660 pacientes aguardam até um ano na fi la por cirurgia da vesícula no HES

Hospital Estadual de Sumaré realiza até 60 cirurgias do tipo por mês, mas apenas dez em média são em pacientes da própria cidade

Cerca de 660 pacientes de Sumaré aguardam na fila por uma cirurgia de retirada de pedras na vesícula no HES (Hospital Estadual de Sumaré Dr. Leandro Franceschini). A lista de espera vem desde o primeiro semestre do ano passado. O dado foi divulgado nesta semana. Atualmente, segundo a assessoria do HC (Hospital das Clínicas) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), gestora do HES, são realizadas de 50 a 60 cirurgias deste tipo por mês atualmente, mas para pacientes de toda a área atendida, e não apenas de Sumaré.
Ou seja, se mais nenhum paciente fosse direcionado ao HES pela CROSS (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) da área atendida pelo DRS-7 (Departamento Regional de Saúde de Campinas), ainda assim levaria quase um ano para que a fila de pacientes de Sumaré fosse “zerada”.
No entanto, a Secretaria Estadual de Saúde confirmou que são disponibilizadas, em média, apenas 10 cirurgias do tipo por mês para pacientes da cidade onde o hospital está situado. A Prefeitura de Sumaré também confirmou que, atualmente, “chama” para a cirurgia os pacientes que entraram na fila em abril de 2018. Segundo a Administração Municipal, a quantidade de vagas disponibilizadas para pacientes da cidade “muda mês a mês” – foram apenas seis em julho e 12 em agosto, por exemplo. Nesse ritmo, a espera atual de pacientes da cidade levaria mais de 5 anos para ser atendida.
Segundo o HC, os pacientes na fila desta especialidade do HES também poderiam ser encaminhados pela Central de Regulação para outros hospitais de referência da regional de Campinas – o que, aparentemente, não vem acontecendo.
“Desde que o HES foi inaugurado, há 19 anos, este é um dos procedimentos que mais realizamos (de 50 a 60 cirurgias por mês). Esse procedimento pode ser feito em hospital municipal. Como consequência, apesar de Sumaré representar 26% da população da nossa região (atendida), ela ocupa 65% do nosso atendimento geral – incluindo 95% da Obstetrícia por exemplo. O HES não é ‘de Sumaré’, ele ‘está’ em Sumaré, mas os políticos locais não entendem isso”, apontou em nota o HC da Unicamp.

COBRANÇA
De fato, nas últimas semanas, diversas lideranças da cidade vêm cobrando maior quantidade de vagas no HES para pacientes de Sumaré – cuja Rede Básica não dispõe de hospital próprio, apenas de duas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), três PAs (Pronto Atendimentos) e um Ambulatório de Especialidades, unidades que não possuem centros cirúrgicos nem realizam cirurgias.
No final de agosto, por exemplo, o presidente da Câmara Municipal de Sumaré, vereador Willian Souza (PT), pediu que fossem ampliadas as transferências de pacientes do próprio município para o HES. A Moção de Apelo foi endereçada ao governador do Estado, João Doria (PSDB), ao secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann Ferreira, e ao diretor-superintendente do Hospital Estadual, Maurício Wesley Perroud Júnior.
De acordo com o documento, “embora o Hospital Estadual seja referência de atendimento para toda a RMC (Região Metropolitana de Campinas), o serviço prestado à população de Sumaré tem deixado a desejar”. O vereador aponta que “a situação é agravada pelo mau funcionamento da CROSS, que, por conta da demora, tem deixado pessoas com risco de morte na espera por vagas”.
Em seguida, o vereador Professor Edinho (Rede) relatou supostos problemas no atendimento de urgência no HES. Ele foi procurado por muitos cidadãos que foram à Unidade de Saúde e esperaram por até 24 horas para fazerem uma simples triagem e serem direcionados ao atendimento.
Na ocasião, a Unicamp negou a suposta demora, e destacou que “o HES não tem pronto-socorro”. “Os casos (que chegam às portas do HES sem agendamento) são avaliados para triagem de gravidade e os que não têm necessidade de atendimento em hospital de grande porte são orientados a ir para uma UPA ou UBS (Unidade Básica de Saúde), pois os casos mais graves sempre serão atendidos antes dele”, apontou a Universidade.
Além disso, a Unicamp garantiu que “não nega atendimento a ninguém, apenas segue os protocolos internacionais de classificação de risco para evitar que um paciente grave fi que aguardando e seja prejudicado por demanda de casos não graves e que não deveriam estar lá, mas no UPA/UBS”.
Por fim, o deputado estadual Dirceu Dalben (PL) visitou o HES no dia 30 de agosto, uma sexta-feira, onde percorreu todos os setores da unidade, verificando os serviços prestados, e conversou com gestores, estudando parcerias entre o Governo do Estado, a Unicamp e os municípios da região “para melhorar ainda mais o atendimento à população”.

Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

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