Oswaldo Urban

Faleceu no último dia 04 de setembro, em Campinas, o maestro Oswaldo Urban. Ele foi o autor da música do Hino de Sumaré. Esteve em Sumaré no dia 18 de março de 2016 regendo o Coral Pio XI, na Igreja Matriz de Sant’Ana, para um público aproximado de 800 pessoas. Na oportunidade apresentou uma seleção de músicas do seu extenso repertório, dentre eles o Hino de nossa cidade. Em 2016, o maestro Urban recebeu uma placa da Associação Pró-Memória de Sumaré, através do seu presidente, Roberto Cordenonsi. Emocionado, o maestro agradeceu a lembrança e se disse um sumareense de coração, feliz por ser um dos autores do Hino de Sumaré.

Oprofessor Oswaldo Antônio Urban nasceu no dia 26 de outubro de 1919 na cidade paulista de Leme. Com 6 anos de idade já tinha perdido o pai e a mãe. Acabou sendo criado pelos irmãos mais velhos, que lhe ensinaram os rudimentos musicais, influenciados pelos pais, que eram músicos. Esse incentivo levou-o a frequentar o Conservatório Musical Maestro Julião, de São Paulo e participar de um aperfeiçoamento em Nápoles, na Itália. Em Campinas, no começo de sua carreira musical, aprendeu a reger com o maestro Salvador Bove. Tinha 14 anos quando usou pela primeira a batuta de maestro. Daí em diante, como ele relatou, tomou gosto pela coisa e não parou mais.
Paralelamente às atividades musicais, Oswaldo graduou-se em Filosofia, Direito e Orientação Educacional pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Campinas. Nessa Universidade, lecionou 18 anos, dirigindo a Faculdade de Música e do Instituto de Artes e Comunicação. Certamente foi esse currículo que levou a Administração de Sumaré a procurar o maestro para compor o Hino de Sumaré, oficializado pelo prefeito João Smânio Franceschini, em 1968.
Além de maestro, Oswaldo foi também compositor. Ele contou ter fundado 11 corais em todo o Estado de São Paulo, onde fez 250 composições para vozes, entre elas o Hino de Sumaré e o Hino da Paróquia de Sant’Ana.

CORAL PIO XI
O Coral Pio XI, regido por Oswaldo Urban, foi fundado no dia 06 de janeiro de 1948. O maestro fez parte do grupo de 15 marianos que criou o Coral. Eles faziam um treinamento para interpretação de músicas sacras em Latim. Nos dois primeiros meses nosso focalizado só cantou. Depois disso virou regente. Aos poucos o repertório deixou de ser religioso, acabando por incorporar músicas de compositores clássicos e populares. Eles se apresentavam regularmente em Campinas e, a convite, em outros municípios. Sumaré os recebeu em diversas oportunidades.
Essas apresentações lhe renderam grandes glórias musicais, tais como: Melhor Coral Masculino do Estado de São Paulo, em concurso promovido pela Prefeitura Municipal de São Paulo, em 1965. Esse evento aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo e foi transmitido para todo o País pela Rede Tupi de Televisão, no Programa “Concertos Matinais Mercedes Benz”.
O maestro e o Coral representaram Campinas em Festivais Internacionais de Corais em Campos do Jordão/SP, Blumenau/SC, Curitiba/PR, Porto Alegre/RS e Rio de Janeiro/RJ.
O Coral Pio XI foi declarado Órgão de Utilidade Pública Municipal desde 21 de agosto de 1956 e Estadual, desde 20 de dezembro de 1961.

HOMENAGENS
Campinas soube reconhecer as qualidades do Maestro, concedendo-lhe o título de Cidadão Campineiro.
Em 1998, o maestro foi agraciado com o Diploma de Honra ao Mérito pela Câmara Municipal de Campinas, numa Sessão Solene realizada na Basílica do Carmo. O motivo: comemoração dos 50 anos de existência do Coral. Na oportunidade estavam presentes representantes do Rotary Club, Lions e Lojas Maçônicas, além de outras entidades campineiras.
Entre os prêmios recebidos pelo maestro e Coral Pio XI merecem ser mencionados: Troféu Carlos Gomes e Diploma de Grande Consagração Artística. É membro da Academia Campineira de Ciências, Letras e Artes das Forças Armadas, cadeira 15, patrono: Salvador Bove.
Ele recebeu o título de Cidadão Sumareense da Câmara Municipal de Sumaré.
Aos 98 anos, ele entrou para o Ranking Brasil como o regente brasileiro com mais tempo de trabalho no mesmo coral. O maestro estava há 71 anos à frente do Coral Pio XI.

A HARMONIA DOS SALMOS
18 de julho de 2015 foi um dia especial na vida do Maestro Oswaldo Urban. Às 17 horas desse dia ele lançou o livro “A Harmonia dos Salmos”, no Teatro da Livraria Cultura, no Shopping Iguatemi, em Campinas. Na ocasião os Salmos de Davi foram cantados pelos corais Pio XI e Vozes Amigas, que o maestro também dirigia. A fina flor da sociedade campineira e da região esteve presente ao evento, para o lançamento da obra e a apresentação de mais um dia de música, dirigida pelo incansável maestro.

HINO DE SUMARÉ
No ano de 1968, a Prefeitura de Sumaré, administrada por João Smânio Franceschini, oficializou a data de 26 de julho de 1868 como o dia da fundação da cidade. Através de uma Comissão de Festejos, promoveu-se uma série de eventos para comemorar a data. Dentre eles estava a apresentação do Hino oficial do Município, recém-composto, que foi tocado pela primeira vez no dia 14 de abril daquele ano, um domingo, na Praça da República, às 20h.
Esse hino foi ofi cializado através da Lei Municipal nº 852/1968, que registrou, como autores o poeta Antônio Zoppi e o maestro Oswaldo Urban. Eram duas grandes personalidades da cultura da nossa região. Zoppi era poeta, autor de diversos livros publicados em sua cidade – Americana. Oswaldo Urban veio credenciado por ser um maestro de renome em Campinas e região, que dirigia o Coral Pio XI daquela cidade.
Quem ouve o hino de nossa cidade há de concordar, sem bairrismo, que é uma bela composição. Lindo em todos os sentidos – letra e música harmonizam-se perfeitamente. Foram muito felizes os assessores do ex-prefeito João Smânio, que escolheram a dupla Zoppi-Urban para realizar essa obra. Numa das vezes que esteve em Sumaré, o maestro contou que só veio conhecer Antônio Zoppi alguns meses depois do trabalho concluído. Não houve apresentações prévias – o hino saiu na arte e na competência dos personagens que hoje fazem parte da História de Sumaré.
Com certeza a composição do Hino de Sumaré teve um carinho especial para ele, porque sempre que podia perguntava para os amigos mais chegados como andava a Banda Sinfônica de Sumaré e a cultura da nossa cidade.

Veja Também

EXCURSÃO PARA SANTOS

Na década de1950, uma grande diversão dos sumareenses era banhar-se nas praias de Santos. Eram ...