Justiça ordena prisão de vereador em ação do MP por suposto estelionato

Tiguila Paes, de Paulínia, e outras oito pessoas são acusados pelo MP de enganar consumidores por meio da simulação de venda de casas

A Justiça Estadual decretou na quinta-feira (07) a prisão preventiva (sem prazo determinado) do vereador de Paulínia Ademilson Jefferson Paes, conhecido como Tiguila Paes (PPS/Cidadania), no âmbito da ação em que ele e um grupo de oito pessoas são acusados de supostos crimes de organização criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro entre os anos de 2014 e 2015. Ele deveria se entregar em uma unidade policial até o meio-dia de ontem, mas, segundo seu advogado, Juan Felipe Camargo Coimbra de Souza, o parlamentar não havia sido comunicado formalmente da decisão até o final da tarde, e por isso não havia se apresentado. O defensor também negou as acusações contra Paes, e as atribuiu a uma “perseguição política”.
Questionada, a Câmara não se manifestou ontem sobre a situação do vereador. A ação criminal, que corre em segredo de Justiça, foi apresentada contra o grupo pelo MP- -SP (Ministério Público de São Paulo) e aceita pelo Poder Judiciário, e havia levado, inclusive, ao bloqueio liminar dos bens do vereador. Não informado o valor total dos bens bloqueados – que, em casos assim, visam o eventual ressarcimento das vítimas, em caso de condenação.
Segundo o MP, os fatos que levaram à denúncia criminal ocorreram entre os anos de 2014 e 2015, “quando os réus citados agiram junto com outros denunciados para enganar várias pessoas humildes por meio da simulação de venda de casas no Residencial Pazetti e em outros empreendimentos”.
“As vítimas, atraídas pelo preço acessível, pela desburocratização da venda e possibilidade de pagamentos parcelados, foram enganadas e acabaram sendo lesadas pelo grupo criminoso”, apontou o órgão em nota divulgada no último dia 23 de outubro. Ainda de acordo com a Promotoria, “o (suposto) golpe foi possibilitado com o envolvimento de Paes, de outros servidores públicos ainda não identificados e da entidade Frente de Defesa dos Direitos e Interesse Popular”.
“Após a consumação dos crimes de estelionato e na posse do dinheiro obtido de forma criminosa”, continua a nota do MP-SP, “os réus passaram a ocultar e a dissimular a natureza, a origem, a localização e a disposição dos bens e valores provenientes dos crimes de estelionato”.
“Eles depositaram e movimentaram o dinheiro entregue pelas vítimas em suas contas bancárias e adquiriram bens. A dissimulação do patrimônio obtido de forma ilícita foi desvendada a partir da quebra do sigilo bancário e fiscal dos denunciados. O bloqueio dos bens visa, dentre outros fins, garantir o ressarcimento das pessoas lesadas, ao final do processo”, completou o Ministério Público de São Paulo.

OUTRO LADO
Ao confirmar e comentar o mandado de prisão contra Tiguila Paes, ontem, o advogado voltou a rechaçar veementemente as acusações contra seu cliente. “Não consegui contato com o vereador, ele ainda não sabe que há um mandado de prisão contra ele, mas já entramos com um pedido de revogação dessa prisão, por entender que ele está sofrendo uma perseguição política gigantesca na cidade, com pessoas fazendo de tudo para incriminá-lo”, apontou Coimbra de Souza.
Até o final da tarde de ontem, segundo o advogado, o pedido de habeas corpus ainda não havia sido analisado pelo Juízo da respectiva Vara Criminal da 1ª instância (o Fórum local). “Esperamos que seja uma análise satisfatória, porque juntamos muitos documentos nesse processo. Ele ainda não se entregou, e acho que até mesmo o bloqueio de bens contra o vereador já caiu, não perdura mais”, completou o advogado de Paes.

Sexta-feira, 8 de Novembro de 2019

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