Comércio da região deve gerar 14 mil vagas temporárias neste fim do ano

Maior parte das contratações para o Natal e o Ano Novo deve acontecer nos shoppings centers da região; expectativa de entidades é positiva

Estimativa divulgada pela Acic (Associação Comercial e Industrial de Campinas) apontam que as vendas de final de ano, principalmente para o Natal e o Ano Novo, devem gerar 14.545 contratações temporárias apenas pelo Comércio Varejista das 20 cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas), incluindo em Sumaré, Hortolândia, Monte Mor, Nova Odessa e Paulínia. Se concretizada, esta estimativa é 4,30% superior aos 13.945 empregos temporários gerados pelo Comércio da metrópole até dezembro de 2018.
De acordo com os cálculos do departamento de Economia da Associação Comercial, a maior parte destes empregos temporários – que muitas vezes se tornam efetivos – deve ser gerada pelos shoppings centers. Serão 7.431 vagas provisórias nos centros de compras neste ano, contra 7.124 no ano passado.
Detalhe: a estimativa da Acic não leva em conta as contratações que já estão acontecendo no novo Shopping ParkCity Sumaré, empreendimento de R$ 100 milhões que tem inauguração prevista para novembro deste ano e cujas lojas estão contratando colaboradores para cerca de mil vagas de trabalho. Os interessados em atuar no novo centro de compras podem cadastrar seus currículos exclusivamente no site do empreendimento, o https://parkcitysumare.com.br/, no link “Trabalhe Conosco”.
Voltando à estimativa da Acic, o Comércio “de rua” (ou seja, as lojas físicas não localizadas em shoppings) deve gerar mais 4.294 vagas aproximadamente na RMC neste final de ano (contra 4.117 em dezembro de 2018), e os supermercados, outros 2.820 empregos temporários (perante 2.704 no ano passado).
A contratação de temporários pelo Comércio para o Natal deste ano, em nível estadual, deve se aproximar das 400 mil vagas em todo o Estado de São Paulo, o que representa cerca de 4,50% acima de 2018.
“O final do ano, mais uma vez, trará a oportunidade de uma renda extra, ou até mesmo de conquistar uma vaga efetiva, com a abertura de contratações temporárias para suprir a demanda de consumo para o período das tradicionais festas de Natal e Ano Novo”, apontou a Acic em nota.
“Em tempos de crise econômica, com alto índice de desemprego, essas vagas aliviam um pouco o orçamento e podem se tornar um emprego fixo para muitos trabalhadores”, acredita a presidente da Acic, Adriana Flosi.
Já o economista e diretor da Acic, Laerte Martins, avalia que, “para este último trimestre do ano, a entrada (dos recursos liberados) do PIS/ Pasep e do FGTS, juntamente com o 13º salário, deve proporcionar um aumento no poder de compra dos consumidores” da RMC. “Isso motivará mais vendas, o que incentivará o Comércio e os Serviços a contratarem mais mão de obra”, espera o especialista.

RETOMADA
Comparando a expectativa da Acic com outro levantamento produzido recentemente pelo SindiVarejista de Campinas e Região em parceria com a FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), conclui-se também que o Comércio da região está em fase de recuperação quanto à geração de empregos. Isto porque, segundo as entidades, o Comércio de Campinas fechou 1.331 postos de trabalho no primeiro semestre deste ano, um resultado de 1.448 desligamentos contra 117 admissões.
Neste ano, o setor que mais demitiu no Varejo da metrópole foram as lojas de vestuário, tecido e calçados. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, haviam sido demitidos 872 trabalhadores desse setor. Também sofreram cortes de funcionários as lojas de eletrodomésticos e eletrônicos (171).
Ao fazer uma análise dos nove setores do Varejo, os únicos que terminaram o primeiro semestre com saldo positivo foram os de material para construção e de concessionária de veículos. O primeiro fechou os seis meses com saldo positivo de 75 contratações e o segundo teve 42 admissões.
Apesar do número alto de demissão, a presidente do SindiVarejista, Sanae Murayama Saito, afirmou que “é natural que o Comércio Varejista tenha, no primeiro semestre, um saldo negativo de postos de trabalho. Isso ocorreu devido à massiva dispensa, no primeiro trimestre, dos temporários contratados para o Natal (do ano passado)”, afirmou.
“(Mas) a inflação baixa, estabilização de endividamento e inadimplência e queda de juros têm dado tons menos pessimistas ao cenário. Tanto que a expectativa para o comércio varejista do município é que no segundo semestre tenhamos saldo positivo, isto é, mais admissões que desligamentos e que este saldo sobreponha as perdas do primeiro semestre”, finalizou Sanae.

Entenda as diferenças entre trabalho temporário e trabalho intermitente
As vagas de trabalho temporário passaram a ser uma “esperança” para boa parte dos trabalhadores brasileiros. Porém, é necessário saber quais as regras e os direitos trabalhistas e previdenciários que os temporários e intermitentes têm a partir do momento de sua contratação.
Os especialistas em Direito do Trabalho destacam que o trabalho temporário tem legislação própria e o empregado tem praticamente os mesmos direitos do funcionário efetivo. Nesse tipo de contratação, o trabalhador é contratado por uma empresa de trabalho temporário, que coloca este empregado à disposição de uma empresa tomadora de serviços, que busca suprir à necessidade de substituição de empregado ou para demanda complementar.
“Isso significa que a contratação não se pode dar de forma direta; a empresa interessada em um empregado temporário deverá procurar uma prestadora de serviços, sendo de responsabilidade desta prestadora remunerar e dirigir o trabalho do empregado concedido à tomadora”, alerta o advogado Luiz Fernando de Andrade.
“O contrato de trabalho do empregado temporário é por prazo determinado, não podendo exceder 180 dias, podendo ser ampliado por mais 90 dias, totalizando 270 dias. Após o referido prazo, esse empregado não poderá ser recontratado na modalidade de temporário, desde que passados 90 dias do término do contrato de trabalho”, explica Luiz Andrade.

INTERMITENTE
Já os trabalhadores intermitentes não podem ser contratados para vagas temporárias. “Tratam-se de modalidades de contratação distintas e com finalidades diferentes. O intermitente atua na empresa de forma esporádica e/ou excepcional e sem exclusividade, apenas para cumprir determinadas tarefas em determinados momentos, quando convocado, podendo atuar por horas, dias ou meses”, orienta Andrade.
O contrato de trabalho intermitente é uma prestação de serviços em períodos alternados, e o trabalhador é remunerado de maneira proporcional, somente pelo período de trabalhado. Além disso, a prestação de serviços esporádica deve ser registrada em carteira e há direitos trabalhistas previstos, como férias e 13º proporcionais e depósito do FGTS. As principais características do trabalho intermitente são: alternância de períodos de trabalho e de inatividade em horas, dias ou meses previamente determinados e trabalho não contínuo, mas com subordinação ao empregador.

Domingo, 13 de Outubro de 2019

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