Paulínia é cidade que mais emite gases estufa na RMC, mostra novo inventário

Prefeitura de Campinas apresentou Inventário de Gases de Efeito Estufa da RMC; Polo Petroquímico é o maior gerador

Os setores de geração de energia estacionária, transportes e resíduos são os responsáveis pela emissão de 90% dos GEE (Gases de Efeito Estufa) gerados pela RMC (Região Metropolitana de Campinas), da qual fazem parte Sumaré, Hortolândia, Monte Mor, Nova Odessa e Paulínia – esta que é, individualmente, a cidade que mais emite gases-estufa na região, devido à presença do Polo Petroquímico. Este é um dos resultados apurados pelo Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa e de Poluentes Atmosféricos da RMC, estudo conduzido pela Prefeitura de Campinas e que foi apresentado pelo prefeito Jonas Donizette (PSB) na manhã de sexta-feira, 10 de maio.
O inventário foi conduzido, durante o ano de 2018, pela empresa Waycarbon, com a participação do ICLEI (Governos Locais pela Sustentabilidade), e contou com o apoio das prefeituras dos 20 municípios da metrópole. O trabalho foi licitado e pago pelo Fundo de Recuperação, Manutenção e Preservação do Meio Ambiente de Campinas, sob responsabilidade da Secretaria do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
A RMC emitiu, no ano base de 2016, um total de 11.218 milhões de toneladas de GEE, o que a caracteriza como uma região de perfil urbano. De acordo com o estudo, o setor que mais emite é o de energia estacionária, ou seja, aquele que usa a queima de combustíveis fósseis para a geração de energia, com 42,7% das emissões totais na região.
São exemplos deste segmento o consumo de energia elétrica e consumo de combustíveis em residências, comércios, instituições, indústrias e áreas rurais; produção de energia e abastecimento de rede; indústrias de geração de energia do Polo Petroquímico de Paulínia.
Em segundo lugar está o setor de transportes (terrestre, ferroviário e aéreo), com 41,7% das emissões e, em terceiro, o setor de resíduos (disposição final ou tratamento dos resíduos sólidos, incineração dos resíduos da saúde), com 9% das emissões. Esses setores somados são responsáveis por mais de 90% das emissões da RMC.

POR MUNICÍPIOS
De todos os gases de efeito estufa lançados na RMC no ano de 2016, o município de Paulínia (devido ao Polo Petroquímico) foi responsável pela emissão de 38,5%; e Campinas, de 23,2%, os maiores da região. O estudo mostra, ainda, que em Campinas, 60% das emissões de poluentes têm a frota de veículos como fonte geradora. A cidade representa 42% da frota total da região metropolitana, com mais de 1,2 milhão de veículos.
O desenvolvimento do trabalho incluiu a capacitação de técnicos das prefeituras da RMC, coleta de dados e cálculos de emissão de gases com o uso de softwares específicos.
As emissões dos gases de efeito estufa são responsáveis por intensificar o fenômeno da mudança do clima global, que pode ocasionar impactos relacionados à crise hídrica, perdas na agricultura, aumento de suscetibilidade a doenças tropicais e podem prejudicar a qualidade de vida da população. Já os poluentes atmosféricos, quando encontrados em altas concentrações na atmosfera, podem desencadear problemas de saúde e causar impactos ao meio ambiente e na infraestrutura urbana.
Além do cálculo de emissões, o projeto também teve como objetivo engajar os agentes locais na construção de metas e planos de ação ao enfrentamento das mudanças climáticas.

META
Em termos do Plano de Ação, foi definida que a RMC deve reduzir suas emissões em 31,6% até 2060. Para a assessora técnica de Projetos do ICLEI América do Sul, Iris Coluna, deve-se elaborar uma política regional de enfrentamento à mudança do clima para atingir a meta traçada. “Sugerimos também a criação de uma Câmara Temática de Mudança do Clima e Resiliência dentro da Agemcamp, já aproveitando a estrutura que existe, além de um Comitê/ Fórum regional para articular importantes atores, deliberar e dar encaminhamentos sobre o enfrentamento a mudança do clima na região”, complementou.

Sábado, 11 de Maio de 2019

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