Morador de Sumaré citadona ‘Operação Cadeia Alimentar’ nega seu envolvimento

Vendedor J.L.S., de 37 anos, mantém uma empresa de consultoria na cidade; ele se apresentou à PF e teve prisão temporária revogada

O morador de Sumaré citado no último dia 26 de novembro no âmbito da “Operação Cadeia Alimentar 2” pelo MPF (Ministério Público Federal) e pela PF (Polícia Federal) é o vendedor J.L.S., de 37 anos, que mantém uma empresa de consultoria na cidade. A defesa do suspeito, que está em liberdade, negou que ele tenha qualquer participação no esquema.
Segundo seu advogado Jair Nunes de Barros, J.L.S. teve prisão temporária por 5 dias decretada pela 4ª Vara da Justiça Federal de Ribeirão Preto, onde tramita a ação penal, no próprio dia 26 de novembro, mas não foi localizado pela PF em sua casa, em Sumaré – onde também foi cumprido um mandado de busca e apreensão de documentos e equipamentos telemáticos.
No entanto, ele se apresentou voluntariamente no dia 29/11 na Polícia Federal de Campinas para prestar depoimento. No mesmo dia, logo após prestar esclarecimentos à PF, o vendedor teve o mandado de prisão temporária revogado pela Justiça Federal, atendendo um pedido de sua defesa.
A investigação apura supostas fraudes, irregularidades em procedimentos licitatórios e superfaturamento de contratos, com desvio de verbas no fornecimento de merenda escolar a diversas prefeituras entre os anos de 2013 e 2017 – inclusive de Paulínia – e o pagamento de propina a agentes públicos.
O nome do morador de Sumaré surgiu na delação premiada feita por um empresário do ramo de alimentos. Segundo o advogado, visando coletar provas para complementar sua colaboração, o empresário teria, ainda em 2018, indicado que J.L.S. teria cobrado propina para liberar valores a receber da Prefeitura de Cubatão/SP.
“A defesa de J.L.S. acompanhou sua apresentação na Delegacia de Policia Federal em Campinas no dia 29 de novembro, onde o mesmo foi preso e, em suas declarações, negou qualquer participação na licitação de fornecimentos de alimentos para a merenda escolar de vários municípios paulistas, sendo que sua única participação foi apresentar o empresário do ramo de alimentos a uma pessoa ligada à Prefeitura de Cubatão, para facilitar pagamentos em atraso”, apontou Nunes de Barros.
Ainda segundo o advogado, após prestar depoimento junto à Polícia Federal em Campinas, “no final do mesmo dia (29/11) ele foi posto em liberdade, pois colaborou prestando todas as informações que tinha conhecimento”.
“O meu cliente se apresentou espontaneamente, respondeu às perguntas feitas pelo delegado (da Polícia Federal), comprovou ter endereço fixo, ser réu primário e ter bons antecedentes, portanto não poderia continuar detido, o que realmente aconteceu e ele foi liberado no final da tarde do dia 29. Ele continua à disposição da Justiça Federal (para esclarecimentos)”, finalizou Nunes de Barros.

RELEMBRE
A “Operação Cadeia Alimentar 2” mobilizou 240 policiais, que cumpriram 27 mandados de prisão temporária e 55 de busca e apreensão em diversas cidades. Vinte dos suspeitos foram detidos no dia 26, e sete não foram localizados, sendo considerados foragidos. Entre os alvos estavam “empresários, ex-prefeitos, servidores e ex-servidores municipais, secretários e ex-secretários de prefeituras e uma vereadora” de uma cidade do Litoral. Os mandados de busca e apreensão incluíam endereços residenciais, de órgãos públicos e de escritórios empresariais.
As prisões foram autorizadas pela 4ª Vara da Justiça Federal de Ribeirão Preto. Também foi autorizado o bloqueio dos bens e valores em conta dos suspeitos até o limite de R$ 2 bilhões, visando o eventual ressarcimento dos cofres das prefeituras vítimas do suposto esquema.
As irregularidades abrangem contratos para fornecimento de alimentação escolar nos municípios de Paulínia, Americana e outras 22 cidades paulistas. A operação se baseia em informações obtidas por meio de um acordo de colaboração (delação) premiada que dois envolvidos firmaram com o MPF e a PF após a primeira fase da investigação. Não foi divulgado o valor total supostamente desviado das prefeituras pela organização.
Os alvos são investigados pela prática de organização criminosa, fraude a licitações, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva e prevaricação (cujas penas, somadas, podem chegar a 28 anos de prisão).

Domingo, 8 de Dezembro de 2019

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