Projeto Convivência e Ética nas Escolas de Sumaré atende mais de 20 mil alunos

Durante o ano letivo, projeto da Rede Pública Municipal de Educação vem trabalhando, entre outros temas, o medo

Medo, bullying, violência escolar, cooperação, formação e desenvolvimento moral e da autonomia, ética, entre outros. Esses são alguns dos tópicos do Projeto Leitura, Convivência Ética e Cidadania nas Escolas de Sumaré. Com essa finalidade, de combater a violência e melhorar a convivência nas escolas da Rede Municipal de Ensino, a Prefeitura de Sumaré, por intermédio da Secretaria Municipal de Educação, implantou nas escolas esse projeto que está no segundo ano. A intenção é que toda escola seja um ambiente de aprendizagem solidário e acolhedor.
Os trabalhos são desenvolvidos numa parceria e apoio técnico do Gepem (Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral) e a editora Adonis. Neste ano, o projeto beneficiará mais de 20 mil alunos – da Educação Infantil ao 9º ano do Ensino Fundamental.
“É um excelente trabalho desenvolvido nas unidades escolares. Queremos garantir um ambiente de harmonia nas escolas, e com isso elevarmos os índices de aprendizagem dos nossos alunos. O projeto é muito importante porque trata vários assuntos ligados a essa faixa etária, tendo em vista que alguns problemas trazem implicações psicológicas terríveis na vida da criança e problemas no cotidiano da Escola”, explicou o prefeito Luiz Alfredo Dalben (PPS).
O Projeto Leitura, Convivência Ética e Cidadania, que está sob a coordenação da professora Luciene Regina Paulino Tognetta, oferece estratégias de apoio e acompanhamento aos docentes nesse processo de ensino-aprendizagem, e alcançará em 2019 quase a totalidade dos professores da rede. Ao todo, são mais de 23 turmas de formação em todas as unidades. Além do corpo discente, a formação abrange também grupos de alunos. Eles fazem parte das Equipes de Ajuda “Somos contra o Bullying” – jovens do ensino Fundamental que foram eleitos pelos seus colegas para atuarem como referência na escola e ajudar na resolução dos problemas de convivência. Eles são preparados para auxiliar os colegas em problemas de pequenos conflitos, como provocações, brigas, situações de isolamento e, principalmente, casos de bullying.
“As instituições de educação no Brasil têm sido desafiadas a incluir em sua estrutura curricular o planejamento de mudanças e a sistematização de ações que contemplem os problemas de convivência e a complexidade das relações entre as pessoas, inclusive é uma recomendação da BNCC (Base Nacional Comum Curricular)”, comentou Luciene.
O importante é melhorar sempre a convivência entre os alunos. Diferentes investigações sobre bullying têm mostrado que a eficácia dos programas de prevenção se dá pela participação efetiva dos alunos nas escolas. “São quatro éticas fundamentais que precisam ser trabalhadas nas instituições de ensino e exigem a formação dos professores para compreender, enfim, a escola é um local propício para a superação do bullying e das provocações, e para a formação das gerações futuras”, completou a doutora Luciene.
Entre os vários assuntos compreendidos no projeto está o medo, algo muito comum nas crianças. Daí, primeiro vem a formação dos professores, numa sequência didática e organizada por atividade, para que eles consigam trabalhar essa questão junto aos pequenos, já que o medo é o primeiro grande problema a ser enfrentado na vida. “O grande objetivo do Gepem é fomentar cada vez mais a pesquisa e sua aproximação com a realidade escolar e com o desenvolvimento de investigações teóricas e aplicadas. E o apoio na execução desse Projeto Leitura, Convivência Ética e Cidadania tem sido de grande relevância para a nossa comunidade estudantil, tanto ao corpo docente como discente”, garantiu a secretária municipal de Educação, Mirela Cia.

CAIXA
A formação dos professores pelo Projeto Leitura, Convivência Ética e Cidadania faz parte da jornada de trabalho do Cefems (Centro de Formação de Educadores Municipais de Sumaré). Todas as atividades são planejadas, intencionais e sistemáticas. Cada professor recebe um guia e o aluno ganha uma caixa contendo livros temáticos sobre a caixa de segredos, a história dos nossos medos, história de chuva, os medos que a gente têm, além de acessórios para o desenvolvimento das tarefas, como prendedor de roupas, novelo de lã, adesivos, fitas coloridas, entre outros. As crianças levam os livros e atividades para casa, e executam juntamente com os pais, de acordo com a faixa etária, tanto a leitura como as lições.
“Se os pais acompanham a vida escolar do filho vão entender perfeitamente o valor desse projeto na formação da criança. Aqueles que são participativos sabem o porquê deste trabalho de convivência, que é muito amplo, e procura trabalhar, entre vários aspectos, o medo que a criança sente e que nem sempre fala aos adultos”, garantiu a coordenadora do projeto, formadora de professores do projeto e pesquisadora sobre bullying, Darlene Ferraz Knoener.
Um dos temas trata exatamente o medo. Será que, se a gente somar a coragem e diminuir o medo, dividir as tristezas e multiplicar as ações para o bem, a gente consegue acabar com o bullying na escola? E a ansiedade: será que dá para controlar essa vontade de resolver tudo bem rapidinho?
São esses questionamentos que os professores que recebem a formação estão aptos a responder às crianças. Ou seja, são livros preparados por professores para professores, e são frutos de uma pesquisa que aponta para as mais urgentes necessidades da escola e da prática docente.

BARRACA DO MEDO
Medo, uma palavrinha que causa pavor, temor, especialmente nas crianças. Só que esse tabu foi jogado por terra na II Exposição Cultural com o Projeto Leitura, Convivência Ética e Cidadania da EM Sabidinho. Inclusive, a “barraca do medo” foi um dos pontos altos do evento estudantil. As pessoas entravam e interagiam com os alunos que estavam afiados para explicar sobre como controlar esse sentimento, a partir desse trabalho pedagógico que vem sendo desenvolvido.
Foram expostos trabalhos belíssimos. Teve criança que expôs o “envelope surpresa do medo”. O painel “medos que a gente tem” apontou as lendas sobre o Saci Pererê, Curupira, Lobisomen, Mula sem Cabeça, etc. Seguindo essa linha, outro grupo de alunos do 1º ano abordou imagens sobre o que deixa com medo. A lenda que dá medo também foi outro painel de exposição. Teve aluno que falou dos medos mais comuns, porém atemorizantes, como andar de avião e sair de perto da família. Tem criança, por exemplo, que tem medo até de insetos. Outros, de chuva e do escuro. E qual criança não tem medo de fantasma?
“Os alunos e professores da Educação Infantil, Fundamental e Médio estão inseridos neste projeto juntamente com a comunidade escolar, discutindo seus sentimentos, regras sociais e conflitos com o apoio de livros paradidáticos, especialmente elaborados para estas reflexões de forma lúdica e atrativa”, completou a secretária Municipal de Educação, Mirela Cia.
Nessa linha de pesquisa, o projeto procura trabalhar o sentimento do medo e dar as respostas necessárias, bem como aos problemas de violência, agressividade e bullying que têm sido comum em escolas, investigando suas causas e suas relações com os aspectos sociais, morais e afetivos necessários ao desenvolvimento moral.

Domingo, 1º de Dezembro de 2019

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