Estudante do Unasp debate na PB os desafios na contratação de ex-detentos

TCC de Beatriz Soares Marques foi selecionado pela Abrasco para o 8º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde

“A contratação de ex-detentos pelo mercado de trabalho: dificuldades e desafios”, tema do TCC (Trabalho de Conclusão do Curso) de graduação em Administração produzido pela aluna do Unasp Hortolândia (Centro Universitário Adventista de São Paulo), Beatriz Soares Marques, foi selecionado, apresentado e debatido durante o 8º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, realizado na Universidade Federal da Paraíba pela Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), de 26 a 30 de setembro.
No TCC, a estudante mostra as dificuldades apresentadas pelas empresas para contratar os egressos do sistema prisional e os desafios dos ex-detentos para se recolocarem no mercado de trabalho. A pesquisa também mostra as ações realizadas pelo sistema penitenciário para ressocialização dos presos.
O assunto do TCC vai ao encontro do tema abordado pelo Congresso: “Igualdade nas diferenças”, por isso ele foi selecionado para compor o Grupo Temático “Sistema Penitenciário, Saúde e Violência no Brasil: uma luta coletiva por direitos”. Beatriz produziu o TCC em parceria com a aluna Stefany Vieira Jacob, com orientação da professora do Unasp Karin Barbosa.
“As políticas públicas sociais para a população encarcerada são frágeis no Brasil e isso ficou ainda mais claro nas palestras, grupos temáticos e mesas de discussões do Congresso. Estou muito feliz em contribuir com essa discussão ao ter o meu artigo selecionado pela Abrasco para compor esse importante Congresso”, afirma Beatriz.
Para realizar a pesquisa, a estudante entrevistou pessoas privadas de liberdade de duas unidades prisionais da região de Campinas, ex-detentos e gestores de Recursos Humanos de empresas, com o objetivo de descobrir as dificuldades que envolvem o retorno dos egressos do sistema penitenciário ao mercado de trabalho.
Dos 34 detentos entrevistados, 76% afirmam não receberem suporte necessário para conquistarem uma vaga de emprego após a passagem pela cadeia. Fora da prisão, o preconceito dos empregadores é outro vilão. Das 10 empresas contatadas pela estudante para as entrevistas sobre o tema, somente sete se manifestaram. Das sete, duas afirmaram ter fechado contrato de trabalho com um egresso. As demais informaram “que esse tipo de contratação não acontece por conta da política interna (da empresa)”.
A pesquisa também constatou que existem ações em prol da ressocialização de presos, realizadas por diversos órgãos, que tentam preparar os detentos para voltar ao mercado de trabalho, mas ainda são insuficientes para os egressos encontrarem oportunidade de empregabilidade.
“Ao final do trabalho de campo e toda bibliografia pesquisada para construir o artigo, chegamos à conclusão que o preconceito é o maior desafio que os egressos enfrentam e que leva as empresas a não contratarem essas pessoas, muitas vezes amparadas pelas políticas internas das organizações. Outra dificuldade é a falta de qualificação profissional. Todo esse cenário contribui para os egressos voltarem a cometer crimes”, observa Beatriz.
A reinserção de egressos no mercado de trabalho, conclui a estudante, depende de mudanças no sistema prisional, na quebra de paradigmas sociais, esforço do reeducando e abertura de mercado pelas empresas, sempre em atuação conjunta com o Estado. “Infelizmente, o sistema prisional brasileiro não foi criado para recuperar e ressocializar o apenado. É somente punitivo, não oferece educação efetiva como prevê a Lei de Execução Penal Brasileira”, completa a estudante.

SUBUMANAS
De acordo com a pesquisa da estudante, existem 250 mil pessoas presas no Brasil, taxa de 175% de ocupação dos presídios e um total de 1.456 unidades penais. Os dados fazem parte do último levantamento realizado pelo Departamento Penitenciário Nacional, divulgado em 2017. O Brasil é o terceiro pais com maior população carcerária do mundo. Perde apenas para a China e os Estados Unidos.
O trabalho revela que, devido às condições subumanas do cárcere, as unidades não se preocupam com a formação e o desenvolvimento de valores básicos, contribuindo com a reincidência de crimes, que ultrapassa o índice de 80% dos casos, e é agravada pela falta de oportunidade de trabalho, após o cumprimento da pena.

Domingo, 13 de Outubro de 2019

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