Servidor acusado de matar companheira a facadas é solto pela Justiça de Sumaré

Após dois meses preso, José Jair Justino foi beneficiado com alvará de soltura no dia 30 de maio; ele tem de “assinar carteirinha” no Fórum

O funcionário público municipal José Jair Justino, de 58 anos, acusado de matar sua companheira a facadas, foi colocado em liberdade após ficar quase três meses detido. Preso em flagrante pela Polícia Militar no dia do crime, 06 de março de 2019, ele foi beneficiado com um alvará de soltura e saiu do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia no dia 30 de maio deste ano. A vítima, Cláudia Lopes Aragão, de 44 anos, foi assassinada com duas facadas na residência onde morava com o agressor, no Condomínio Sumaré 2, no Jardim Bela Vista, em Sumaré.
O juiz da 2ª Vara Criminal do Foro de Sumaré, Marcus Cunha Rodrigues, considerou que, “encerrada a colheita da prova oral, na presente fase procedimental, (é) possível a revogação da prisão preventiva”. “Não há mais como o réu interferir na prova produzida, logo garantida a instrução criminal. O réu Jair José Justino é funcionário público e tem residência fixa, donde não se visualiza risco à eficaz aplicação da lei penal com o seu encarceramento”, cita trecho do documento judicial.
O magistrado considerou que várias testemunhas ouvidas em audiência afiançaram que o acusado é “trabalhador e pessoa de bem, logo, ao que parece, a severa agressividade empregada foi ato isolado na vida do denunciado, daí que, consideradas as razões acima, não nos parece necessária a permanência da prisão como medida de autodefesa da sociedade”.
“Fixo como medidas cautelares o comparecimento mensal em Juízo para informar e justificar as suas atividades, bem como o recolhimento domiciliar noturno e aos finais de semana e decidiu pelo alvará de soltura”, acrescentou o juiz. Ou seja, Justino ainda tem que “assinar carteirinha” mensalmente no Fórum de Sumaré ao menos até o julgamento do crime.

O CASO
O crime contra Cláudia Lopes Aragão aconteceu após mais uma discussão envolvendo o casal. O funcionário público municipal José Jair Justino teria pegado uma faca de cozinha da casa e atingido a mulher duas vezes. Os vizinhos acionaram o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), mas quando os paramédicos chegaram na residência do casal, a mulher já estava morta.
Na época, a delegada da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Regina Aparecida Castilho Cunha, disse que já teriam ocorrido agressões anteriores entre o casal. “Apuramos que o investigado deu duas facadas na vítima, que não resistiu e morreu na residência”, disse a delegada na época.
A filha da vítima estava na residência do casal acompanhada das netas de Cláudia, sendo uma de um e outra de cinco anos. “Minha amiga estava na casa da mãe dela junto com as suas filhas. O casal começou a discutir, e minha amiga achou melhor sair da casa para não acontecer algo com as suas filhas, mas nunca poderia imaginar que iria acontecer uma coisa dessas”, afirmou uma conhecida da filha da vítima, que preferiu ter a identidade preservada.
Um policial civil que esteve na residência disse que a mulher foi encontrada na cozinha da residência. Os peritos do IC (Instituto de Criminalística) de Americana apreenderam uma faca de açougue com aproximadamente 30 centímetros que foi usada no crime.
Enquanto aguardava para prestar depoimento, no dia da prisão, o acusado deu detalhes sobre o crime ao Jornal Tribuna Liberal, dizendo que a companheira teria usado entorpecentes e teria ficado “doida”. “Ela pegou um galão de gasolina e jogou em cima de mim. Caiu no meu olho. Saí correndo pedindo socorro para o vizinho. Eu lavei meu olho e voltei para casa. Eu disse pra que (ela) não viesse não, senão eu ia matá-la, mas ela veio para cima de mim. Catei a faca. Nem sei onde acertei”, contou o próprio Justino.
O acusado também disse na ocasião que vivia com a vítima havia dois anos e que eles chegaram a se separar. A mulher estava residindo em Nova Veneza, mas como estava sendo despejada, pediu para viver novamente com o companheiro por quatro dias, mas já estava com ele havia mais de dois anos.
Justino confessou também que já tinha agredido a companheira “várias vezes” antes da fatalidade. “Eu fui até a Delegacia para registrar a ocorrência depois de uma confusão, faz um tempo, mas nunca fui preso. Desta vez, acabei machucando o dedo, mas não sei como foi”, completou o acusado. Justino alegou à reportagem que nunca tinha sido preso antes e não sabia o que seria feito da vida dele daquele momento (da prisão) em agora em diante.

Sábado, 20 de Julho de 2019

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