FGTS extra pode colocar finanças em dia, afirma professor da Anhanguera

Especialista da Faculdade Anhanguera de Sumaré dá dicas de como aproveitar o recurso que será liberado da melhor forma possível

A possibilidade de sacar uma parte do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) a partir de setembro deve beneficiar 96 milhões de brasileiros, segundo informações do Governo Federal, que anunciou recentemente a medida. Entre as boas opções para utilizar o recurso estão: o pagamento de dívidas, a realização de uma reserva de segurança, ou investindo o dinheiro. Para trazer orientações sobre como utilizar o recurso da melhor forma, o professor Gabriel Sarmento, do curso de Administração da Faculdade Anhanguera de Sumaré, mestre em Educação e economista, dá algumas dicas.
De acordo com cálculos do Departamento de Economia da Acic (Associação Comercial de Industrial de Campinas), apenas na (Região Metropolitana de Campinas), a liberação do FGTS pode ter um impacto de R$ 1,2 bilhão, sendo R$ 856,4 milhões até dezembro de 2019 e outros R$ 343,6 mil anualmente, a partir de 2020.
Segundo o especialista, o primeiro passo para utilizar o recurso da melhor forma é avaliar a situação financeira. “Se você tem dívidas, atrasadas ou planejadas, pode valer a pena pagar as parcelas dessa dívida adiantadas para reduzir os juros e o total devido. Nesses casos, podemos citar uma dívida de cheque especial, parcelas atrasadas do cartão de crédito e parcelas de empréstimos pessoais, sejam elas junto ao banco ou financeira”, esclarece Sarmento.
“Já no caso de financiamento de carro, empréstimo consignado, ou ainda, fatura do cartão de crédito que está em dia, nesses casos, não vale muito a pena pagar adiantado pois não haverá redução de juros”, complementa.
Mesmo com o recurso extra, é importante ter um controle financeiro para não se afundar em dívidas. Segundo o professor, se for começar uma reserva de segurança, ou organizar seu orçamento, é preciso, antes de mais nada, começar a planejar suas finanças pessoais. Não existe outra maneira de evitar o endividamento, ou sair da situação de endividamento, sem se planejar.

PLANEJAMENTO
“Para começar a planejar, é fácil. Primeiro, crie o hábito de anotar todas as suas despesas diariamente, um simples caderno de bolso basta. Depois, organize essas despesas em grupos, como: alimentação, transporte e moradia, por exemplo”, orienta Sarmento. “Em seguida, uma vez ao mês, some tudo, e avalie quanto dinheiro foi gasto com cada grupo, e no total. Compare quanto dinheiro entrou nesse mês, para assim descobrir o quanto sobrou ou faltou”, acrescenta.
Segundo ele, a separação dos grupos ajuda a identificar os “culpados” pela falta de dinheiro e pelas dívidas. “Para achar a reserva de segurança, some o quanto você gastou com casa, comida e transporte, entre outras despesas fixas”, indica. “Esse valor, multiplicado por 12, é o quanto você precisa ter de reserva de segurança. Por isso, o quanto antes começar a fazer uma, melhor”, enfatiza o especialista.
Segundo o economista, depois de ter uma noção dos gastos, uma boa dica é usar o dinheiro extra do FGTS para organizar esse orçamento. “Se está faltando dinheiro para fechar o mês, veja qual grupo de despesas é o responsável e use o dinheiro para quitar essas despesas e evitar que seja necessário usar o cheque especial, complicando ainda mais a situação”, enfatiza. “Agora, para quem está com o orçamento organizado, não tem dívidas e já tem uma reserva de segurança, pode dar o próximo passo e começar a investir o dinheiro que sobra no mês”, conclui Gabriel Sarmento.

Especialista presta dicas para quem quer começar a investir
Para quem quer começar a investir, o professor Gabriel Sarmento, do curso de Administração da Faculdade Anhanguera de Sumaré, destaca algumas sugestões: “abra uma conta numa corretora, hoje em dia existem várias e a maioria não cobra manutenção de conta mensal”. “Escolha aquela que tiver custódia zero e corretagem barata, além de ter segurança digital, pois hoje em dia todos os investimentos são feitos ou pelo celular, ou pelo computador”, esclarece.
“Depois disso, busque começar por investimentos de renda fixa: títulos públicos, como a LTN, NTN-F ou debêntures (títulos privados). Ambos pagam mais do que a poupança e podem ser feitos com baixo valor inicial”, explica. Segundo o especialista, os títulos públicos LTN e NTN-F podem, inclusive, servir de reserva de segurança, melhor do que a poupança. “Se não quiser pagar imposto de renda, pode buscar LCA ou LCI, mas apenas se estas pagarem mais de 95% da DI – taxa de juros que acompanha de perto a taxa básica de juros (Selic), ou 6% ao ano”, elucida.
“Planejar as finanças é tão importante quanto planejar a nossa carreira ou ir ao médico. Às vezes esquecemos disso, mas nosso bem-estar depende de três fatores: saúde física, saúde mental e saúde financeira”, destaca Gabriel. “Gastar é fácil, rápido e muito gostoso, além de essencial para a economia e para nossa sobrevivência, mas também não podemos exagerar e nos endividar além da conta”, alerta o professor.
Diante disso, é com planejamento que se encontra o equilíbrio entre gastos e renda. “Somente definindo metas e objetivos é que alcançamos nossos sonhos no futuro, uma aposentadoria mais tranquila, entre outros planos” vislumbra. O planejamento é a chave para se ter saúde financeira. “E todos nós merecemos esse bem-estar, afinal, não tem nada pior para a saúde física e mental do que uma dívida, ou falta de dinheiro no fim do mês”, conclui o professor da Anhanguera.

Terça-Feira, 13 de Agosto de 2019

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