Ex-guarda civil de Sumaré é preso por manter coreano em cárcere privado

Vítima mandou mensagem e localização por celular para amigo informando que foi proibido de sair da casa pelo acusado

O ex-guarda civil municipal de Sumaré F.S.L., de 34 anos, foi preso por policiais civis da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Americana no início da noite de quarta-feira (17/07), em sua residência, no Jardim Mirandola, em Americana. Ele foi acusado de manter sob cárcere privado o motorista coreano K.H., de 37 anos, por dois dias. Enquanto estava sendo abordado pelos investigadores, F. teria ficado alterado e disse que iria correr para que os policiais pudessem matá-lo. Ele só foi contido depois da chegada de mais policiais.
O acusado foi levado para a sede da delegacia especializada, onde foi autuado em flagrante sob acusações de sequestro e cárcere privado, resistência e desobediência. O acusado passou a noite na Cadeia de Sumaré e, depois de ser apresentado no Fórum de Americana para sua audiência de custódia, teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça. Ele está preso no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Americana.
Segundo o boletim de ocorrência, por volta das 18h30 de quarta-feira, investigadores da DIG foram avisados por um colega da vítima sobre um possível caso de cárcere privado. O motorista, que estava desaparecido desde segunda-feira (15), tinha enviado uma mensagem por WhatsApp, no idioma coreano, contando que estava sendo forçado a permanecer na casa do ex-GCM, em Americana, e que precisava de ajuda. Ele conseguiu enviar também a sua localização por GPS.
A testemunha acionou então a Polícia Civil. Junto com os investigadores, e seguindo a localização passada pelo coreano, o colega da vítima seguiu até a casa do suspeito, no Jardim Mirandola, na mesma cidade. De acordo os policiais, o portão de entrada de pedestres estava aberto e, após entrarem, eles imediatamente localizaram F., que se apresentou como morador do imóvel.
Os investigadores identificaram-se como policiais, ordenaram que ele colocasse as mãos na parede e efetuaram uma revista pessoal, mas ele ficou alterado e dizia que iria correr para “forçar” os policiais a dispararem suas armas de fogo contra ele e matá-lo.
Os policiais acionaram reforço para conter a situação e passaram a tentar acalmá-lo. Com a chegada do apoio e aproximação da viatura da DIG, F. voltou a se exaltar e afirmou que se recusaria a ser algemado ou mesmo colocado no interior da viatura. Diante da suposta desobediência aos comandos verbalizados pelos investigadores, oito policiais tiveram de intervir para algemá-lo. Em seguida, ele foi colocado na viatura policial e uma equipe Resgate do Corpo de Bombeiros foi acionada para examinar o acusado.
Os policiais adentraram então no imóvel e encontraram o motorista coreano dormindo. Questionado sobre o ocorrido, ele confirmou que estava sendo mantido à força no local desde a terça-feira à tarde, e que F. ameaçava-o constantemente, inclusive dando-lhe tapas, e acusava o motorista ter mantido suposta relação sexual com sua namorada.

COCAÍNA
O coreano informou que havia pegado o veículo GM Ônix de seu primo na noite de segunda (15/07) e que trabalhou como motorista de aplicativo. Depois, dormiu em um motel em Americana. No dia seguinte, foi acionado para transportar F. para sua casa, por volta das 16h de terça- -feira (16/07), porém, ao chegarem no destino, o suspeito convidou-o para entrar e ali passaram a consumir cocaína juntos.
Depois, F. teria passado a agir agressivamente e a fazer acusações de que a vítima teria mantido relações sexuais com a esposa dele – fato que o coreano negou com veemência para os policiais. Desde então, F. proibiu-o de deixar o imóvel, até a abordagem policial resgatá-lo.
Os investigadores conduziram o ex-GCM para a CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Americana. Nenhum objeto ilícito foi encontrado no local dos fatos ou na posse de F. O veículo localizado no local foi apreendido e devolvido ao seu legitimo proprietário, segundo decisão do delegado Lúcio Antonio Petrocelli.

EXONERADO
Segundo a GCM de Sumaré, F. ingressou na corporação em 2009, mas foi exonerado em 2016 após ser acusado de envolvimento com um caso de disparo de arma de fogo e porte ilegal de arma em Santa Bárbara d’Oeste. Na época, ele permaneceu algum tempo preso e foi colocado em liberdade. Ele também respondeu a sindicância interna, que resultou em seu desligamento da instituição sumareense. A reportagem não conseguiu entrar em contato com o defensor de F.

Sexta-feira, 19 de Julho de 2019

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