Nova Odessa nega envolvimento com ‘máfia dos radares’ citada por rádio

Prefeitura da cidade sequer mantém radares de velocidade em vias urbanas, apenas um sistema inteligente que “lê” placas de veículos

Citada em uma reportagem no último dia 13 de janeiro pela Rádio Bandeirantes como uma das cidades de São Paulo em que operaria um suposto esquema de “máfia dos radares” vinculado à empresa Cobrasin, a Prefeitura de Nova Odessa negou ontem veementemente qualquer vínculo com o caso, ressaltando que não tem contrato com a empresa e que sequer mantém radares em funcionamento em vias públicas urbanas. A própria empresa negou todo o caso, informando que sequer trabalha com radares de velocidade atualmente (veja nesta página).
A reportagem de Agostinho Teixeira na Rádio Bandeirantes foi ao ar no último dia 13 na rádio, e está disponível no canal da emissora no YouTube e também em seu site. Nela, o repórter se passa por um possível cliente público interessado na contratação do serviço e conversa com um funcionário de nome Murilo, que garante conseguir instalar um sistema de radares em vias municipais que gera ao menos três vezes seu custo em multas, mensalmente, além de adotar práticas que “garantem” um maior número de autuações.
Na versão da matéria do site da rádio, intitulada “Como funciona o esquema da indústria da multa em São Paulo”, o texto afirma que “não há mais dúvida: a indústria da multa existe e nunca esteve tão ativa, explorando motoristas e garantindo lucro fácil para prefeituras e empresas de instalação de radar”.
“Não compete à Prefeitura esclarecer a citação à cidade na matéria, uma vez que Nova Odessa não administra nenhum radar na malha urbana. Aliás, é de conhecimento geral que Nova Odessa é a única cidade da microrregião que não conta com este tipo de fiscalização (radares fixos de velocidade)”, destacou a assessoria da Administração Municipal em nota.
De fato, como é de conhecimento público, cidade mantém apenas um sistema de câmeras de vídeo comuns, mais um sistema de equipamentos inteligentes fixos, do tipo OCR, que “leem” as placas dos veículos e muitas vezes são confundidas com radares de velocidade por sua aparência semelhante. A Prefeitura não informou o nome da empresa fornecedora do sistema OCR, nem o valor do contrato.
Os únicos radares fixos de velocidade no território de Nova Odessa estão instalados na Rodovia Astrônomo Jean Nicolini (SP-127/304), a vicinal para Americana, e são operados pelo DER-SP (Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo), e não pela Prefeitura.

OUTRAS
Outras prefeituras do Estado citadas pela rádio, como as de Vinhedo e Valinhos, também negaram ter contratado a empresa para esta finalidade, apenas para outros tipos de serviços de trânsito, como processamento de multas e semaforização viária. “Não há radares desta empresa na cidade. Os contratos são relativos à locação e manutenção dos semáforos e também para processamento de multas já aplicadas”, afirmou a gestão de Vinhedo.
Já Prefeitura de Limeira, que também mantinha vínculos com a Cobrasin para outras finalidades e foi a mais citada pelo funcionário entrevistado, anunciou ontem o cancelamento de seus três contratos atualmente em vigência na área de trânsito – incluindo um para o processamento de multas aplicadas pelos radares fixos instalados no município, e outra com o consórcio formado pela Cobrasin e pela Semaforização Paulista, e voltado para gestão de semaforização e sinalização de trânsito.
“Diante da entrevista do funcionário de uma das empresas, a única alternativa que nos restou foi pelo cancelamento dos contratos”, afirmou em nota o prefeito limeirense Mario Botion (PSD).
Já o Consórcio Limeira + Segura, formado pelas empresas Velsis e Sentran e responsável pela operação dos radares de velocidade em Limeira, negou qualquer tipo de ligação com a Cobrasin.

Empresa não fornece radares e afasta funcionário entrevistado
A própria empresa citada pela rádio salientou que não trabalha com fornecimento e operação de radares há mais de 5 anos e classificou toda a matéria original como “surreal”. “O funcionário tentou vender um serviço com o qual a empresa não trabalha, estamos todos perplexos”, apontou ontem um representante da Cobrasin à reportagem do Jornal Tribuna Liberal. A empresa destacou que atua atualmente apenas com processamento de multas e sistemas semafóricos. “E não existe contrato com Nova Odessa”, reforçou.
“O senhor Murilo, funcionário identificado na matéria, faz parte do staff operacional da empresa, trabalhando com sinalização viária, e não tem autorização ou competência para falar em nome da Cobrasin. Neste sentido, frise-se que o referido funcionário não poderia jamais fazer qualquer ponderação de cunho comercial, visto que tais funções não estão no rol de suas atribuições próprias”, apontou a Cobrasin em nota publicada em seu site.
“A Cobrasin não atua no segmento de radares. Faz mais de cinco anos que fechou sua divisão de radares, focando sua atuação apenas no processamento de multas e sinalização viária, não havendo qualquer vinculação em sua remuneração à quantidade de multas aplicadas. Portanto, as declarações do referido funcionário são, inclusive, destituídas de sentido prático ou legal. (…) A Cobrasin repudia veementemente as declarações de seu funcionário, que estava de férias por ocasião da produção da reportagem, sendo certo que o mesmo foi, de imediato, suspenso preventivamente de suas atividades na empresa para regular e própria apuração dos fatos que o ensejaram a fornecer tais declarações destituídas de realidade. O Departamento Jurídico da Cobrasin adotará, de pronto, medidas cabíveis para o restabelecimento da verdade dos fatos”, completou a empresa.

Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2020

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