mulher chegou a ser encaminhada ao Plantão Policial de Hortolândia, onde prestou depoimento, na época ao delegado Luis Antonio Loureiro Nista, e posteriormente foi liberada.
No entanto, ela passa a ter o nome temporariamente no “rol” de visitantes das unidades prisionais, segundo determinação da SAP (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária), e o preso que receberia a “encomenda” responde processo disciplinar.
No mesmo dia, outras quatro mulheres foram surpreendidas tentando entrar na Penitenciária Odete Leite de Campos Critt er, a P2, que também faz parte do Complexo de Hortolândia – com itens proibidos. Além dos comprimidos de estimulante foram apreendidos R$ 145,00 em dinheiro e um microaparelho celular que tem quase o tamanho de uma tampa de caneta, além de drogas. As visitantes tentaram entrar com drogas ou microcelulares na vagina. Ainda teve um homem que tentou entrar na Penitenciária Feminina de Campinas com maconha escondida entre as fatias de um pão de forma, mas ao perceber que os agentes desconfiaram do alimento, saiu correndo, empurrando as pessoas que aguardavam na fila, e deixou o filho de 7 anos para trás.
A ação aconteceu do lado externo da unidade, os seguranças tentaram deter o infrator, mas não conseguiram porque o portão da subportaria estava aberto para entrada dos visitantes. Na ocasião, o Conselho Tutelar de Campinas foi acionado e a criança foi entregue à avó.

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