Prefeitura nega problemas em berço do qual recém-nascido caiu no Mario Covas

Segundo pai do bebê, berço não tinha travas fortes o sufi ciente para evitar o tombamento da cuba de acrílico; criança não teve sequelas

A sindicância realizada pela Prefeitura de Hortolândia para apurar as causas e circunstâncias da queda de um bebê recém-nascido no último dia 30 de outubro no Hospital Municipal Governador Mario Covas concluiu que o acidente “não foi causado por defeito de fabricação ou avaria no berço (cuba) de acrílico” e estrutura metálica tubular. A possível causa havia sido indicada pelo papai do bebê, no dia seguinte, em vídeo publicado em redes sociais.
A Administração municipal não esclareceu, no entanto, se a sindicância apurou alguma outra causa possível para o acidente. A criança, que havia nascido dois dias antes, teve fratura de crânio, mas recebeu alta alguns dias depois e passa bem, sem apresentar sequelas.
“A Prefeitura de Hortolândia informa que a sindicância que apurou as circunstâncias da queda do bebê recém-nascido na Maternidade do Hospital Municipal Mário Covas, no dia 30 de outubro, constatou que o acidente não foi causado por defeito de fabricação ou avaria no berço de acrílico. De acordo com o relatório, o berço onde o bebê estava foi inspecionado e comparado a outros berços do mesmo fabricante. A avaliação constatou que não houve problema estrutural ou falha na trava de segurança”, explicou a gestão.
Ainda segundo a Prefeitura, “atualmente, o bebê está em boas condições de saúde e realiza acompanhamento médico com puericultura e visita domiciliar pela equipe da UBS (Unidade Básica da Saúde) Jardim Campos Verdes”.
O acidente aconteceu no dia 30 de outubro, data em que o bebê estava com dois dias de vida. A queda foi no momento em que a mãe da criança fazia a troca de fraldas e o berço de acrílico virou.
“A Prefeitura informa que toma todos os cuidados para oferecer atendimento de qualidade e com segurança aos pacientes do Hospital Municipal Mário Covas. A criança foi imediatamente atendida pela equipe de enfermagem e pelo médico neonatologista do Hospital Mário Covas. O exame físico do recém-nascido não apresentou alterações. No exame de raio-x, foi identificada fratura de crânio (o que é diferente de traumatismo craniano) e, por este motivo, a criança foi imediatamente transferida para o HES (Hospital Estadual de Sumaré Doutor Leandro Franceschini), onde realizou tomografia que confirmou a fratura”, completou a nota.
O caso também é apurado pela Polícia Civil da cidade e pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo). “O Conselho Regional de Medicina comunica que a sindicância em questão continua em andamento. Por determinação legal, os trabalhos são mantidos em sigilo, bem como é garantida a ampla manifestação das partes envolvidas”, explicou o órgão de classe.

O VÍDEO
Segundo o vídeo publicado por M.A.G., pai do menino, o berço em questão seria “um equipamento inadequado para um hospital”. “Temos várias mães aqui do lado passando pela mesma situação, assustadas. A única trava de segurança que a gente tem (no berço) é isto daqui”, afirmava o pai, apontando para uma haste metálica simples e solta na parte inferior, que, aparentemente, serve para manter o berço inclinado para a frente.
“(A trava) não funciona. É a única trava de segurança. Tem uma parte lisa, porém somente encaixa aqui (ele mostra um pino de borracha fixado no tubo que forma a lateral do berço). Não tem mais nada. A única outra trava que temos é esta aqui, que só funciona de baixo para cima”, acrescentava M.A.G., mostrando um pino metálico do outro lado, que impede os pés da cuba de virarem para trás, que realmente impede o movimento nesta situação.
“Minha esposa estava trocando meu filho recém-nascido e a trava não funcionou. O que aconteceu? Meu filho veio a sofrer a queda, caiu ao chão”, afirmou o pai do menino no vídeo, simulando o tombamento da cuba para a frente.
“Onde já se viu um hospital que trata de criança ter uma coisa inadequada dessa forma? Fiquei sabendo que é um equipamento novo, comprado ano passado, mas as mães não têm segurança nenhuma com seus filhos. Isso não pode ficar impune, o Hospital Mário Covas está ‘jogado’. É uma pouca vergonha, e meu filho está sendo transferido para uma UTI com traumatismo craniano”, lamentava o pai.

Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019

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