Alunos de escola estadual do Santa Clara acionam PM após assédio de traficantes

Segundo profissionais da EE Wadih Jorge Maluf, problema acontece há tempos; traficantes utilizam viela e chácara abandonada ao lado da unidade

Alunos da EE (Escola Estadual) Wadih Jorge Maluf tiveram que chamar a Polícia Militar após serem assediados por traficantes de drogas que atuam nas imediações da unidade, situada no Jardim Santa Clara, na região do Matão, em Sumaré, no final da manhã da última segunda-feira, 10 de setembro. A escola, uma das maiores da cidade, atende a cerca de 1.200 alunos, com turmas do 6º ano do Ensino Fundamental até o Ensino Médio, em três períodos.
Após receber a denúncia, uma guarnição da 2ª Companhia da PM conseguiu localizar e deter um dos suspeitos, um menor, com grande quantidade de entorpecentes já embalados para venda. Segundo a direção da escola, a presença de jovens traficantes no entorno é constante, tanto que já havia sido solicitado em agosto, via ofício, o incremento da Ronda Escolar no local.
Segundo o boletim de ocorrência da PM, por volta das 11h30 de segunda-feira, alunos da EE Wadih Jorge Maluf informaram que “indivíduos estariam indo na entrada e saída de alunos a fim de aliciar menores ao consumo de drogas”. Ainda segundo o registro oficial do caso, os suspeitos seriam oriundos dos condomínios Emílio Bosco e Serra Negra, que ficam próximos à unidade escolar.
“De posse dessas informações, efetuamos o patrulhamento no Condomínio Serra Negra, local já conhecido de venda e consumo de drogas, e no pátio interno do condomínio abordamos o menor R., que a demonstrou certo nervosismo. Foram encontradas 81 (embalagens de) substâncias análogas a cocaína, 84 (embalagens) análogas a crack e 31 porções análogas a maconha em sua bermuda e, no bolso de trás, a quantia de R$ 29,25, configurando a prática de tráfico de drogas”, relata o BO.
Foi dada voz de apreensão ao adolescente, que foi algemado. “De imediato (ele) confessou a prática de tráfico de drogas”, acrescentou a Polícia Militar. A mãe do adolescente infrator foi chamada e acompanhou a guarnição até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) 24h do Matão, onde ele passou por exames médicos que atestaram sua integridade física. Posteriormente, ele foi conduzido até o 4º Distrito da Polícia Civil, onde o delegado de plantão ouviu o menor e, após assinatura de Termo de Compromisso de Apresentação do adolescente à Vara da Infância e Juventude, o liberou à sua genitora – como determina o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) em casos assim.

EQUIPE
Em contato com a reportagem, integrantes do corpo docente e da direção da escola estadual confirmaram a presença constante de pequenos traficantes nas imediações da unidade, principalmente em uma viela paralela ao muro e em uma chácara abandonada que é “vizinha” da EE, e que os traficantes utilizam para se esconder e para “guardar” o entorpecente que será vendido.
“O problema é a viela no entorno, é ali que estes traficantes estão vendendo drogas, tanto que já mandamos um ofício para a 2ª Cia da PM em 16 de agosto pedindo mais policiamento da Ronda Escolar. Tem também uma chácara abandonada ao lado da escola, imensa, que os traficantes utilizam para esconder drogas, pulando o muro. Eles pulam dessa chácara abandonada para a viela e ficam fumando maconha e jogando as bitucas dentro das salas de aula. A gente vai atrás, eles pulam o muro de volta para a chácara e nós chamamos a ronda escolar. A situação nos preocupado, porque nossos alunos são todos menores, de 10 a 16 anos”, contou um profissional que atua na unidade, e que solicitou sigilo em função do medo de represálias por parte dos bandidos.
Outro educador confirmou que, quando confrontados ou quando a Ronda Escolar atua nas imediações a pedido da direção, eles são ameaçados pelos traficantes. ”Não tem o que a escola fazer, eles ameaçam a gente, são adolescentes, jovens. É constante chamar a polícia ali, é um problema que sempre teve no entorno da escola”, lamentou.

Secretarias de Educação e Segurança se manifestam sobre situação da EE

Em notas solicitadas pela reportagem, as secretarias estaduais de Educação (responsável pela Escola Estadual Wadih Jorge Maluf) e de Segurança Pública (responsável pela Polícia Militar e o programa de Ronda Escolar) se manifestaram terça-feira (11) sobre a situação da unidade.
Segundo a pasta de Educação, “a direção da escola conta com o apoio da Polícia Militar e solicitou reforço no policiamento na região. A unidade também possui professor mediador, que atua com ações de incentivo à cultura de paz entre os estudantes”.
Já segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), a atuação da PM se deu imediatamente após o recebimento da denúncia, culminando na apreensão do adolescente suspeito de ser um dos que atuam nas imediações da unidade. “Relativo às investigações realizadas pela Polícia Civil quanto ao tráfico de entorpecentes na região, sempre que recebemos denúncias no local, realizamos investigações para a devida apuração, pois no município de Sumaré ainda não há uma delegacia especializada em crimes de tráfico de drogas”, acrescentou o delegado Marcelo Moreschi Ribeiro.

Veja Também

Bandidos furtam fios e deixam Escola Municipal do Novo Ângulo ‘no escuro’

Meliantes invadiram Emef Salvador Zacharias Pereira Junior na madrugada de segunda-feira; Prefeitura providencia conserto Bandidos ...